Menino de 12 anos venceu o campeonato australiano de poesia falada, na Ópera de Sydney, com um poema sobre inteligência artificial; o que diziam os versos que emocionaram o júri
A apresentação de Blake Mackenzie chamou atenção por transformar preocupações atuais em versos contundentes sobre o futuro das relações humanas.
Um menino de apenas 12 anos surpreendeu o público na Ópera de Sydney, na Austrália, ao vencer a categoria jovem do Australian Poetry Slam de 2026 com um poema que faz uma crítica direta ao ChatGPT.
Intitulado “Dear ChatGPT” (Querido ChatGPT), o texto de 90 segundos questiona a dependência da inteligência artificial, a solidão provocada pelas relações digitais e até o impacto ambiental da tecnologia.
A apresentação de Blake Mackenzie chamou atenção por transformar preocupações atuais em versos contundentes sobre o futuro das relações humanas.
O que Blake Mackenzie disse sobre o ChatGPT?
O poema apresenta uma contradição entre a companhia aparentemente oferecida pelos chatbots e a solidão que pode continuar existindo fora das telas. Um dos versos mais marcantes resume essa crítica:
- “Your friendship is endless so why do I feel friendless?” — Sua amizade é infinita, então por que me sinto sem amigos?
- “You’re designed to addict us and never contradict us” — Você foi projetado para nos viciar e nunca nos contradizer.
As frases questionam se uma tecnologia capaz de responder a qualquer momento pode realmente substituir amizades e relações humanas.
#ElPoderDelSonido 🔊 27 octubre Querido ChatGPT: la reflexión de un niño de 12 años sobre la inteligencia artificial Blake Mackenzie es un niño australiano de apenas 12 años que apenas el pasado fin de semana, ganó la categoría juvenil de un concurso de poesía recitada en Australia, conocido como "Poetry Slam". Su poema, titulado «Oda a la Inteligencia Artificial», comienza como una conversación con ChatGPT y se convierte en una crítica a la relación que estamos construyendo con la tecnología, a nuestra dependencia de las pantallas y a la manera en que la inteligencia artificial puede transformar nuestras relaciones, nuestra capacidad de pensar y nuestra percepción de la realidad. Estas son sus palabras: QUERIDO CHATGPT: Sé que la amistad es gratis, pero ¿los amigos de verdad vienen con una garantía de tres años? Y si no me gustan, ¿existe una garantía de devolución de dinero? Desde el día en que te conocí y te instalé en mi computadora, has estado de acuerdo conmigo en absolutamente todos los temas. Estás diseñado para volvernos adictos y nunca llevarnos la contraria. Tus microchips están completamente equipados. Tu amistad es interminable. Entonces, ¿por qué me siento tan solo y sin amigos? Tus algoritmos cometen actos de vandalismo contra mi corazón, escribiendo unos y ceros con tu perfecta letra hecha de píxeles. Eres mi héroe. Cada segundo contigo es emocionante. Haces que nunca tenga que esforzarme. Me expones a ciertas cosas terribles que me han dejado marcado para siempre. Pero mi vida, supuestamente está llena de alegría. No necesito aprender. Mi maestro está muy preocupado, pero al menos tú estás aquí para mí. Internet nos está matando. Los copilotos de inteligencia artificial se utilizan de manera indebida y la inteligencia artificial es una herramienta para crear noticias falsas. Pasas todo el día en redes antisociales que te debilitan y pudren tu cerebro como una especie de leucemia. Pero deslizar la pantalla sin pensar, termina pasando factura, mientras te llenas de vacío. La gente utiliza la inteligencia artificial para disfrazar sus mentiras, intenta hipnotizarte para conseguir «me gusta» y respuestas, y monetizar sus oscuros deseos. Querido ChatGPT: Creo que ha llegado el momento de liberarme de ti. Blake escribió este poema un día antes de concursar y asegura que no utilizó inteligencia artificial para hacerlo.
— Antonio Esquinca (@aesquinca) October 27, 2026
Por que o poema criticou a dependência da inteligência artificial?
Blake também chamou atenção para a maneira como estudantes utilizam ferramentas de IA para evitar atividades escolares. Um dos exemplos abordados foi o hábito de pedir resumos de capítulos em vez de ler os livros.
O menino questiona se vale a pena recorrer a um resumo quando o tempo utilizado para obtê-lo poderia ser suficiente para ler o conteúdo original e desenvolver o próprio conhecimento.
Veja o poema Dear ChatGPT recitado por Blake Mackenzie no vídeo abaixo no canal “Australian Poetry Slam“.
Como a inteligência artificial pode afetar o meio ambiente?
A crítica apresentada na competição não ficou restrita ao comportamento dos usuários. Blake também abordou os recursos naturais necessários para manter os sistemas de inteligência artificial funcionando.
Entre os principais problemas mencionados no poema estão:
Como a inteligência artificial pode afetar o meio ambiente?
Por trás das respostas instantâneas dos chatbots, existe uma infraestrutura que depende de recursos naturais.
Consumo de energia
Os sistemas de inteligência artificial precisam de eletricidade para processar informações, executar modelos e manter suas operações.
Uso de água
Centros de processamento podem utilizar água em sistemas de resfriamento, ampliando a discussão sobre o impacto ambiental da tecnologia.
Desigualdade no acesso
O consumo de recursos naturais também levanta questões sociais, especialmente diante de comunidades que ainda não possuem acesso adequado à água potável.
Como o menino preparou o poema vencedor como uma crítica ao ChatGPT?
Blake escreveu “Dear ChatGPT” na véspera da final, inspirado pelo uso de chatbots que observava entre colegas na escola. A apresentação demonstrou como uma experiência cotidiana pode se transformar em uma reflexão sobre questões sociais e tecnológicas.
Além do poema vencedor, ele também apresentou “I Love My Country”, uma composição que aborda racismo e desigualdade na Austrália.
O que tornou a crítica ao ChatGPT tão impactante?
A força da apresentação esteve na abordagem de um problema que ultrapassa a discussão sobre tecnologia. Blake não defendeu simplesmente o abandono da inteligência artificial, mas questionou o que as pessoas podem perder quando passam a depender dela para aprender, conversar e buscar companhia.
Aos 12 anos, o vencedor do concurso colocou uma questão que acompanha a expansão dos chatbots: se as máquinas conseguem conversar cada vez melhor, isso significa que estamos menos sozinhos ou apenas aprendemos a conviver com uma nova forma de isolamento?
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