Uma mancha clara em Madagascar parece terreno lunar vista do espaço e um astronauta fotografou a semelhança em plena Terra
Fotografia feita da Estação Espacial Internacional em 2026 revela uma formação rochosa de pelo menos 600 milhões de anos semelhante às terras altas da Lua.
Uma mancha quase branca no sul de Madagascar chamou atenção em uma fotografia feita da Estação Espacial Internacional em agosto de 2026. Trata-se do maciço de anortosito de Saririaky, uma formação rochosa terrestre que lembra as regiões claras da Lua. A semelhança vem principalmente de seus minerais, não de uma origem extraterrestre.
Por que o anortosito de Madagascar lembra a superfície da Lua?
O anortosito é uma rocha ígnea rica em feldspato plagioclásio, mineral geralmente claro que reflete bastante luz. Na Lua, esse material predomina nas terras altas brilhantes, visíveis até a olho nu daqui da Terra.
A explicação mineralógica da NASA diferencia essas regiões dos mares lunares escuros, ricos em basaltos. Cor semelhante, porém, não significa que os dois afloramentos tenham exatamente a mesma composição química ou história.

O que a fotografia feita na Estação Espacial revela?
A imagem divulgada pela NASA em 5 de outubro de 2026 registra o maciço de Saririaky, fotografado em 28 de agosto por um integrante da Expedição 75. Ela permite observar:
- Um afloramento claro, quase circular, com aproximadamente 100 km².
- Rochas avermelhadas ao redor, marcadas por faixas alongadas.
- Canais de drenagem que atravessam a formação e suas bordas.
- Detalhes captados com câmera Nikon Z9 e lente de 400 mm.
O anortosito terrestre se formou como o anortosito lunar?
São rochas do mesmo grupo, mas suas histórias geológicas são diferentes. O depósito de Madagascar se formou a partir de magma que esfriou no interior da crosta terrestre; o material lunar registra uma crosta com mais de 4 bilhões de anos.
Como a geologia de Madagascar transformou a formação clara?
O maciço de Saririaky provavelmente se formou há pelo menos 600 milhões de anos, no final do Pré-Cambriano. Hoje, aparece cercado por rochas intensamente deformadas, resultado de pressões e temperaturas elevadas em uma antiga zona de cisalhamento.
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Segundo a NASA, essas deformações se relacionam à formação do supercontinente Gondwana, quando grandes blocos continentais se aproximaram. A hipótese de que outro maciço, situado cerca de 60 km ao norte, tenha sido separado de Saririaky ainda é uma interpretação geológica, não uma conclusão definitiva.
Por que rochas terrestres ajudam a investigar a história lunar?
Os cientistas usam anortositos acessíveis na Terra como análogos geológicos para estudar processos presentes na Lua. A NASA também destaca depósitos de Montana com composição especialmente próxima à de certas rochas lunares:
- Analisar cristais e minerais em amostras terrestres acessíveis.
- Comparar resultados com rochas recolhidas pelas missões Apollo.
- Investigar como diferentes magmas esfriam e cristalizam.
- Reconhecer diferenças químicas entre depósitos aparentemente semelhantes.
A fotografia aproxima dois mundos sem confundir suas origens
O contraste entre o branco de Saririaky e o terreno avermelhado ao redor torna a semelhança lunar especialmente visível. A fotografia foi recortada e teve o contraste ajustado pela NASA, mas registra uma formação geológica real, não uma montagem da superfície da Lua.
O interesse científico está em compreender por que o mesmo tipo geral de rocha aparece em ambientes tão distintos. Madagascar preserva uma história de magma e deformação continental; as terras altas lunares guardam vestígios da formação da crosta da Lua.
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