As únicas dunas do Cerrado brasileiro chegam a 40 metros no leste do Tocantins e dividem o horizonte com nascentes de água transparente
As dunas douradas formam uma paisagem diferente em meio ao Cerrado
No meio do Cerrado, onde se espera mato baixo e terra vermelha, surgem morros de areia alaranjada que mudam de cor ao entardecer. No Jalapão, região do leste do Tocantins, essas dunas convivem com fervedouros, cachoeiras e rios tão claros que a areia branca do fundo fica à vista mesmo nos pontos mais profundos, a centenas de quilômetros da capital.
Como surgiram dunas no meio do Cerrado?
Elas nasceram da erosão das rochas de arenito da Serra do Espírito Santo, com o vento depositando a areia sempre na mesma área. É a única formação de dunas dentro do Cerrado brasileiro, segundo o portal Visit Brasil, da Embratur, que recomenda a visita no fim da tarde, quando o pôr do sol intensifica as cores.
As dunas ficam dentro do Parque Estadual do Jalapão, criado em 2001 e com pouco mais de 158 mil hectares concentrados no município de Mateiros. De acordo com o Governo do Tocantins, as areias finas e alaranjadas chegam a 40 metros de altura e formam o cartão-postal da região.

Alguns números ajudam a dimensionar esse pedaço do Cerrado:
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O que são os fervedouros e onde ficam?
Os fervedouros são ressurgências, nascentes em que a água sobe de aquíferos subterrâneos com tanta pressão que impede o corpo de afundar. A areia suspensa cria a ilusão de um fundo próximo, mas alguns poços chegam a dezenas de metros de profundidade, e a sensação é de flutuar sobre a própria nascente.
Os mais conhecidos ficam em municípios diferentes. O Fervedouro Bela Vista, um dos maiores e mais estruturados, está em São Félix do Tocantins, enquanto o Fervedouro do Ceiça e o pequeno Buritizinho fazem parte dos roteiros na zona rural de Mateiros. Como a nascente é frágil, a entrada costuma ser feita em pequenos grupos e por tempo limitado.

Quais cachoeiras e paisagens completam o roteiro?
A Cachoeira do Formiga, no caminho entre Mateiros e São Félix do Tocantins, tem água verde-esmeralda tão clara que a areia branca do fundo aparece até no ponto mais fundo do poço. A Cachoeira da Velha, em Mateiros, é a maior da região: as águas do Rio Novo despencam em forma de ferradura dupla, com cerca de 100 metros de largura.
Na Velha, o banho não é permitido perto da queda por causa da força da correnteza, mas a Prainha do Rio Novo, logo abaixo, compensa com águas calmas e areia branca. O mesmo rio recebe descidas de rafting, uma das poucas formas de ver a cachoeira por outro ângulo.
Paradas que valem o desvio
Entre mirantes, cânions e nascentes menos famosas, alguns pontos completam a travessia pela região:
- Serra do Espírito Santo (Mateiros): trilha até o topo plano da serra, com vista ampla das dunas e dos chapadões.
- Pedra Furada (Ponte Alta do Tocantins): formação de arenito com aberturas naturais, a cerca de 35 km da cidade, gratuita e ideal para o pôr do sol.
- Cânion Sussuapara (Ponte Alta do Tocantins): fenda estreita entre paredes cobertas de vegetação, com pequenas quedas d’água.
- Fervedouro das Macaúbas (São Félix do Tocantins): outra nascente de água clara para flutuar fora do circuito mais famoso.
- Rafting no Rio Novo (Mateiros): descida pelas corredeiras do rio, com agendamento prévio.
- Artesanato de capim-dourado (Mateiros, Ponte Alta e São Félix): peças feitas com a fibra dourada típica da região, compradas direto dos artesãos.
As paisagens naturais e os passeios pelo Jalapão são apresentados neste vídeo do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que percorre atrações dessa região do Tocantins:
Como se preparar para rodar o Jalapão
A viagem começa em Palmas, que tem o aeroporto mais próximo, porque não há voos comerciais dentro da região. Dali em diante, boa parte dos caminhos é de terra e areia fofa, e o Melhores Destinos lembra que as estradas exigem veículo com tração 4×4, motivo pelo qual a maioria dos viajantes contrata agências com motoristas experientes.
Guia local é recomendado: em muitos trechos não há sinal de celular nem sinalização, e as distâncias entre Ponte Alta, Mateiros e São Félix somam horas de estrada por dia. Fervedouros em propriedades privadas cobram taxa e alguns pedem agendamento, e a época escolhida muda tudo, porque a chuva transforma o estado das estradas e o ritmo dos passeios.
Qual é a melhor época para visitar o Jalapão?
O Jalapão tem duas estações bem marcadas: chuvas de novembro a abril, com janeiro perto de 256 mm, e seca de maio a setembro, quando junho, julho e agosto praticamente não registram chuva. A seca facilita as estradas e deixa o céu limpo para ver estrelas, mas traz mais calor, com máximas de até 33°C em setembro.
Jalapão em cada estação
No Cerrado, o calendário se divide mais pela chuva do que pelo frio, e cada fase muda a viagem:
Faixas baseadas na climatologia de 30 anos do Climatempo para Mateiros. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña; para a previsão atual, consulte a previsão do tempo para Mateiros.
Um Cerrado que surpreende a cada parada
O Jalapão desmonta a ideia de um Cerrado monótono: tem dunas que só existem ali, nascentes onde a água empurra o corpo para cima e cachoeiras de um verde difícil de acreditar. A distância faz parte da experiência e explica por que a paisagem segue tão preservada.
Você precisa atravessar o Jalapão ao menos uma vez e esperar o sol baixar sobre as dunas para entender por que o Tocantins guarda um dos cenários mais impressionantes do país.
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