IFI vê piora das contas públicas com medidas anunciadas por Lula
Instituição independente projeta déficit de 1% do PIB em 2027 e afirma que seria necessário um superávit de 2,1% para estabilizar a dívida pública
A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, afirmou nesta quinta-feira, 29, que as medidas anunciadas durante a campanha presidencial pelo governo eleito de Lula (PT) agravaram a situação já delicada das contas públicas.
“Desequilíbrio fiscal, pressões inflacionárias, juros altos e baixo crescimento. Romper esse nó górdio deve ser a tarefa número um dentre as ações do futuro governo. Sem um ajuste fiscal consistente, não haverá retomada relevante dos investimentos estratégicos, crescimento acelerado, criação de empregos de qualidade, incremento da renda e dinheiro para financiar políticas públicas essenciais”, afirmaram os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade.
O órgão projeta, para este ano, um déficit nas contas do governo da ordem de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo a IFI, “é possível imaginar” um déficit primário efetivo potencial de 1% do PIB em 2027.
A instituição também estima que seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação entre a dívida pública e o PIB.
“A IFI tem alertado, nos últimos anos, que é inevitável um verdadeiro ajuste fiscal, se quisermos desencadear um novo ciclo de desenvolvimento vigoroso e sustentado no país. Isso passa por produzir os superávits primários necessários para estancar o crescimento da dívida, criando o ambiente adequado para a queda das taxas de juros; desengessar o orçamento; rever o perfil dos gastos; aumentar a eficiência; e ampliar substancialmente os investimentos estratégicos estruturantes, sobretudo na infraestrutura e na inovação tecnológica”, diz o órgão.
Durante a campanha, Lula reajustou o Bolsa Família e anunciou um pacote de medidas voltado aos microempreendedores individuais (MEIs).
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