Flávio contou com ajuda de ex-agente do Mossad para deixar o país?
Segundo a CNN Brasil, o ex-integrante do serviço de inteligência israelense acompanhou o senador na travessia terrestre até a Argentina
O plano de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rumo aos Estados Unidos, após o segundo turno das eleições, contou com a participação de um ex-agente israelense naturalizado norte-americano que já trabalhou no Mossad, a agência de inteligência de Israel.
Segundo a CNN Brasil, o homem chegou ao país em 19 de outubro e acompanhou Flávio de Brasília até a Argentina, onde o senador contou com a ajuda do governo de Javier Milei.
Flávio deixou o Brasil por via terrestre, rumo à Argentina, em duas vans, acompanhado da esposa e das duas filhas.
Órgãos brasileiros identificaram as placas TBB 4A65 e FDF 8F91 dos veículos, que cruzaram a Ponte Tancredo Neves na terça-feira, 27. A ponte liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, sobre o Rio Iguaçu. A travessia foi registrada por câmeras de segurança.
Os motoristas das vans não precisaram apresentar passaporte para entrar no país vizinho. Um deles é ex-vereador em Foz do Iguaçu e transportou Flávio. O outro, filho do primeiro, levou separadamente a esposa do senador e as duas filhas.
O ex-agente do Mossad estava na van com Flávio no momento em que cruzaram a fronteira.
De Puerto Iguazú, a família Bolsonaro embarcou em um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina de fretamento aéreo Baires Fly. A aeronave fez uma parada para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, e pousou no aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida, por volta das 10h30.
Apoio argentino?
Segundo o jornal argentino Clarín, Javier Milei, aliado político da família Bolsonaro, colocou Santiago Caputo, seu assessor de maior confiança, a cargo da operação sigilosa.
“Conforme informou a Direção Nacional de Migrações, ele entrou com a documentação correspondente, em dia, e saiu em um avião, também nas mesmas condições”, afirmou Santilli.
“Entrou pela imigração, não tinha nenhum impedimento, não havia impedimento da Interpol”, preosseguiu Santilli ao canal argentino El Tres durante uma agenda em Rosario.
“Se um cidadão entra sem nenhuma restrição e sai sem nenhuma restrição… Foi isso que aconteceu. O órgão de imigração autorizou porque não havia impedimento.”
Caputo viajou para Misiones, província onde está localizada a cidade de Puerto Iguazú, no final da tarde de segunda-feira, 26.
“Ele passou a noite no hotel Meliá, em Puerto Iguazú, mantendo contato constante com a família Bolsonaro; seu foco principal, contudo, era garantir a saída do ex-candidato à presidência do Brasil por via aérea. Para isso, mobilizaram-se agentes da Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE), do órgão de Imigração, da Polícia de Segurança Aeroportuária e até da Entidade Binacional Yacyretá — contando, inclusive, com a participação de um misterioso ex-agente da agência antidrogas dos EUA, a DEA”, afirmou o jornal.
O Clarín diz que foi Caputo quem providenciou o jato da empresa Baires Fly SA, que ficou de prontidão no aeroporto de Iguazú para retirar Flávio e sua família da Argentina.
O portal de monitoramento aéreo Flightradar24 mostra que a aeronave partiu de Buenos Aires para Puerto Iguazú na segunda. Depois disso, não há registros de movimentação da aeronave até a noite de terça.
Durante toda a terça-feira, segue o Clarín, “autoridades daquele país [EUA] endossaram uma mentira que foi divulgada à mídia — alimentada, como sempre, por fontes confiáveis dentro do Departamento de Estado: ‘Bolsonaro está nos Estados Unidos’, noticiou, por exemplo, a agência Reuters. Até mesmo o presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou que seu rival nas eleições havia chegado ao país de Donald Trump”.
Enquanto isso, Flávio e sua família aguardavam instruções da Casa Rosada, por meio de Caputo, para chegar de surpresa ao aeroporto de Iguazú e realizar os trâmites necessários para deixar o país.
O Departamento de Migração da Argentina informou que Flávio, acompanhado de sua mulher Fernanda e de suas duas filhas, deixou o país no fim da noite da terça-feira, 27, rumo a Guayaquil, no Equador, onde a aeronave fez escala.
“A Direção Nacional de Migrações informa que às 22:50 hs do dia 27/10, ingressaram pelo passo fronteiriço da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, os cidadãos Flavio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro, que o fizeram com documentação hábil de viagem sem nenhum impedimento legal para o ingresso no país, as demais os trânsitos foram registrados pela autoridade de aplicação sem incidentes.
Por sua vez, às 23:30 hs, a comitiva ingressante embarcou em um voo privado despachado pela companhia Baires Fly S.A. com destino à cidade de Guayaquil, Equador, conforme informado no plano de voo.”
Em discurso divulgado na quarta-feira, 28, Flávio agradeceu a Milei “pela coragem, senso de justiça e legalidade”.
Leia mais em Crusoé: Governo Milei ajudou Flávio a fugir?
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