Fala de Haddad sobre boicote a empresas volta a repercutir após ação do PT
Em 2023, ministro deu declaração incentivando consumidores a pressionar empresas por suas posições políticas
Uma declaração de Fernando Haddad em defesa do boicote a empresas por razões políticas voltou a repercutir após parlamentares do PT acionarem órgãos de investigação contra listas que identificam comerciantes e trabalhadores como apoiadores de Lula e incentivam boicotes econômicos. Em janeiro de 2023, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o então ministro da Fazenda defendeu que consumidores pressionassem empresas por meio de suas escolhas de compra. Agora, quase quatro anos depois, integrantes de seu partido pedem a investigação de uma estratégia que também recorre à pressão econômica como instrumento de disputa política.
Na ocasião, Haddad mencionou empresas que, segundo ele, haviam se engajado com o governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL). O ministro afirmou que também deixava de consumir produtos de companhias cujas posições considerava inadequadas. “E como consumidores nós temos condição de pressionar”, disse. Em seguida, declarou: “Eu não compro nem um, nem um palito de fósforo de uma empresa que não tenha compromissos com essas questões.”
O princípio da pressão econômica, porém, parece ter ganhado outra interpretação quando passou a ser associado a grupos da direita. Na última terça-feira, 27, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e outros quatro deputados petistas acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) para pedir uma investigação nacional sobre listas que identificam comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores como eleitores de Lula e incentivam consumidores a boicotar seus estabelecimentos, além de mensagens que estimulam demissões e rompimento de relações comerciais.
O documento aponta que os materiais circularam em municípios de pelo menos oito estados e pede que as autoridades investiguem uma possível coordenação na produção e distribuição das listas. A representação também menciona uma publicação atribuída ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), com a mensagem: “Desafio lançado: coloque a bandeira do PT no seu estabelecimento”. Os parlamentares pedem apuração de uma possível relação entre a postagem e as campanhas, mas não apresentam comprovação de que o deputado tenha organizado a divulgação das listas.
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