Marcas minúsculas numa mandíbula de Albertosaurus deixaram dois suspeitos improváveis para uma refeição ocorrida há cerca de 70 milhões de anos
Fóssil canadense revela mordidas sem cicatrização e sugere que um pequeno dromeossaurídeo ou um filhote de tiranossaurídeo consumiu a carcaça
Uma mandíbula fossilizada encontrada no Canadá revelou marcas de dentes que podem ter sido produzidas por um pequeno dromeossaurídeo ou por um filhote de Albertosaurus. O animal, que viveu há aproximadamente 70 milhões de anos, provavelmente já estava morto quando serviu de alimento para outro dinossauro carnívoro.
Por que a mandíbula de Albertosaurus chamou a atenção dos paleontólogos?
Em 2022, fragmentos de um crânio foram encontrados nas proximidades de Drumheller, na província canadense de Alberta. O material pertencia a um Albertosaurus sarcophagus imaturo, com aproximadamente seis metros de comprimento e pelo menos oito anos de idade.
Durante a preparação dos fósseis no Royal Tyrrell Museum, pesquisadores identificaram pequenas marcas na mandíbula inferior. A descoberta ganhou importância porque os arranhões apresentavam características compatíveis com dentes serrilhados, sugerindo que outro dinossauro havia se alimentado daquele animal.
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Quais pistas apontaram para um pequeno dinossauro como responsável pelas mordidas?
Os pesquisadores encontraram dois conjuntos de marcas em ossos diferentes da mandíbula. Algumas apresentavam sulcos estreitos e pequenas estriações, características que permitem estimar o espaçamento entre dentes e entre as serrilhas de suas bordas.
A comparação favoreceu um dromeossaurídeo, grupo de dinossauros carnívoros que incluía animais relativamente pequenos e ágeis. Entretanto, um Albertosaurus muito jovem também poderia apresentar dentes com dimensões compatíveis, mantendo aberta a hipótese de canibalismo.
A investigação reuniu cinco pistas importantes:
- Dois conjuntos distintos de marcas preservadas;
- Estriações compatíveis com dentes serrilhados;
- Ausência de sinais de cicatrização óssea;
- Espaçamento dentário favorável a um pequeno carnívoro;
- Localização das marcas em diferentes faces da mandíbula.

Por que as marcas sem cicatrização sugerem alimentação perto da morte?
Quando um animal sobrevive a uma mordida que atinge seus ossos, pode ocorrer remodelação durante a recuperação. No fóssil estudado, os pesquisadores não encontraram evidências desse processo, indicando que as marcas surgiram perto do momento da morte ou posteriormente.
O estado de preservação também oferece informações. Os sulcos possuem bordas bem definidas, sem sinais importantes de ressecamento ósseo. Isso sugere que os dentes entraram em contato com a mandíbula enquanto ainda havia tecidos relativamente frescos ao redor.
Como os cientistas identificaram os possíveis autores das mordidas?
O estudo publicado no Journal of Paleontology, em 7 de outubro de 2026, foi conduzido por Joshua Adam Doyon, Caleb Marshall Brown, François Therrien e Philip John Currie.
A equipe desenvolveu um método para corrigir o efeito do ângulo dos dentes sobre as marcas preservadas. Esse procedimento permitiu estimar melhor o espaçamento dentário original e compará-lo com exemplares conhecidos de diferentes dinossauros carnívoros do Cretáceo Superior.
O que diferencia a hipótese do dromeossaurídeo da possibilidade de canibalismo?
O principal candidato é um pequeno dromeossaurídeo semelhante ao Atrociraptor, conhecido na mesma formação geológica. Seu tamanho reduzido torna mais provável que tenha aproveitado uma carcaça, em vez de enfrentar diretamente um tiranossaurídeo muito maior.
A alternativa envolve um Albertosaurus com menos de dois anos de idade e comprimento estimado próximo de 2,9 metros. Nesse cenário, o animal teria consumido outro indivíduo da própria espécie, embora a hipótese apresente correspondência menos convincente com as marcas.
| Possível responsável | Interpretação | Força da hipótese |
|---|---|---|
| Dromeossaurídeo | Necrófago oportunista | Mais favorecida |
| Albertosaurus filhote | Possível canibalismo | Menos provável |
| Richardoestesia | Outro pequeno terópode | Não totalmente descartada |
| Mais de um indivíduo | Alimentações sucessivas | Possibilidade em aberto |
O que essa descoberta revela sobre os predadores de 70 milhões de anos atrás?
O Albertosaurus ocupava uma posição elevada na cadeia alimentar, mas isso não impedia que seu corpo se tornasse alimento após a morte. A descoberta representa a primeira evidência documentada compatível com um dromeossaurídeo consumindo um tiranossaurídeo.
Entretanto, as marcas não revelam a causa da morte nem permitem determinar quantos animais participaram da alimentação. O estudo demonstra que relações alimentares entre grandes e pequenos carnívoros eram mais complexas do que a simples divisão entre predadores dominantes e presas.
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