Os riscos das “bebidas PET” que causam demência; microplásticos equivalentes ao tamanho de um giz de cera foram encontrados nos cérebros de pessoas falecidas
A descoberta ganhou atenção após pesquisas identificarem partículas microscópicas de plástico em órgãos humanos, incluindo o cérebro.
Um dos estudos, publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine, encontrou concentrações de microplásticos e nanoplásticos superiores no tecido cerebral em comparação com fígado e rins.
Os resultados também levantaram uma preocupação importante: pessoas diagnosticadas com demência apresentaram maior concentração dessas partículas.
Embora ainda não exista comprovação de que o plástico provoque a doença, os pesquisadores alertam para uma possível relação que merece investigação.
Como os microplásticos das garrafas podem chegar ao cérebro?
O problema começa com partículas liberadas por produtos plásticos utilizados diariamente. Um estudo publicado em 2024 na revista PNAS identificou aproximadamente 240 mil partículas de plástico por litro de água engarrafada, sendo cerca de 90% delas de tamanho nanométrico.
Por serem extremamente pequenas, essas partículas podem atravessar barreiras do organismo, alcançar a corrente sanguínea e chegar a diferentes órgãos, inclusive ao cérebro.
O que os pesquisadores encontraram no cérebro humano?
A pesquisa publicada na Nature Medicine analisou tecidos de pessoas falecidas e identificou uma concentração expressiva de microplásticos e nanoplásticos no cérebro.
Em amostras coletadas em 2024, a concentração mediana chegou a aproximadamente 4,9 miligramas por grama de tecido cerebral.
O resultado equivale a cerca de 0,5% da massa analisada e foi comparado à quantidade de plástico presente em um pequeno giz de cera. Entre as principais descobertas estão:
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O que os pesquisadores encontraram no cérebro humano?
Estudo identificou três descobertas importantes sobre a presença de microplásticos e nanoplásticos no tecido cerebral.
Maior concentração no cérebro
As análises identificaram níveis de partículas plásticas no tecido cerebral superiores aos encontrados no fígado e nos rins.
Acúmulo aumentou com o passar dos anos
Amostras de décadas mais recentes apresentaram concentrações maiores, indicando uma possível tendência de aumento da exposição humana.
Maior presença em pessoas com demência
Os pesquisadores observaram concentrações mais elevadas dessas partículas em amostras de indivíduos diagnosticados com demência.
Os achados mostram uma associação que merece investigação. Até o momento, não comprovam que os microplásticos provoquem demência ou Alzheimer.
Por que o acúmulo de plástico preocupa os especialistas?
Uma das hipóteses é que os nanoplásticos consigam atravessar a barreira hematoencefálica, estrutura responsável por proteger o cérebro contra substâncias potencialmente prejudiciais.
Além disso, pesquisadores investigam se essas partículas podem favorecer a agregação de proteínas associadas a doenças neurodegenerativas, como a beta-amiloide, relacionada ao Alzheimer.
Entretanto, existe uma ressalva fundamental: ainda não foi demonstrado que os microplásticos causam demência. A associação encontrada também pode significar que alterações provocadas pela própria doença favorecem o acúmulo dessas partículas.

Quais hábitos ajudam a diminuir o contato com microplásticos?
Embora seja praticamente impossível eliminar completamente a exposição aos plásticos, algumas mudanças cotidianas podem ajudar a reduzir o contato com essas partículas. Entre as recomendações apresentadas pelo neurologista Takayoshi Shimohata estão:
- Trocar garrafas descartáveis: utilizar recipientes de vidro ou metal para armazenar água.
- Evitar determinados sachês de chá: preferir folhas soltas preparadas em chaleiras ou infusores.
- Não aquecer alimentos em plástico: transferir as refeições para recipientes de vidro ou cerâmica antes de utilizar o micro-ondas.
- Repensar o armazenamento: utilizar potes de vidro com tampa em vez de depender exclusivamente de filmes plásticos.
- Verificar cosméticos: evitar produtos que contenham microesferas plásticas.
É possível evitar completamente os riscos dos nanoplásticos?
Os especialistas reconhecem que abandonar totalmente os produtos plásticos é praticamente inviável na sociedade atual. Por isso, a orientação é diminuir a exposição sempre que possível, começando pelos hábitos mais simples.
A descoberta de partículas no cérebro humano representa um novo desafio para a ciência, especialmente diante da possível associação com doenças neurodegenerativas. Ainda serão necessários estudos para determinar os efeitos reais dessa exposição e esclarecer se os microplásticos contribuem diretamente para o desenvolvimento da demência.
O alerta, portanto, não significa que beber água de garrafa plástica provoque Alzheimer, mas mostra por que a exposição cotidiana aos nanoplásticos merece atenção científica.
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