Ferrovia de 537,2 km atravessa 18 municípios baianos para ligar uma região de mineração ao futuro Porto Sul, em Ilhéus
Trecho ferroviário entre Caetité e Ilhéus pretende criar um corredor de exportação de minério de ferro e integrar diferentes regiões produtoras da Bahia
A FIOL 1, trecho de 537,2 quilômetros da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, foi planejada para conectar Caetité, no sudoeste baiano, ao futuro Porto Sul, em Ilhéus. O corredor ferroviário atravessa 18 municípios na relação original da ANTT e pretende transformar o transporte de minério de ferro, grãos e outras cargas pelo interior da Bahia.
Por que a FIOL 1 foi planejada para conectar o interior ao litoral?
A região de Caetité concentra importantes reservas de minério de ferro, cuja exploração depende de transporte eficiente até os mercados consumidores. Tradicionalmente, grandes distâncias representam custos elevados, especialmente quando a movimentação de cargas pesadas depende exclusivamente de caminhões.
A ferrovia foi concebida para oferecer uma alternativa logística de grande capacidade. Ao conectar áreas produtoras ao litoral sul baiano, o projeto pretende facilitar exportações e estimular outras atividades econômicas, incluindo agricultura, indústria e serviços associados ao transporte ferroviário.
Leia também: Mais de mil sítios arqueológicos aparecem dentro deste parque brasileiro e 204 deles podem ser visitados pelo público
Por onde passam os trilhos entre Caetité e Ilhéus?
O traçado cruza diferentes paisagens do interior baiano, passando por municípios como Brumado, Tanhaçu, Jequié e Ubaitaba. A relação original da Agência Nacional de Transportes Terrestres identifica 18 municípios, embora documentos posteriores também mencionem 19, conforme a atualização do percurso.
A construção foi dividida em lotes para facilitar a execução de terraplenagem, pontes, túneis e assentamento de trilhos. Em determinadas regiões, as obras precisam superar elevações e cursos d’água, exigindo estruturas específicas para garantir estabilidade e segurança operacional.
Entre os pontos fundamentais do corredor estão:
- Caetité, próximo às áreas de extração mineral;
- Brumado, previsto para receber infraestrutura ferroviária de apoio;
- Jequié, região com obras de engenharia importantes;
- Ubaitaba, situada no percurso em direção ao litoral;
- Ilhéus, destino da ligação ferroviária com o futuro Porto Sul.
O vídeo Ferrovia de Integração Oeste-Leste | FIOL no sul da Bahia, divulgado pela Valec, mostra o traçado Ilhéus–Caetité e explica a integração ferroviária e portuária prevista para o empreendimento.
Como a FIOL 1 deverá transportar milhões de toneladas de minério?
O funcionamento previsto começa nas instalações de carregamento próximas às áreas produtoras. O minério será colocado em vagões apropriados e transportado por locomotivas até os terminais portuários, onde equipamentos especializados permitirão sua transferência para navios.
A operação utilizará bitola larga de 1,60 metro, permitindo composições destinadas ao transporte de grandes volumes. A capacidade projetada alcança até 60 milhões de toneladas anuais, mas esse número representa o potencial da infraestrutura, não uma movimentação já realizada.
Quem assumiu a construção e a operação do trecho ferroviário?
A Agência Nacional de Transportes Terrestres registra a extensão oficial de 537,2 quilômetros e o início da subconcessão em 3 de setembro de 2021. A Bahia Mineração, conhecida como Bamin, venceu o leilão realizado naquele ano e assumiu obrigações de conclusão e operação.
O contrato possui duração de 35 anos e prevê investimentos na infraestrutura ferroviária. Entretanto, a execução enfrentou dificuldades financeiras e interrupções em diferentes lotes. Por isso, os cronogramas anunciados anteriormente não devem ser confundidos com a conclusão efetiva das obras.

Quais estruturas compõem os 537,2 quilômetros da FIOL 1?
A implantação envolve plataformas ferroviárias, obras de drenagem, passagens e estruturas para superar obstáculos naturais. Um dos elementos é o Túnel de Jequié, com aproximadamente 780 metros, necessário para atravessar uma formação rochosa ao longo do percurso.
A ANTT organizou a construção em quatro grandes lotes ferroviários, além do segmento específico do túnel. Essa divisão permite acompanhar separadamente os avanços e as necessidades de investimento em cada parte do empreendimento.
| Segmento | Extensão aproximada |
|---|---|
| Lote 1F | 126,3 km |
| Lote 2F | 116,2 km |
| Lote 3F | 115,5 km |
| Lote 4F | 177,4 km |
O que ainda falta para o corredor ferroviário alcançar seu potencial?
A conclusão dos trilhos precisa avançar juntamente com a implantação do Porto Sul, em Ilhéus. Sem instalações portuárias operacionais e conexões adequadas, a ferrovia não poderá cumprir integralmente sua função exportadora, mesmo com segmentos ferroviários concluídos.
Outro desafio envolve ampliar a utilização por diferentes setores produtivos. O transporte de grãos, fertilizantes e cargas industriais poderá diversificar a demanda. A efetivação desses benefícios dependerá de investimentos, disponibilidade operacional e integração futura com os demais trechos da Ferrovia de Integração Oeste-Leste.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)