Uma cratera de gás foi incendiada para queimar por poucos dias e mais de meio século depois o buraco continua aceso no deserto
Conhecida como Porta do Inferno, formação no Turcomenistão permanece em combustão há décadas, mas intervenções recentes estão reduzindo suas chamas
A cratera de Darvaza, no deserto de Karakum, no Turcomenistão, continua apresentando chamas alimentadas por gás natural décadas depois de ter sido incendiada. Conhecida como Porta do Inferno, a formação tornou-se famosa pela história de uma operação soviética que deveria durar poucos dias. Entretanto, sua origem exata permanece controversa, enquanto intervenções recentes reduziram significativamente a intensidade do fogo.
Como surgiu a cratera de Darvaza no deserto do Turcomenistão?
A explicação mais difundida afirma que, em 1971, uma equipe soviética perfurava o solo em busca de gás natural quando o terreno cedeu. O desabamento teria aberto uma enorme cavidade, permitindo que gases subterrâneos escapassem. Para evitar sua dispersão, os responsáveis decidiram incendiá-los, acreditando que o combustível acabaria rapidamente.
Entretanto, os documentos históricos disponíveis não comprovam integralmente essa cronologia. Geólogos turcomenos apresentaram versões que situam o colapso na década de 1960 e o início do incêndio posteriormente. Uma operação de perfuração em 1963 também aparece em relatos institucionais. Assim, 1971 permanece uma data tradicionalmente citada, não um marco histórico definitivamente estabelecido.
Por que a cratera de Darvaza continuou queimando durante décadas?
O segredo da persistência está no abastecimento subterrâneo. A cavidade encontra-se numa região rica em depósitos de gás natural, principalmente metano. Enquanto esse combustível alcança a superfície e encontra oxigênio e condições adequadas de ignição, as chamas podem continuar consumindo o gás liberado.
A história reúne cinco aspectos fundamentais para compreender o fenômeno:
- O terreno sofreu um colapso associado à exploração de gás;
- O gás natural escapou através de fraturas subterrâneas;
- O incêndio foi iniciado deliberadamente, segundo relatos históricos;
- O fornecimento contínuo de combustível sustentou as chamas;
- A extração recente de gás reduziu a intensidade da combustão.
O vídeo da BBC World Service, publicado em janeiro de 2025, apresenta imagens de Darvaza, explica as incertezas históricas e entrevista o explorador George Kourounis, que entrou na cratera em 2013.
Como o gás natural consegue alimentar um incêndio durante tanto tempo?
A combustão ocorre quando o metano reage com o oxigênio, liberando energia térmica e produzindo principalmente dióxido de carbono e vapor de água. Diferentemente de uma fogueira abastecida por madeira, Darvaza recebe combustível de forma contínua através de caminhos existentes no subsolo. O fogo, portanto, depende da vazão subterrânea, não de uma quantidade previamente depositada na cavidade.
Essa característica também explica por que apagar as chamas superficialmente não resolveria necessariamente o problema. O metano poderia continuar escapando sem combustão, contribuindo diretamente para o aquecimento global. Interromper ou controlar o fluxo exige compreender a estrutura geológica e utilizar técnicas de exploração e gerenciamento de reservatórios.
O que as investigações científicas revelaram sobre a origem de Darvaza?
O comunicado oficial do governo do Turcomenistão, publicado em 2025, relaciona a formação da cratera a um acidente durante a perfuração de um poço exploratório. O documento também descreve a estrutura geológica responsável pelo abastecimento contínuo de gás e as medidas adotadas para reduzir as emissões.
Além das análises geológicas, expedições investigaram diretamente o ambiente. Em 2013, George Kourounis desceu aproximadamente 30 metros na cratera, recolhendo materiais para pesquisas microbiológicas. A exploração confirmou a existência de organismos adaptados a condições extremas, mas não conseguiu determinar quando ocorreu a ignição inicial.

Quais números mostram a dimensão da cratera de Darvaza e de seu incêndio?
As estimativas mais citadas descrevem uma cavidade com aproximadamente 60 a 70 metros de diâmetro e cerca de 20 a 30 metros de profundidade. Essas diferenças refletem levantamentos distintos. Embora o incêndio seja frequentemente associado a 1971, a ausência de documentação conclusiva impede calcular sua duração exata.
Em junho de 2025, autoridades turcomenas anunciaram que a intensidade da combustão havia diminuído mais de três vezes em comparação com agosto de 2023. A redução foi associada à abertura e reativação de poços para captar gás antes que alcançasse a cratera.
O que a redução das chamas significa para o futuro de Darvaza?
As intervenções recentes indicam que o fornecimento de gás pode ser reduzido por métodos industriais. Autoridades locais relataram que o brilho, anteriormente visível a vários quilômetros, passou a ser observado principalmente nas proximidades da cratera. Isso representa uma mudança importante, mas não comprova sua extinção definitiva.
A prioridade ambiental envolve controlar o metano sem aumentar vazamentos não queimados. A intensidade visível do fogo, isoladamente, não permite calcular todas as emissões. A experiência de Darvaza demonstra como acidentes associados à exploração de recursos naturais podem produzir consequências duradouras e como sua solução depende tanto do conhecimento geológico quanto do gerenciamento industrial.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)