O camarão-louva-a-deus tem pigmentos que mudam de estado com a luz e ampliam sua visão até perto do infravermelho
Estudo de 17 rodopsinas revela proteínas que alternam reversivelmente de estado e filtros naturais capazes de ampliar a detecção da luz vermelha
O camarão-louva-a-deus possui pigmentos visuais capazes de mudar reversivelmente de estado quando recebem luz de diferentes cores. Um estudo publicado em outubro de 2026 analisou 17 rodopsinas e revelou que, combinadas com filtros naturais, elas permitem detectar comprimentos de onda de até aproximadamente 687 nanômetros, próximos do limite vermelho da visão humana.
Por que os olhos do camarão-louva-a-deus conseguem detectar tantas cores?
O camarão-louva-a-deus possui um dos sistemas visuais mais especializados do reino animal. Seus olhos móveis apresentam diferentes regiões, incluindo uma faixa central composta por seis fileiras de unidades chamadas omatídios, responsáveis por funções específicas de percepção luminosa.
Na espécie Neogonodactylus oerstedii, estudada pelos pesquisadores, existem pelo menos 12 classes de fotorreceptores associadas à detecção de diferentes comprimentos de onda. Essa diversidade supera a dos três tipos de cones responsáveis pela visão colorida humana, embora não signifique necessariamente uma discriminação superior entre cores semelhantes.
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O que os cientistas descobriram ao analisar 17 pigmentos visuais?
A equipe examinou 17 rodopsinas, proteínas sensíveis à luz encontradas principalmente na faixa central dos olhos. Três delas apresentaram absorção máxima acima de 600 nanômetros, demonstrando uma capacidade incomum de detectar luz na região do vermelho distante.
Outra descoberta envolveu pigmentos biestáveis. Diferentemente de proteínas que precisam passar por etapas adicionais para recuperar seu estado inicial, algumas dessas rodopsinas podem alternar entre duas configurações quando iluminadas com diferentes comprimentos de onda.
Os resultados destacaram cinco características:
- Dezessete rodopsinas foram caracterizadas experimentalmente;
- Três apresentaram absorção máxima acima de 600 nanômetros;
- Algumas proteínas responderam reversivelmente a cores diferentes;
- Filtros carotenoides modificaram a sensibilidade dos receptores;
- Uma combinação alcançou sensibilidade máxima próxima de 687 nanômetros.
O vídeo How Animals See, do canal educativo CrashCourse, explica a diversidade dos sistemas visuais e dedica parte de sua apresentação aos olhos do camarão-louva-a-deus, incluindo seus receptores especializados em cores.
Como os pigmentos biestáveis conseguem mudar de estado com a luz?
As rodopsinas contêm uma molécula chamada retinal, cuja estrutura muda quando absorve fótons. Essa transformação modifica a proteína e permite iniciar sinais químicos posteriormente interpretados pelo sistema nervoso.
Em determinadas rodopsinas do camarão-louva-a-deus, outra cor de luz consegue reverter a transformação. Os pesquisadores identificaram mecanismos relacionados às interações moleculares próximas ao retinal, incluindo ligações de hidrogênio que influenciam a absorção luminosa em cada estado.
Como a pesquisa comprovou essas propriedades extraordinárias?
O estudo publicado na revista Science Advances, em 14 de outubro de 2026, foi desenvolvido por Camille Brouillon, Alina Pushkarev, Marjorie Liénard e colaboradores de instituições internacionais, incluindo universidades da Alemanha e dos Estados Unidos.
Os pesquisadores produziram as proteínas em sistemas celulares experimentais e mediram sua absorção luminosa, sinalização química e reversibilidade. Também utilizaram modelos moleculares e dados sobre filtros naturais para estimar como diferentes rodopsinas contribuem para a sensibilidade dos olhos.

Por que o camarão-louva-a-deus consegue detectar luz próxima do infravermelho?
A sensibilidade ao vermelho distante resulta da combinação entre rodopsinas especializadas e filtros carotenoides. Esses filtros absorvem parte da luz de menor comprimento de onda, permitindo que determinadas regiões dos fotorreceptores respondam preferencialmente à luz vermelha.
Na terceira fileira da faixa central, a filtragem deslocou a sensibilidade máxima estimada de uma rodopsina para aproximadamente 687 nanômetros. O ganho em seletividade, entretanto, veio acompanhado de redução na quantidade de luz aproveitada, evidenciando uma troca entre precisão espectral e sensibilidade.
| Componente visual | Característica identificada |
|---|---|
| Rodopsinas analisadas | 17 proteínas |
| Pigmentos vermelhos | Três com absorção acima de 600 nm |
| Pigmentos biestáveis | Alternância reversível pela luz |
| Filtros carotenoides | Sensibilidade máxima até 687 nm |
O que essa descoberta poderá revelar sobre a evolução da visão animal?
Os resultados mostram como modificações relativamente pequenas em proteínas e filtros naturais podem produzir sistemas visuais altamente especializados. Essa combinação talvez ajude o camarão-louva-a-deus a reconhecer sinais luminosos usados na comunicação e na identificação de outros animais.
Entretanto, a pesquisa não demonstrou diretamente como esses sinais influenciam o comportamento na natureza. Também é importante distinguir o vermelho distante do infravermelho propriamente dito: 687 nanômetros ainda pertence à extremidade vermelha do espectro visível. As propriedades das rodopsinas poderão inspirar sensores ópticos e tecnologias de optogenética, mas essas aplicações permanecem em investigação.
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