Um asteroide abriu uma cratera sob o Mar do Norte e levantou um tsunami de cerca de 100 metros quando atingiu a região
Estudo publicado em 2025 confirmou a origem por impacto da cratera Silverpit, no Mar do Norte, e reconstruiu uma colisão capaz de produzir ondas superiores a 100 metros.
Enterrada a cerca de 700 metros sob o leito do Mar do Norte, a cratera Silverpit guarda marcas de uma colisão ocorrida há 43 a 46 milhões de anos. Uma pesquisa publicada em 2025 reuniu minerais deformados por pressão extrema e imagens sísmicas para confirmar a origem por impacto. Modelos indicam um tsunami superior a 100 metros perto da colisão.
Como surgiu a cratera escondida sob o Mar do Norte?
Um corpo celeste provavelmente com cerca de 160 metros de diâmetro atingiu uma região de mar raso, onde hoje fica a plataforma continental britânica, a aproximadamente 130 quilômetros de Yorkshire. A colisão escavou uma depressão de cerca de 3,2 quilômetros de diâmetro, cercada por uma zona de falhas concêntricas que alcança aproximadamente 20 quilômetros.
Os números do asteroide e sua velocidade de aproximadamente 15 quilômetros por segundo vêm de simulações que reproduzem a estrutura. A Universidade Heriot-Watt apresentou a reconstrução após o estudo de 2025.
Quais pistas confirmaram que Silverpit nasceu de um impacto?
Imagens sísmicas tridimensionais e fragmentos de rocha retirados de uma perfuração revelaram sinais convergentes. A pesquisa na Nature Communications descreveu quatro evidências centrais:
- Uma elevação central cercada por uma depressão anular.
- Falhas curvas e concêntricas compatíveis com choque oblíquo.
- Quartzo e feldspato com minúsculas lamelas de deformação.
- Pequenas crateras secundárias nos sedimentos da época.
O que distingue os novos indícios das antigas hipóteses?
Durante duas décadas, cientistas discutiram se sal subterrâneo ou atividade geológica poderiam ter deformado as camadas. Os novos dados permitem confrontar essas explicações com marcas típicas de colisões muito rápidas.
Como uma colisão submarina produziria um tsunami de 100 metros?
O objeto atingiria o fundo do mar e lançaria uma cortina de água e detritos de até 1,5 quilômetro de altura, segundo a reconstrução dos pesquisadores. Ao desabar, esse material deslocaria enormes volumes de água, formando ondas de mais de 100 metros perto da região atingida.
Essa altura é uma estimativa de modelo, não a medição de uma onda observada há milhões de anos. A pesquisa também identificou marcas de correntes que voltaram para a cratera, mas não determinou qual altura o tsunami teria ao alcançar costas distantes.
O que as rochas ainda permitem reconstruir sobre o evento?
Os geólogos combinaram diferentes técnicas para situar o impacto no Eoceno médio e identificar seu provável deslocamento de oeste para leste. Cada método responde a uma parte da história:
- Ondas sísmicas atuais mapeiam camadas enterradas pela reflexão.
- Deformações minerais indicam pressões de aproximadamente 10 a 13 gigapascais.
- Microfósseis marinhos restringem a idade dos sedimentos afetados.
- Simulações testam velocidade, direção e comportamento dos detritos.
O registro subterrâneo preserva a violência de um oceano antigo
A cratera de Silverpit foi identificada em 2002, mas a explicação de sua origem permaneceu controversa. A união entre minerais chocados e imagens mais detalhadas oferece evidências muito mais fortes de uma colisão extraterrestre, sem depender apenas do formato circular.
O possível tsunami mostra como impactos relativamente pequenos diante de grandes eventos planetários podem provocar perturbações locais enormes. O caso também evidencia o valor dos sedimentos marinhos: mesmo enterrados durante milhões de anos, eles preservam informações sobre catástrofes antigas.
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