Noronha já tirou mais de 1.200 peixes-leão do mar, e o maior já registrado no mundo, de 49 cm, saiu de lá
Invasor e peçonhento, o peixe chegou ao arquipélago em 2020 e não tem predador natural conhecido no Brasil; uma única operação capturou 140.
Fernando de Noronha já removeu do mar mais de 1.200 peixes-leão desde o início do manejo da espécie invasora, segundo balanço do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) publicado em 12 de março de 2025. É a contagem oficial mais recente divulgada pelo órgão.
No mesmo comunicado, o ICMBio informou que o arquipélago guarda um recorde mundial: o maior peixe-leão já registrado, com 49 centímetros. O animal foi capturado em 27 de fevereiro de 2025, dentro do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha.
O peixe-leão recorde de Noronha
A captura foi feita pelo mergulhador Fernando Rodrigues, da operadora Sea Paradise, parceira do ICMBio no controle da espécie. Os recordes anteriores citados pelo instituto eram de 45,7 cm, na Venezuela, e de 47,4 cm, nos Estados Unidos.

O tamanho chama atenção porque um peixe maior come mais e se reproduz mais. Segundo o comunicado do ICMBio sobre o exemplar de 49 cm, um peixe-leão pode devorar até 20 peixes em 30 minutos e liberar até 30 mil ovos de uma vez.
Como a espécie chegou ao arquipélago
Originário dos oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2014, no litoral do Rio de Janeiro, de acordo com o ICMBio e a Revista Pesquisa Fapesp. Em Noronha, o registro oficial veio em 2020.
Desde então, a presença só cresceu. A Revista Pesquisa Fapesp relatou que, em agosto de 2024, menos de 50 exemplares haviam sido capturados numa expedição ao arquipélago, enquanto em quatro dias de abril de 2025 foram retirados 114.
A espécie é peçonhenta, com toxina nos espinhos das nadadeiras, e quem se ferir deve procurar atendimento médico. O O Antagonista já mostrou como o peixe ornamental virou um invasor venenoso em vários mares.
Sem predador natural conhecido no Brasil
Em seu habitat de origem, tubarões, garoupas, moreias e barracudas eventualmente comem o peixe-leão. Na costa brasileira, ainda não há predadores conhecidos, segundo a reportagem da Revista Pesquisa Fapesp sobre a invasão. No Caribe, tentativas de ensinar tubarões a caçá-lo não deram certo.
O avanço foi medido em estudo de M. O. Soares e colegas, publicado em 2025 no periódico Marine Environmental Research (volume 208) com o título “Invasive lionfish spread through Southwestern Atlantic marine protected areas”. Os pesquisadores encontraram a espécie em 18 unidades de conservação marinhas, ao longo de cerca de 4 mil km de costa, e estimam que outras 25 podem ser invadidas em dez anos.
Sem um inimigo natural, a retirada manual é a principal ferramenta. O avanço pelo litoral também foi tema de reportagem sobre o invasor que já ameaça a costa brasileira.
Mergulhos de captura do peixe-leão
O controle em Noronha é feito em mergulhos com arpão por equipes parceiras do ICMBio. A maior operação divulgada aconteceu em 22 de dezembro de 2024, quando mergulhadores da Sea Paradise retiraram 140 peixes-leão em quatro pontos, três no parque nacional e um na Área de Proteção Ambiental, segundo nota do ICMBio Noronha repercutida pelo Terra e pelo DOL.
Os exemplares daquele dia mediam entre 10 cm e 45 cm. Em 9 de março de 2025, a mesma operadora capturou 61 peixes num único mergulho, informou o ICMBio.
O trabalho continua com pesquisa. Segundo o Diário do Nordeste, o ICMBio e o Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará programaram expedições a Noronha de 18 a 22 de maio de 2026 e a Jericoacoara de 14 a 24 de junho de 2026 para estudar e conter a espécie.
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