Tamanduá-bandeira é flagrado comendo no Pantanal com o filhote agarrado às costas, e pouca gente sabe que a mãe carrega o filhote assim por meses
Filhote passa as quatro primeiras semanas sem sair do dorso da mãe e só é desmamado por volta dos nove meses, segundo zoológicos de referência
Quem vê um tamanduá-bandeira com o filhote grudado no lombo costuma pensar que é uma carona rápida, coisa de um passeio curto. Não é. A cena que circula nas redes, com uma fêmea comendo no Pantanal enquanto a cria segue agarrada às costas dela, mostra a rotina do primeiro ano de vida da espécie. Segundo o Zoológico Nacional do Smithsonian, o filhote pode viajar no dorso da mãe por até um ano.
Por quanto tempo o filhote do tamanduá-bandeira fica nas costas?
O filhote passa boa parte do primeiro ano montado na mãe. De acordo com a San Diego Zoo Wildlife Alliance, nas quatro primeiras semanas ele não sai das costas dela em nenhum momento. Depois desse período, começa a ficar mais tempo no chão, mas continua subindo com frequência.
O desmame acontece por volta dos nove meses, segundo a mesma instituição. A independência completa demora mais: o jovem costuma deixar a mãe perto dos dois anos de idade. Cada gestação dura cerca de seis meses e gera um único filhote, informa o Smithsonian.
Veja abaixo o vídeo do Canal Rural:
Por que a mãe carrega o filhote agarrado ao próprio dorso?
O transporte nas costas funciona como proteção. A San Diego Zoo Wildlife Alliance explica que a pelagem do filhote tem um padrão parecido com o do adulto, o que ajuda a cria a se camuflar no corpo da mãe. Para um predador, a dupla parece um animal só, e maior.
A faixa preta típica da espécie faz parte desse efeito. Ela começa embaixo do focinho, segue até o meio das costas contornada de branco, bege ou cinza e termina num anel preto perto das patas dianteiras. Deitado sobre esse desenho, o filhote se mistura ao padrão da mãe.

A carona também permite que a fêmea continue a vida normal enquanto cuida da cria. Cenas como a do Pantanal mostram justamente isso: a mãe se alimenta, revira o solo e se desloca, e o filhote segue firme no lombo.
Uma língua de 60 centímetros e até 30 mil insetos por dia
A dieta do tamanduá-bandeira é quase toda de formigas e cupins. Segundo a San Diego Zoo Wildlife Alliance, um animal pode consumir até 30 mil desses insetos por dia. Ele fica cerca de um minuto em cada ninho antes de seguir para o próximo.

A ferramenta para isso é a língua, com cerca de 60 centímetros, coberta de saliva pegajosa e de pequenos espinhos voltados para trás. O Smithsonian informa que ela entra e sai da boca até 150 vezes por minuto. As garras dianteiras abrem os ninhos e, para protegê-las, o animal caminha apoiado nos nós dos dedos.
O Smithsonian aponta a dieta restrita e a baixa taxa de reprodução entre os fatores que explicam o desaparecimento de populações locais da espécie. A volta de filhotes à natureza também é o tema de outro caso recente de conservação no Brasil.
Quais ameaças rondam o tamanduá-bandeira e como agir ao ver um?
As principais ameaças são a perda de habitat e a ação humana. A San Diego Zoo Wildlife Alliance cita incêndios em áreas de campo, caça, atropelamentos e ataques de cães domésticos entre as causas do sumiço da espécie em boa parte da área onde vivia.
O tamanduá-bandeira ocorre da América Central à América do Sul, em áreas alagadas, campos e florestas tropicais, segundo o Smithsonian. O zoológico observa ainda que o horário de atividade muda conforme a presença humana: perto de áreas povoadas, o animal tende a sair mais à noite.
Se você encontrar um tamanduá-bandeira, principalmente uma fêmea com filhote, mantenha distância e não tente tocar, alimentar ou seguir o animal para tirar fotos. As garras dianteiras servem para defesa, conforme o Smithsonian, e uma mãe acuada pode reagir. Na estrada, reduza a velocidade perto de mata e campo e mantenha os cães presos. Se vir um animal ferido, chame o órgão ambiental do seu estado ou a Polícia Militar Ambiental.
O comportamento curioso de outros bichos também rende boas histórias na natureza. Uma aranha, por exemplo, monta uma armadilha escondida no chão para caçar.
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