Uma cidade do interior paulista ficou parcialmente debaixo d’água e hoje mergulhadores atravessam pontes, casas e trilhos a até 50 metros
Reservatório no Rio Grande encobriu parte da antiga Rifaina e transformou construções históricas, pontes e estruturas ferroviárias em atrações subaquáticas
A Represa de Jaguara, formada pelo represamento do Rio Grande, transformou a paisagem de Rifaina, no interior de São Paulo, e deixou parte da antiga cidade submersa. Décadas depois, mergulhadores exploram ruínas de casas, olarias, pontes e estruturas ferroviárias, além de cânions que chegam a aproximadamente 50 metros de profundidade.
Como a antiga cidade de Rifaina acabou parcialmente submersa pela Represa de Jaguara?
Antes da construção da hidrelétrica, Rifaina mantinha atividades econômicas ligadas ao Rio Grande. A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro ajudou a desenvolver o comércio regional, enquanto olarias, propriedades rurais e pequenas construções ocupavam terrenos próximos às margens. Essas áreas seriam profundamente modificadas pela formação do reservatório.
As obras da Usina Hidrelétrica de Jaguara começaram na década de 1960, com a primeira unidade geradora entrando em funcionamento em 1970. A formação do lago, no início dos anos 1970, inundou parte da ocupação urbana e das várzeas, obrigando o município a reorganizar atividades econômicas e espaços de circulação.
O que os mergulhadores encontram no fundo da Represa de Jaguara atualmente?
Sob a superfície, permanecem vestígios da antiga ocupação de Rifaina. Entre os pontos conhecidos estão estruturas de pontes, ruínas de construções e instalações relacionadas às olarias. Também existem paredões rochosos e trechos do antigo leito do rio, que oferecem paisagens diferentes das encontradas em mergulhos marítimos.
Os roteiros divulgados pelo município apresentam cinco atrações que ajudam a reconstruir essa paisagem desaparecida:
- Ruínas de antigas casas e construções próximas ao rio;
- Estruturas ferroviárias associadas à Companhia Mogiana;
- Vestígios de olarias utilizadas na produção de tijolos;
- Pontes e estruturas de travessia anteriores ao represamento;
- Cânions, formações rochosas e pontos de grande profundidade.
Um vídeo do canal DIVEGOLD – Mergulho Técnico, publicado em julho de 2025, apresenta mergulhos realizados em Rifaina, mostrando as condições de visibilidade, a paisagem subaquática e a experiência dos mergulhadores no reservatório.
Por que antigas construções conseguem permanecer reconhecíveis debaixo da água?
O represamento submergiu materiais resistentes, incluindo alvenaria, pedras e componentes metálicos. Algumas estruturas conservam suas formas porque deixaram de sofrer determinadas interferências superficiais, como reformas e circulação de veículos. Entretanto, a água também provoca corrosão, deposição de sedimentos e deterioração progressiva.
A preservação varia conforme os materiais, a profundidade e as condições ambientais. Construções de tijolos podem conservar paredes, enquanto componentes de madeira e metal sofrem processos diferentes. Por isso, encontrar ruínas reconhecíveis não significa que estejam intactas ou que ofereçam condições seguras para exploração interna.
Quais registros oficiais documentam a história da Rifaina submersa?
A Prefeitura de Rifaina reúne informações históricas e turísticas sobre a transformação provocada pela hidrelétrica. Na página oficial dedicada ao mergulho, o município identifica antigas casas, olarias, estruturas férreas, pontes e formações naturais entre os elementos encontrados no reservatório.
O Plano Diretor Municipal de 2017 também descreve a inundação de parte da cidade e a transição econômica posterior. Esses documentos permitem relacionar os vestígios à ocupação anterior, embora não constituam um inventário arqueológico completo de cada construção existente sob as águas.

Quais números mostram a dimensão da Represa de Jaguara e das áreas submersas?
O reservatório apresenta aproximadamente 30 a 33 quilômetros quadrados de espelho d’água, conforme documentos municipais. Sua profundidade média é descrita como próxima de 30 metros, enquanto determinados pontos de mergulho chegam aos 50 metros. A visibilidade pode alcançar 20 a 25 metros em condições favoráveis.
Essas medidas variam conforme a localização e as condições da água. Os 50 metros, por exemplo, representam a profundidade de alguns pontos, não necessariamente a posição das ruínas urbanas. A tabela reúne indicadores importantes para compreender o ambiente.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Formação do reservatório | Início dos anos 1970 |
| Espelho d’água | Cerca de 30 a 33 km² |
| Profundidade média informada | Aproximadamente 30 m |
| Pontos mais profundos de mergulho | Até 50 m |
| Visibilidade em condições favoráveis | 20 a 25 m |
Como a antiga Rifaina submersa transformou o turismo e a economia da cidade?
A perda de áreas agrícolas e instalações industriais modificou a economia municipal. Com o passar das décadas, entretanto, o lago passou a sustentar atividades ligadas ao turismo, incluindo passeios de barco, pesca, praia artificial e mergulho. As ruínas tornaram-se parte da identidade turística da região.
A exploração desse patrimônio exige cuidados específicos. Profundidades elevadas, possíveis obstáculos e ambientes com visibilidade variável tornam indispensáveis treinamento, equipamentos e acompanhamento adequados. Além disso, a preservação das estruturas históricas deve orientar as visitas, evitando que a curiosidade dos mergulhadores acelere a deterioração dos vestígios.
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