Um mapa do Ártico mostra que o gelo restante está ficando mais jovem e fino mesmo quando a perda de verão parece desacelerar
Satélites revelam por que a estabilidade recente da extensão no verão não compensa o desaparecimento das placas antigas e espessas.
Os mapas de satélite do Ártico revelam uma diferença decisiva: a cobertura de gelo marinho não conta toda a história. Embora a área mínima registrada em setembro tenha variado relativamente pouco nos últimos anos, grande parte do gelo antigo desapareceu. A camada que resta é, em média, mais jovem e fina, portanto mais vulnerável ao derretimento.
Como os satélites identificam as mudanças no gelo do Ártico?
Desde o fim de 1978, sensores de micro-ondas acompanham a distribuição do gelo marinho, inclusive através das nuvens. A sequência de mapas da NASA compara o mínimo de setembro ao máximo do março seguinte, desde 1990. Em setembro de 2026, a extensão mínima foi estimada em 4,6 milhões de km².
A extensão considera regiões com pelo menos 15% de cobertura de gelo. Já sua idade é estimada acompanhando o deslocamento das placas e verificando quantas temporadas de derretimento elas sobreviveram. Para avaliar a espessura, cientistas recorrem também a medições específicas de satélites.

Quais sinais mostram que o gelo marinho está mais jovem?
O relatório de 2025 da NOAA revela uma transformação na composição da cobertura congelada. O gelo que resiste a vários verões ocupa hoje uma parcela muito menor do Ártico.
- O gelo formado no inverno anterior passou a predominar.
- O gelo multianual concentra-se próximo à Groenlândia e ao arquipélago canadense.
- Em setembro de 2025, restaram 95 mil km² de gelo com mais de quatro anos.
- Essa categoria perdeu 95% de sua extensão média de 1985 a 2004.
Qual é a diferença entre extensão, idade e espessura?
As três medidas não são equivalentes. Uma área relativamente estável pode esconder a substituição de placas antigas por gelo recém-formado, com menor espessura e volume.
Por que a perda de gelo no verão parece ter desacelerado?
Depois das quedas acentuadas de 2007 e 2012, os mínimos de setembro oscilaram em uma faixa relativamente estável. O Met Office descreveu em outubro de 2026 uma pausa na queda da extensão nessa época do ano, não uma recuperação aos níveis anteriores.

Mais nuvens podem reduzir a energia solar que alcança o oceano, enquanto ventos, tempestades e temperaturas modificam a perda anual. Essas oscilações meteorológicas ajudam a explicar a aparente estabilização, mas não restauram o gelo antigo desaparecido nem encerram o aquecimento regional.
Por que o gelo jovem resiste menos ao verão?
O gelo de primeiro ano costuma ser mais fino porque ainda não atravessou sucessivos invernos de crescimento. Isso aumenta sua sensibilidade às condições do tempo e do oceano.
- Camadas finas exigem menos energia para derreter completamente.
- Ventos e tempestades podem deslocar e fragmentar as placas.
- A água escura exposta absorve mais luz solar.
- Menos gelo sobrevivente reduz a base para o inverno seguinte.
A estabilidade recente da área não representa recuperação do Ártico
Mesmo quando o mínimo de setembro varia pouco entre anos, a perda de gelo multianual indica uma cobertura estruturalmente diferente daquela observada nas décadas de 1980 e 1990. A espessura e o volume também importam para avaliar essa transformação.
Os últimos 20 verões, de 2007 a 2026, concentraram os 20 menores mínimos da série de satélites. A aparente pausa na extensão não apaga essa mudança: o Ártico continua com menos gelo duradouro para enfrentar os verões futuros.
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