Arraias-manta jovens permanecem perto de casa enquanto adultas atravessam centenas de quilômetros e o contraste apareceu em anos de monitoramento
Pesquisa de sete anos na Costa Rica revelou que arraias jovens utilizam refúgios costeiros enquanto adultas atravessam fronteiras marítimas da América Central
As arraias-manta-gigantes (Mobula birostris) apresentam comportamentos de deslocamento diferentes conforme envelhecem. Uma pesquisa realizada entre 2018 e 2025, na Costa Rica, revelou que os indivíduos jovens permanecem principalmente em regiões costeiras, enquanto adultos percorrem centenas ou milhares de quilômetros, atravessando fronteiras marítimas da América Central.
Por que as arraias-manta-gigantes jovens permanecem próximas ao litoral da Costa Rica?
Os pesquisadores identificaram uma preferência dos indivíduos imaturos por águas relativamente rasas, próximas de recifes e regiões costeiras. Esses ambientes oferecem alimento e locais onde pequenos peixes removem parasitas da pele das arraias, conhecidos como estações de limpeza.
A permanência também pode representar uma estratégia contra predadores. Enquanto adultos possuem grandes dimensões e conseguem explorar áreas oceânicas, os jovens são mais vulneráveis a tubarões e orcas. Entretanto, a hipótese de proteção ainda precisa ser investigada diretamente, pois o monitoramento registrou movimentos, não encontros com predadores.
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O que o monitoramento das arraias-manta-gigantes revelou sobre as viagens dos adultos?
As observações mostraram que indivíduos maduros frequentemente deixam áreas costeiras para atravessar grandes extensões do Pacífico. Algumas arraias viajaram da Costa Rica em direção à Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala, utilizando corredores próximos à plataforma continental.
O levantamento reuniu informações importantes sobre a movimentação desses animais:
- Jovens permaneceram principalmente em habitats costeiros rasos;
- Adultos realizaram deslocamentos entre diferentes países;
- Algumas viagens ultrapassaram mil quilômetros acumulados;
- Estações de limpeza receberam visitas repetidas;
- Áreas oceânicas conectaram diferentes pontos de alimentação e socialização.

Como as arraias-manta-gigantes reconhecem lugares e retornam aos mesmos recifes?
As arraias possuem padrões de manchas na região ventral que permitem identificar indivíduos por fotografias. Ao comparar imagens registradas em diferentes anos, pesquisadores conseguem reconhecer animais que retornam aos mesmos locais, mesmo quando transmissores eletrônicos deixam de funcionar.
Esses retornos indicam fidelidade a determinados habitats. As estações de limpeza também funcionam como pontos de encontro, onde podem ocorrer interações sociais e comportamentos reprodutivos. Isso ajuda a explicar por que algumas arraias adultas realizam grandes viagens, mas continuam frequentando regiões costeiras conhecidas.
Como os cientistas acompanharam as arraias-manta-gigantes durante sete anos?
O estudo foi liderado por Jeffry Madrigal-Mesén, do projeto Mantas Costa Rica, com pesquisadores de instituições dedicadas à conservação marinha. O artigo publicado na revista Frontiers in Fish Science, em outubro de 2026, combinou monitoramento acústico, rastreamento por satélite e identificação fotográfica.
Entre 2018 e 2025, os cientistas instalaram transmissores acústicos em 59 arraias e acompanharam outras 12 por satélite. Receptores subaquáticos registraram a passagem dos animais em pontos monitorados. A combinação das técnicas permitiu reconstruir movimentos locais e viagens internacionais, embora apenas dois indivíduos imaturos tenham recebido rastreamento por satélite.
Quais números mostram a diferença entre os deslocamentos das arraias jovens e adultas?
O monitoramento acústico produziu 12.029 detecções válidas de 42 indivíduos. Os transmissores por satélite registraram, conjuntamente, aproximadamente 21.815 quilômetros de deslocamento acumulado. Entre os 12 animais analisados por esse método, nove realizaram movimentos transfronteiriços.
Uma arraia percorreu 1.832 quilômetros em aproximadamente 41 dias, demonstrando a capacidade de conectar ambientes oceânicos distantes. Esses valores não representam distâncias percorridas por todos os indivíduos, mas resultados específicos dos equipamentos utilizados.
| Indicador científico | Resultado registrado |
|---|---|
| Período da pesquisa | 2018 a 2025 |
| Arraias com transmissores acústicos | 59 indivíduos |
| Arraias rastreadas por satélite | 12 indivíduos |
| Detecções acústicas válidas | 12.029 registros |
| Movimentos transfronteiriços | 9 de 12 arraias rastreadas por satélite |
Como a descoberta pode transformar a proteção das arraias-manta-gigantes no Pacífico?
Os resultados demonstram que proteger somente recifes costeiros não é suficiente para uma espécie que utiliza diferentes habitats durante a vida. Áreas rasas podem oferecer condições importantes para juvenis, enquanto adultos precisam atravessar corredores oceânicos sujeitos à pesca e ao tráfego marítimo.
Os pesquisadores defendem estratégias de conservação coordenadas entre países da América Central. Entretanto, o pequeno número de jovens rastreados por satélite limita generalizações sobre todos os indivíduos. Novos estudos deverão investigar rotas migratórias, reprodução e possíveis populações regionais, permitindo definir áreas protegidas de maneira mais eficiente.
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