Uma floresta acompanhada por 30 anos produziu árvores enormes depois de ser desbastada e recuperou carbono de forma inesperada
Experimento australiano iniciado nos anos 1980 revelou árvores com troncos 20% maiores e uma recuperação surpreendente da biomassa após o desbaste.
Em uma floresta de eucaliptos de Victoria, na Austrália, um experimento iniciado no fim dos anos 1980 revelou árvores muito maiores após o desbaste. Trinta anos depois, as áreas com retenção parcial haviam recuperado a biomassa removida e se aproximado das parcelas intactas em armazenamento de carbono na vegetação acima do solo.
Como foi conduzido o experimento australiano?
Em Tanjil Bren, pesquisadores testaram diferentes formas de manejo de Eucalyptus regnans, espécie conhecida como eucalipto-gigante. Entre 1988 e 1990, abriram clareiras, realizaram cortes mais extensos e preservaram 30% ou 50% do estrato superior de árvores em outras áreas. Parcelas sem intervenção serviram de controle.
Décadas depois, a equipe da Universidade de Melbourne avaliou 53 parcelas experimentais. Os resultados, publicados em 2026 na revista Forest Science, permitiram comparar não apenas a regeneração inicial, mas a estrutura adquirida pela floresta ao longo do tempo. O monitoramento inicial foi interrompido por muitos anos, antes das novas medições de 2019.

O que aconteceu com as árvores após o desbaste?
Nas parcelas de retenção parcial, a menor competição por recursos favoreceu o crescimento das árvores preservadas. A diferença apareceu sobretudo no diâmetro dos troncos e no desenvolvimento das copas.
- Alguns troncos ultrapassaram 1,5 metro de diâmetro.
- As maiores árvores tinham cerca de 20% mais diâmetro que as do controle.
- Copas puderam se expandir lateralmente com mais espaço disponível.
- Tamanhos variados tornaram a estrutura da floresta menos uniforme.
Como os diferentes tipos de corte mudaram a floresta?
As intervenções produziram paisagens distintas após três décadas. O tamanho das aberturas e a quantidade de árvores adultas mantidas influenciaram o resultado.
Como a floresta recuperou carbono mesmo após a retirada de árvores?
O crescimento acelerado das árvores restantes ajudou a repor a madeira retirada. Nos tratamentos com retenção parcial, a biomassa acima do solo recuperou a biomassa retirada e grande parte do crescimento adicional observado nas parcelas sem corte, conforme o relato dos pesquisadores.

Recuperação de biomassa não significa impacto climático zero. O resultado não contabiliza automaticamente todas as emissões da exploração, o destino da madeira extraída ou as mudanças no carbono do solo. O balanço completo exige uma avaliação mais ampla.
Quais limites impedem aplicar esse resultado em qualquer floresta?
O experimento ocorreu em uma floresta úmida e produtiva, regenerada após um incêndio em 1939. As respostas dependem da espécie, das condições locais e do tipo de intervenção.
- Outras espécies podem crescer mais lentamente após o desbaste.
- Água e nutrientes disponíveis influenciam o ganho de biomassa.
- Não houve grandes incêndios registrados durante o acompanhamento.
- Efeitos sobre fauna e solo exigem análise própria.
O manejo florestal exige olhar além do tamanho das árvores
A experiência australiana indica que preservar parte das árvores adultas durante uma intervenção pode acelerar o surgimento de grandes troncos e permitir expressiva recuperação de biomassa. Isso não torna qualquer corte benéfico para o clima ou para a biodiversidade.
O principal aprendizado está na observação prolongada: diferentes técnicas produziram florestas distintas após três décadas. Decisões de manejo precisam considerar também a conservação das espécies, o risco de incêndios e o carbono armazenado em todo o sistema.
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