Grande novidade: um novo e gigantesco candidato a planeta anão pode estar escondido além de Plutão
Novo candidato a planeta anão se esconde além de Plutão
O candidato a planeta anão 2026 ED138 foi anunciado nesta semana pelo Minor Planet Center e pode ser um dos maiores objetos já vistos na região transnetuniana. Com diâmetro estimado entre 600 e 1.500 quilômetros, ele orbita o Sol numa faixa de distância parecida com a de Plutão, mas só agora foi identificado.
O que é o 2026 ED138 e por que ele é tão importante?
O 2026 ED138 é um objeto transnetuniano, ou seja, orbita o Sol a uma distância maior que a de Netuno. Ele foi encontrado em dados do Observatório Vera C. Rubin, no Chile, e anunciado como candidato a planeta anão pelo Minor Planet Center, ligado à União Astronômica Internacional.
O tamanho estimado coloca o objeto na mesma faixa de Makemake e Haumea, dois planetas anões já reconhecidos. Se confirmado, ele se junta ao grupo que hoje tem cinco membros oficiais: Ceres, Plutão, Eris, Haumea e Makemake.

Como um objeto tão grande passou tanto tempo despercebido?
A resposta está na posição e na inclinação da órbita. O 2026 ED138 fica na direção de uma região do céu lotada de estrelas da Via Láctea, o que dificulta separar um ponto de luz em movimento no meio de milhões de fontes fixas.
Além disso, a órbita do objeto é inclinada em cerca de 24,5 graus em relação ao plano do Sistema Solar, o que o joga para fora das áreas que os levantamentos costumam varrer com mais frequência. O astrônomo Matthew Holman, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, descreveu a reação ao ver o objeto: “descrença entusiasmada”.
Quais são as características orbitais do 2026 ED138?
O objeto leva cerca de 281 anos para dar uma volta completa ao redor do Sol. No ponto mais próximo, chega a 36,86 unidades astronômicas (UA) da estrela; no mais distante, a 49,04 UA. Plutão, para comparar, orbita entre 29,6 e 49,08 UA.
Hoje, o 2026 ED138 está a aproximadamente 46 UA do Sol, ou seja, 46 vezes a distância média entre a Terra e o Sol. A órbita inclinada e a distância média de cerca de 43 UA colocam o objeto na classe dos transnetunianos “clássicos quentes”, cuja trajetória foi mexida pela gravidade de Netuno no passado.
Como a descoberta foi feita na prática?
O achado saiu de um código desenvolvido por Holman e pelo colega Kevin Napier, que vasculha bilhões de detecções de objetos em movimento feitas pelo Rubin. Na noite de 13 de outubro de 2026, Holman rodou os dados e o 2026 ED138 apareceu.
Depois da detecção inicial, a equipe encontrou mais 20 observações do objeto nos arquivos do Rubin, feitas entre março e julho de 2026. Aí veio o achado que fechou o quebra-cabeça: imagens antigas da Dark Energy Camera, de 2016, 2017, 2018, 2019 e 2023, mostravam o mesmo objeto, permitindo traçar mais de uma década de órbita.
Este vídeo do canal NSF-DOE Rubin Observatory mostra uma aproximação feita por computadores ao objeto:
O que falta para o 2026 ED138 virar planeta anão de verdade?
Falta medir o tamanho com precisão. A estimativa de 600 a 1.500 quilômetros vem do brilho e da distância, mas um objeto pequeno e muito reflexivo pode parecer tão brilhante quanto um grande e escuro. Observações em infravermelho são necessárias para medir o calor emitido e cravar o diâmetro real.
Se o tamanho confirmar que o objeto é grande o bastante para a própria gravidade tê-lo moldado em uma forma arredondada, ele atende ao critério da União Astronômica Internacional para ser planeta anão. A confirmação pode levar alguns meses, e só depois disso o objeto ganha um nome de verdade, em vez do código provisório.
O que essa descoberta diz sobre o futuro da astronomia?
O 2026 ED138 é só o primeiro de uma leva que deve vir. O Rubin vai fotografar o céu austral repetidamente por 10 anos, e a expectativa é encontrar milhares de objetos desconhecidos no Sistema Solar externo. Isso inclui a possibilidade de finalmente flagrar o hipotético Planeta Nove, se ele existir.
Por enquanto, o candidato a planeta anão segue como um lembrete de que o quintal da nossa própria casa ainda tem cantos escuros. Um objeto com até 1.500 quilômetros de diâmetro ficou mais de uma década escondido em imagens de arquivo, e a ferramenta que o revelou mal começou a trabalhar.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)