Lavar frango cru antes de temperar leva bactérias até a salada, mostrou teste do governo dos EUA
No estudo do USDA de 2019, 60% de quem enxaguou a ave sujou a pia; a orientação é preparar a salada antes e esfregar as mãos com sabão por 20 segundos.
Passar o frango cru debaixo da torneira antes de temperar parece cuidado, mas espalha bactérias pela cozinha. Num teste do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado em agosto de 2019, 26% dos participantes que lavaram a ave levaram bactérias dela para a alface da salada.
O mesmo estudo mostrou que 60% de quem decidiu lavar ou enxaguar o frango ficou com a pia contaminada, segundo o comunicado oficial do USDA sobre o teste de cozinha. Por isso a orientação do órgão é direta: não lavar a carne crua, preparar a salada antes e lavar bem as mãos.
Como foi o teste do governo americano
Os voluntários prepararam uma refeição com coxas de frango e salada numa cozinha de teste, filmados do começo ao fim. Segundo a reportagem da Consumer Reports sobre o estudo, foram cerca de 300 pessoas, todas com o hábito de lavar o frango em casa.

Os pesquisadores aplicaram na carne uma bactéria inofensiva que se comporta como a Salmonella, o que permitiu rastrear por onde ela passava, de acordo com a Consumer Reports. Depois, coletaram amostras da pia, das superfícies e da salada.
O resultado da pia chamou atenção do USDA: 60% de quem lavou a ave ficou com bactérias na cuba. Mesmo depois de limpar, 14% ainda tinham contaminação ali, segundo o comunicado do órgão.
Lavar frango cru não elimina a bactéria
A água da torneira não mata os germes da carne. Ela espalha gotículas pela pia, pela bancada e pelos alimentos ao redor, que muitas vezes vão crus para o prato.
O USDA também afirma que enxaguar, deixar de molho em água com sal, vinagre ou suco de limão não destrói as bactérias. O tempero pode mudar o sabor, mas não deixa a ave mais segura.
O guia do CDC sobre frango e intoxicação alimentar lembra que a carne crua pode trazer Campylobacter, Salmonella ou Clostridium perfringens. Segundo o órgão americano de saúde, 1 em cada 25 embalagens de frango vendidas no mercado tem Salmonella, e cerca de 1 milhão de pessoas adoecem por ano nos Estados Unidos depois de comer aves contaminadas.
Quem não lavou também contaminou a salada
O teste trouxe um dado que pouca gente espera. Entre os participantes que não lavaram o frango, 31% também levaram bactérias para a alface, segundo o USDA.
A explicação do órgão está nas mãos e nos utensílios. Lavar as mãos de forma incompleta e usar a mesma pia ou a mesma tábua para tudo bastou para levar a contaminação adiante.
Ou seja, deixar de lavar a ave ajuda, mas não resolve sozinho. A higiene das mãos e a ordem do preparo pesam tanto quanto a torneira fechada.
A ordem certa na cozinha
As recomendações do USDA e do CDC para quem vai preparar frango em casa são estas:
- Prepare primeiro o que vai cru para a mesa, como salada e legumes, e só depois mexa na carne.
- Use uma tábua para carne crua e outra para vegetais e alimentos já cozidos.
- Lave as mãos logo depois de tocar no frango, esfregando com sabão por 20 segundos.
- Limpe com água quente e sabão, e depois higienize, tudo o que encostou na carne ou no caldo dela.
- Cozinhe o frango até 165 °F por dentro, cerca de 74 °C, conferindo com termômetro de cozinha, como orienta o CDC.
Para quem quer reforçar a limpeza da casa, vale olhar os pontos da casa que juntam mais bactérias do que o banheiro, e a pia da cozinha costuma estar entre eles. Outra leitura útil é a lista de alimentos considerados mais arriscados pela segurança alimentar.
Se depois de uma refeição aparecerem diarreia, febre, vômito ou cólicas fortes, procure um médico ou uma unidade de saúde, principalmente no caso de crianças, idosos e gestantes.
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