A placa que mergulha sob a costa oeste da América do Norte está se rompendo aos pedaços, e cientistas observaram o processo em andamento pela primeira vez
Uma fratura de cerca de 75 km mostra trechos ainda sísmicos ao lado de áreas silenciosas, sinal de que uma seção já se desconectou

O que você vai ver
- Que dados revelaram o rompimento da placa.
- Onde a placa já se separou por completo.
- Como uma zona de subducção termina aos pedaços, e não de uma vez só.
- Que efeito a fragmentação pode ter sobre vulcões da região.
- Se a descoberta muda o risco sísmico já conhecido da região.
Pesquisadores conseguiram observar em andamento o processo de fragmentação de uma zona de subducção ao largo da Ilha de Vancouver, no Canadá, onde as placas Juan de Fuca e Explorer mergulham sob a placa norte-americana.
Que dados revelaram o rompimento?
O estudo, liderado pelo geólogo Brandon Shuck, da Louisiana State University, e publicado na revista Science Advances com 15 coautores, usou o levantamento sísmico CASIE21, realizado em 2021 com financiamento da National Science Foundation: um navio emitiu ondas sonoras no fundo do oceano e um streamer de 15 quilômetros com hidrofones registrou os ecos, dados depois combinados com registros de terremotos.

Onde a placa já se separou?
A equipe identificou várias fraturas na placa que está afundando, incluindo uma falha de grande porte com deslocamento de cerca de 5 quilômetros; ao longo de uma fratura de cerca de 75 quilômetros, alguns trechos ainda geram terremotos enquanto outros estão silenciosos, sinal de que uma seção já se desconectou e essa área está se expandindo.
Como a subducção termina aos pedaços?
Os pesquisadores descrevem o processo como episódico: falhas transformantes atuam como tesouras que isolam fragmentos da placa, formando microplacas, e cada episódio de ruptura pode levar vários milhões de anos para se completar, em vez de ocorrer de uma só vez.
Que efeito isso tem no vulcanismo?
A separação de um trecho cria uma espécie de janela na placa afundando, por onde o manto quente pode subir, o que tem potencial para alterar a produção de magma e a atividade vulcânica da região; os pesquisadores associam esse processo a microplacas fósseis já deixadas pela antiga placa Farallon, ao largo da Baixa Califórnia.

Isso muda o risco sísmico?
Os próprios autores afirmam que a descoberta não altera de forma significativa o risco sísmico de Cascadia em escala humana, já que a região continua capaz de gerar terremotos e tsunamis extremamente grandes; o próximo passo é entender se uma ruptura futura atravessaria essas fraturas ou seria desviada por elas.
Processos geológicos que só puderam ser flagrados graças a tecnologia de imagem de ponta também aparecem na reportagem sobre a costela do maior T. rex já encontrado, escaneada por nêutrons sem danificar o fóssil.
Mais detalhes sobre a pesquisa estão disponíveis na reportagem original do ScienceDaily.
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