Uma tempestade solar elevou em 46% a radiação de um voo transatlântico e balões registraram níveis ainda maiores acima das rotas comerciais
Sensores em aviões, balões e estações terrestres revelam como a tempestade solar de novembro de 2025 afetou a radiação em diferentes altitudes
Uma tempestade solar ocorrida em 11 de novembro de 2025 aumentou a exposição à radiação em um voo entre Londres e Nova York. A Universidade de Surrey divulgou uma elevação de aproximadamente 46%, enquanto o estudo científico calculou 42,6% acima das condições habituais. Sensores em aviões, balões e estações terrestres revelaram diferenças importantes conforme a altitude e a localização.
Por que a tempestade solar de novembro de 2025 alcançou a atmosfera terrestre?
O episódio começou com uma erupção solar de classe X5, capaz de acelerar partículas carregadas a energias extremamente elevadas. Parte dessas partículas atravessou as defesas magnéticas terrestres e produziu uma elevação detectável da radiação atmosférica, inclusive em instrumentos instalados no solo.
O fenômeno recebeu a identificação GLE 77, sigla utilizada para eventos de aumento de partículas detectadas ao nível do solo. Embora a atmosfera absorva grande parte da radiação incidente, aeronaves em altitudes elevadas ficam menos protegidas, principalmente nas regiões próximas aos polos magnéticos.
Leia também: Mais de mil sítios arqueológicos aparecem dentro deste parque brasileiro e 204 deles podem ser visitados pelo público
O que os instrumentos registraram durante a tempestade solar?
A equipe analisou dois voos transatlânticos que partiram de Londres em horários diferentes. O primeiro, com destino ao aeroporto John F. Kennedy, decolou às 11h45 UTC e atravessou condições de radiação intensificada. O segundo, destinado a Newark, partiu às 17h45 UTC e não apresentou aumento significativo.
Simultaneamente, balões meteorológicos lançados do Reino Unido e dos Países Baixos transportaram instrumentos até regiões muito superiores às rotas comerciais. As medições mostraram que a intensidade da radiação variava bastante entre localidades e níveis atmosféricos.
Os registros revelaram cinco diferenças importantes:
- O evento começou por volta das 10h20 UTC;
- O primeiro voo apresentou aumento de 42,6% na exposição acumulada;
- O segundo não registrou elevação significativa;
- Balões sobre Shetland detectaram valores acima de limites de aviso;
- A radiação atingiu níveis mais elevados em altitudes de voo supersônico.
O vídeo Extreme solar flare on November 11, 2025 mostra a atividade solar registrada naquela data e contextualiza a erupção de classe X5 associada ao episódio.
Como a radiação solar consegue atingir passageiros dentro dos aviões?
Partículas solares muito energéticas colidem com átomos presentes na atmosfera, produzindo cascatas de partículas secundárias. Entre elas estão nêutrons e outras partículas capazes de atravessar materiais e contribuir para a dose de radiação recebida pelos ocupantes de aeronaves.
A intensidade depende da altitude, latitude, duração do voo e características do evento solar. O campo magnético terrestre oferece proteção variável, permitindo que regiões polares apresentem exposições mais elevadas durante determinados episódios de atividade solar.
Como os cientistas combinaram medições terrestres, aéreas e atmosféricas?
O estudo publicado na revista Space Weather, em outubro de 2026, foi liderado por F. Baird e colaboradores da Universidade de Surrey, em parceria com o serviço meteorológico britânico, instituições neerlandesas e outros pesquisadores.
A investigação reuniu monitores de nêutrons terrestres, detectores instalados em aeronaves comerciais e sensores transportados por radiossondas. Essa combinação permitiu comparar medições diretas em diferentes altitudes, fornecendo um conjunto de observações especialmente útil para testar modelos de previsão da radiação.

Por que os balões registraram níveis maiores que os voos comerciais?
Os balões lançados de Lerwick, nas ilhas Shetland, alcançaram regiões onde a radiação ultrapassou o limite moderado de aviso da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), em altitudes utilizadas por determinados jatos executivos.
Em níveis ainda mais elevados, associados a voos supersônicos, os instrumentos superaram o limite de aviso severo. Entretanto, balões lançados de outras localidades não registraram aumentos semelhantes, demonstrando que a distribuição espacial do fenômeno foi bastante desigual.
| Local da medição | Resultado observado |
|---|---|
| Londres–Nova York | 42,6% de aumento na exposição |
| Londres–Newark | Sem aumento significativo |
| Balões sobre Shetland | Limite moderado ultrapassado em altitudes elevadas |
| Altitudes supersônicas | Limite severo ultrapassado |
O que essas medições podem mudar na segurança da aviação?
Os resultados indicam que sistemas de alerta precisam representar melhor as diferenças geográficas e verticais da radiação. Os pesquisadores concluíram que as condições sobre Shetland justificariam um aviso moderado para determinadas altitudes, mas nenhum alerta correspondente foi emitido durante o episódio.
Isso não significa que os passageiros dos voos estudados tenham sofrido danos à saúde. As aeronaves comerciais permaneceram abaixo dos limites de aviso avaliados, e um aumento percentual não equivale automaticamente a risco clínico. A contribuição principal da pesquisa é fornecer dados reais para aperfeiçoar previsões e decisões operacionais em futuros eventos solares.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)