PL ensaia reaproximação com Motta em meio a impasse sobre voto distrital
Ala do partido defende retomar diálogo com presidente da Câmara, apesar da resistência à proposta que pode reduzir a força dos votos
A disputa pela presidência da Câmara em 2027 começa a abrir espaço para uma possível reaproximação entre Hugo Motta (Republicanos-PB) e o PL. Apesar da resistência de parte da legenda à reeleição do atual presidente, uma ala do partido defende retomar o diálogo com Motta para evitar que a maior bancada da Casa fique isolada na distribuição dos principais cargos do Legislativo.
O movimento ocorre depois de o presidente da Câmara avançar na formação de um bloco de apoio à sua recondução. Segundo informações publicadas pela imprensa nesta semana, a articulação reúne 13 partidos e mais de 300 deputados, o que amplia o poder de negociação de Motta e reduz a influência do PL nas conversas sobre a composição da próxima Mesa Diretora.
O PL, que terá 121 deputados na próxima legislatura, tentou encontrar uma alternativa a Motta dentro do Republicanos. A iniciativa, porém, não avançou: os nomes sondados para uma eventual candidatura alternativa não aderiram à movimentação. A legenda também enfrenta dificuldades para construir uma articulação capaz de rivalizar com o bloco formado pelo atual presidente da Câmara.
A possível reaproximação ganhou força depois que o PL passou a avaliar que ficar fora do bloco pode custar caro à legenda. Integrantes do partido consideram que, sem uma composição com Motta, a bancada pode perder posições na ordem de preferência para a escolha das comissões. A sigla ainda poderia presidir colegiados, mas teria de se contentar com espaços menos estratégicos.
É justamente nesse cenário que a negociação por cargos ganha importância. Motta pode oferecer ao PL participação na composição da Mesa Diretora e espaço em comissões relevantes, enquanto o partido teria de avaliar se vale a pena abandonar a resistência à recondução do presidente da Câmara. Entre os colegiados de interesse da legenda estão a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a Comissão de Relações Exteriores.
O presidente da Câmara, por sua vez, também precisa administrar a presença do PL na articulação. Integrantes da legenda defendem uma composição com Motta, enquanto o presidente da Câmara estaria disposto a ouvir as demandas do partido. Ainda não há, porém, um acordo fechado entre as partes.
Resistência ao voto distrital misto
A negociação também ocorre em meio a outro ponto de atrito entre Motta e o PL: a proposta de reforma eleitoral que prevê a adoção do voto distrital misto. O presidente da Câmara definiu com partidos do Centrão a intenção de votar uma PEC sobre o tema ainda neste ano, com transição a partir de 2030 e implementação prevista para 2034.
O modelo pode reduzir a influência dos chamados puxadores de votos, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que ultrapassaram a marca de 3 milhões de votos cada um nas eleições deste ano. A mudança é vista como uma ameaça à estratégia eleitoral de partidos que dependem de candidaturas com grande votação individual para ampliar suas bancadas.
Na quinta-feira, 29, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), reafirmou a resistência da bancada à proposta. Em declaração nas redes sociais, afirmou:
“Como líder da oposição na Câmara dos Deputados, depois de ouvir a bancada que lideramos, somos contrários à mudança da legislação eleitoral sobre o voto distrital misto”.
A eventual aproximação com Motta, portanto, não significa que o PL tenha abandonado suas divergências com a agenda do presidente da Câmara. O partido terá de decidir se mantém o confronto político ou se negocia sua entrada no bloco para preservar influência na próxima legislatura.
Até o momento, não há indicação de um acordo fechado nem de uma oferta formal de cargos. O que existe é uma movimentação de setores do PL para reabrir o diálogo, enquanto Motta amplia sua base de apoio e fortalece sua posição na disputa pela presidência da Câmara, marcada para fevereiro de 2027.
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