Uma cratera de 40 metros surgiu no meio da taiga e quase 1 milhão de toneladas de rocha ainda alimentam um mistério geológico de décadas
Estrutura circular na Sibéria desafia geólogos há décadas, enquanto estudos apontam para gases e fluidos subterrâneos como possível origem
No interior da Sibéria, uma montanha circular de rochas quebradas se destaca entre as árvores da taiga russa. A Cratera de Patom possui aproximadamente 40 metros de altura, 160 metros de diâmetro e uma massa estimada em quase 1 milhão de toneladas. Durante décadas, sua origem foi atribuída a meteoritos, vulcanismo e explosões subterrâneas, mas as evidências mais fortes apontam para processos geológicos internos.
Por que a Cratera de Patom parece uma formação impossível no meio da floresta?
Localizada no planalto de Patom, na região russa de Irkutsk, a estrutura apresenta um cone de fragmentos rochosos, uma depressão circular no topo e uma elevação menor em seu centro. O conjunto lembra uma cratera de impacto, embora tenha sido construído principalmente pelo acúmulo de rochas deslocadas.
O geólogo Vadim Kolpakov documentou a formação em 1949, despertando o interesse de pesquisadores soviéticos. Conhecida também como Cone de Kolpakov, ela impressiona pelo contraste entre o calcário claro e a vegetação escura da encosta onde está localizada.
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Como quase 1 milhão de toneladas de rocha foram parar naquela posição?
A formação reúne fragmentos de calcário e outras rochas sedimentares antigas, distribuídos em anéis que não parecem ter surgido simultaneamente. A organização sugere sucessivas etapas de deslocamento, com materiais sendo elevados e acumulados ao redor de uma região central.
Uma explicação considerada plausível envolve gases e fluidos subterrâneos sob pressão, capazes de fraturar e movimentar as rochas. Entretanto, ainda existem dúvidas sobre a origem exata dessa pressão, a participação da água e a sequência dos episódios responsáveis pelo relevo.
As investigações estabeleceram cinco características importantes:
- O cone alcança aproximadamente 40 metros de altura;
- Sua base mede cerca de 160 metros de diâmetro;
- A estrutura contém predominantemente calcários fragmentados;
- Os anéis apresentam diferentes fases de formação;
- Não foram identificadas evidências convincentes de material meteorítico.
O vídeo The Geologic Formation We Can’t Explain; Patomskiy Crater, do canal científico GeologyHub, publicado em janeiro de 2025, examina as hipóteses de impacto, vulcanismo e atividade hidrotermal diretamente relacionadas à formação.
Por que a hipótese de impacto de meteorito perdeu força entre os geólogos?
A aparência circular alimentou a possibilidade de uma colisão extraterrestre. Também surgiu a ideia de que um fragmento do objeto associado ao evento de Tunguska, ocorrido em 1908, poderia ter produzido a estrutura. Essas explicações, porém, enfrentaram dificuldades diante das análises geológicas.
As expedições não identificaram assinaturas geoquímicas de material meteorítico nem evidências convincentes de choque extremo nas rochas. Além disso, estudos dos anéis de crescimento das árvores indicaram que a formação começou muito antes de 1908, enfraquecendo a ligação com Tunguska.
Quais evidências científicas sustentam uma origem subterrânea para a Cratera de Patom?
Um estudo publicado em Doklady Earth Sciences, em 2008, por V. S. Antipin e colaboradores, examinou a composição química, a distribuição das rochas e as diferentes zonas do cone. Os resultados favoreceram processos internos associados à circulação profunda de gases e fluidos.
Levantamentos gravimétricos posteriores identificaram anomalias de densidade que se prolongam abaixo da estrutura. Esse comportamento difere daquele observado em algumas crateras de impacto conhecidas, fortalecendo a interpretação de que materiais foram deslocados por processos originados no subsolo.

O que as árvores revelaram sobre a idade e a formação da estrutura?
A dendrocronologia, técnica que examina anéis de crescimento das árvores, forneceu indícios sobre diferentes etapas de atividade. Alguns estudos apontaram uma história com pelo menos três séculos, enquanto outras interpretações sugerem idades maiores, próximas de cinco ou seis séculos.
As diferenças refletem os materiais analisados e as etapas consideradas. Uma árvore que começou a crescer sobre determinada parte do cone estabelece uma idade mínima para aquela superfície, mas não necessariamente para toda a formação. Assim, a cronologia completa continua sujeita a refinamentos.
| Explicação proposta | O que indicam as evidências |
|---|---|
| Impacto de meteorito | Sem confirmação mineralógica ou geoquímica |
| Vulcanismo magmático direto | Ausência de lava típica no cone |
| Gases e fluidos profundos | Compatível com dados geológicos e geoquímicos |
| Explosão freática | Hipótese para explicar a fragmentação e expulsão de rochas |
Por que a Cratera de Patom ainda representa um mistério geológico?
A principal questão deixou de ser apenas identificar se um meteorito atingiu a região. Agora, pesquisadores procuram compreender como fluidos subterrâneos teriam produzido uma estrutura tão organizada, com anéis sucessivos e um montículo central, sem deixar sinais típicos de vulcanismo superficial.
Uma revisão científica publicada em 2025 demonstra que a discussão permanece ativa. Novas investigações geofísicas, análises minerais e modelos de pressão subterrânea poderão ajudar a reconstruir os acontecimentos. Embora a origem endógena seja favorecida, ainda não existe uma descrição definitiva de todas as etapas responsáveis pelo cone.
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