Governo emite alerta e orienta população a preparar kit de sobrevivência para 72 horas de emergência
Diretrizes não obrigatórias de Bruxelas pedem autonomia mínima de três dias, sem fixar lista única de itens, e ecoam orientações da Defesa Civil no Brasil
Muita gente tratou o pedido europeu por kits de 72 horas como aviso de guerra iminente. Na verdade, a orientação vale para qualquer situação de emergência, de desastres naturais a falhas de infraestrutura. Nesta terça-feira (3), a Comissão Europeia publicou diretrizes para que os governos ajudem cada família a se virar sozinha nos três primeiros dias de uma crise. O kit de sobrevivência doméstico está no centro da proposta, que não é obrigatória e não cria um modelo único para todo o continente.
O que a Comissão Europeia anunciou sobre as 72 horas?
A Comissão apresentou as Diretrizes de Preparação da População no Fórum Europeu de Proteção Civil 2026. O anúncio foi feito pela comissária de Igualdade, Preparação e Gestão de Crises, Hadja Lahbib. O pacote tem quatro frentes: autossuficiência por 72 horas, educação para a preparação, inclusão de pessoas com deficiência e comunicação de riscos.
As regras derivam da Estratégia da União de Preparação, adotada em março de 2025, que previa diretrizes para uma autossuficiência mínima de 72 horas. Bruxelas também propôs criar o Dia Europeu da Preparação, todo 23 de outubro, a partir de 2027. A data marca a criação do Mecanismo de Proteção Civil da União, em 2001, e ainda depende de apoio do Parlamento Europeu e do Conselho.
Por que os três primeiros dias de uma crise são decisivos?
Segundo a Comissão, nesse período a ajuda pública ainda está sendo mobilizada, e cada casa precisa suprir sozinha suas necessidades essenciais. “Quando um desastre acontece, as primeiras horas podem fazer toda a diferença”, afirmou Lahbib. Por isso, o texto fala em suprimentos básicos guardados em casa e numa mochila de emergência pronta para uma eventual retirada.
A página oficial das diretrizes, mantida pela Rede de Conhecimento em Proteção Civil da União Europeia, deixa claro que se trata de orientação, não de obrigação. Cada país organiza as próprias campanhas conforme sua estrutura nacional. A meta é que as famílias atravessem o período inicial da crise com o que já têm em casa.

As outras três frentes completam esse esforço. A comunicação de riscos deve oferecer informação confiável antes, durante e depois de um alerta de emergência. Nas escolas, o tema entra no ensino infantil e nos primeiros anos do fundamental, de forma adequada à idade e sem provocar medo. “Todo europeu deveria saber o que fazer, como proteger a família e como ajudar os outros”, disse a comissária.
O que deve entrar no kit de sobrevivência europeu?
A Comissão não impõe uma lista fechada nem quantidades para o kit de sobrevivência. Segundo a nota de lançamento das diretrizes, a ideia não é criar um kit europeu único, e sim dar orientações que cada família adapte à própria realidade. Entre os exemplos citados estão medicamentos, documentos importantes e um plano familiar de emergência.
A definição dos itens fica com as autoridades nacionais, que conhecem os riscos de cada região. A escuta da população também pesou: um painel com 150 cidadãos de todo o bloco, reunido entre março e maio de 2026, recomendou uma semana anual dedicada à preparação.
Alguns governos europeus já tinham saído na frente com listas próprias. A Bélgica, por exemplo, detalhou os itens que recomenda para três dias de autonomia.
País pede que cidadãos preparem “kit de emergência” para garantir sobrevivência durante três dias➔
Como a Defesa Civil orienta o brasileiro a se preparar?
No Brasil, as defesas civis estaduais orientam as famílias a montar um kit parecido. O programa SP Sempre Alerta, do governo de São Paulo, recomenda guardar água potável e alimentos não perecíveis para três dias. A orientação paulista também pede revisar a validade dos itens a cada seis meses.

A Defesa Civil do Paraná calcula o estoque de água em 2 litros por pessoa por dia, o que dá 6 litros para as 72 horas. A lista oficial do órgão paranaense inclui ainda estes itens:
- Alimentos não perecíveis, como frutas secas, barras de cereal e biscoitos
- Cópias de documentos e das receitas de remédios controlados
- Kit de primeiros socorros, medicamentos e itens de higiene pessoal
- Lanterna e rádio a pilha, com pilhas extras guardadas à parte
- Dinheiro em espécie, apito para pedir socorro e mapas da região
- Cobertor ou saco de dormir para cada pessoa e itens para bebês e animais
O alerta de emergência também chega pelo celular. Segundo a Anatel, o sistema Defesa Civil Alerta cobre todo o país desde 1º de outubro de 2025. As mensagens aparecem na tela de aparelhos 4G e 5G em áreas de risco. O Ministério das Comunicações informa que o serviço dispensa cadastro e toca até no modo silencioso. Para receber SMS, basta enviar o CEP para o número 40199.
Preparação doméstica não substitui as ordens das autoridades
O kit é a primeira camada de proteção, não um plano completo. As orientações brasileiras e europeias convergem em pontos práticos: adaptar o conteúdo a bebês, pessoas com deficiência e animais de estimação, renovar o estoque de água e manter uma lista de contatos para cada morador. Treinar as rotas de fuga a cada seis meses também faz parte da rotina.
Diante de uma situação de emergência real, o kit serve para ganhar tempo, nunca para justificar a permanência em área de risco. Se a Defesa Civil mandar sair, pegue a mochila e siga as orientações oficiais, sem esperar o problema chegar à sua porta. Que tal separar uma tarde deste mês para montar o seu e conversar sobre o plano com quem mora com você?
Quem pretende cruzar o Atlântico também precisa acompanhar as mudanças nas regras de entrada na Europa. O Reino Unido, por exemplo, passou a exigir autorização eletrônica de turistas brasileiros.
Reino Unido exigirá autorização eletrônica de viagem para brasileiros a partir de 2025➔
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