Pesca nos rios de Goiás muda desde 1º de novembro e pesque e solte fica restrito a reservatórios
Norma da Semad vale até 28 de fevereiro de 2027 nas bacias do Araguaia-Tocantins, Paranaíba e São Francisco e proíbe a pesca amadora nos rios
A pesca nos rios de Goiás está proibida desde domingo (1º), quando começou a piracema, e o pesque e solte agora só pode ser praticado em reservatórios. A regra é da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e vale até 28 de fevereiro de 2027. É o período em que os peixes se reproduzem, e o Estado decidiu que nem a pesca esportiva com devolução continua liberada nos leitos dos rios.
O que muda na pesca nos rios de Goiás nesta piracema?
A pesca amadora, a subaquática e a ornamental estão proibidas desde 1º de novembro nas bacias dos rios Araguaia-Tocantins, Paranaíba e São Francisco. As restrições estão na Instrução Normativa Semad nº 17/2026, publicada no Diário Oficial do Estado em 28 de maio. A norma substituiu as regras de 2020 que orientavam a atividade.

A grande novidade para quem pesca nos rios goianos é o fim do pesque e solte nos trechos de rio durante o defeso. Pelas regras que valiam até a temporada passada, a modalidade também podia ser praticada nos rios. Agora, segundo a Semad, a pesca esportiva e a conduzida ficam restritas a reservatórios.
O defeso, nome técnico da piracema, protege a fase em que muitas espécies nativas migram rio acima para desovar. Nesse período, os cardumes ficam concentrados e mais vulneráveis. Por isso, até equipamentos considerados comuns no resto do ano passam a ser vistos com mais rigor pela fiscalização.
Pesque e solte só vale em reservatórios e com anzol sem fisga
Nos reservatórios, o pesque e solte segue permitido, mas com condições: anzóis sem fisga e devolução do peixe à água logo após a captura. Pela norma da Semad, o pescador não pode guardar, transportar nem consumir o que fisgar. A pesca conduzida, aquela acompanhada por guia, segue as mesmas exigências.
Na prática, quem quiser manter o hábito durante a piracema precisa trocar os trechos corridos dos rios pelos lagos formados por barragens. Antes de sair de casa, vale conferir com a Semad ou com o órgão ambiental do município se o reservatório escolhido tem alguma restrição local. A carteira de pesca em dia continua obrigatória.
Quem ainda pode pescar e consumir peixe durante o defeso?
A pesca de subsistência continua permitida durante a piracema, só para consumo da família. A cota é de até 5 quilos por pescador ao dia, e o peixe não pode ser vendido nem trocado. A exceção vale para quem depende da pesca para se alimentar, e não para o lazer.

A Cota Zero também segue em vigor e proíbe o transporte de pescado nativo capturado em Goiás. Fora do defeso, o pescador pode consumir até 5 quilos no próprio local da pesca, mas não leva o peixe nativo para casa. Com a nova instrução, o prazo de revisão da política caiu de seis para quatro anos.
Quem descumpre as regras do defeso pode responder pelo artigo 34 da Lei de Crimes Ambientais, que prevê detenção de um a três anos, multa ou as duas penas. Um caso recente no interior paulista mostra como essa fiscalização funciona na beira do rio.
Pescaram em local proibido, foram multados e ainda viram os peixes serem devolvidos ao rio➔
Por que a Semad apertou as regras da pesca nos rios goianos?
A intenção da Semad é proteger os estoques de peixes nativos justamente quando eles estão mais expostos. Com a soltura limitada aos reservatórios, os rios ficam livres da pressão da pesca durante os quatro meses de reprodução. A Cota Zero completa a estratégia o ano inteiro, ao impedir que o peixe nativo saia do local de captura.
No fim das contas, a temporada de pesca em Goiás passou a ter outro mapa: até fevereiro, quem pesca por esporte troca a correnteza pela água parada das represas e deixa os rios para os cardumes. Se você costuma pegar a estrada com a vara no porta-malas, confira as regras antes de sair e aproveite a pescaria sem dor de cabeça.
A pressão sobre os peixes nativos não vem só da pesca. Os pesquisadores também acompanham de perto o avanço de espécies levadas para fora da região de origem.
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