Crusoé: Principal opositor acusa Netanyahu de tentar deslegitimar eleições
Sem maioria no Parlamento, premiê israelense alega compra de votos e interferência estrangeira no pleito
O líder do partido de oposição Yashar, Gadi Eisenkot, acusou o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, de promover uma campanha para deslegitimar as eleições.
O Likud, partido de Netanyahu, acusa o Catar e outros países de comprarem votos em favor do Ra’am ou Lista Conjunta, os partidos árabes. O premiê pede que nenhum bloco se junte ao bloco opositor.
Eisenkot, contudo, considera “prematuro” concluir que houve fraude eleitoral.
“Reuni-me anteriormente com o chefe do Shin Bet e com o presidente do Comitê Central de Eleições. Eles me atualizaram sobre a situação. É muito cedo para entender o que aconteceu e se é que aconteceu. Devemos permitir que os profissionais competentes concluam a investigação sem qualquer interferência política”, disse ele.’
“A interferência estrangeira em Israel é inaceitável e grave, sobretudo quando envolve um Estado que financia o terrorismo e apoia a organização terrorista Hamas, e que conseguiu, nos últimos anos, infiltrar-se no gabinete do Primeiro-Ministro de Israel”, afirma, referindo-se ao Qatar.
Segundo Eisenkot, Netanyahu tenta deslegitimar as eleições porque “perdeu”.
“Eles não têm maioria. O Estado de Israel é governado pelo Estado de Direito. Não permitirei nem um centímetro de desvio na posse do Knesset conforme planejado”, disse.
Eisenkot também afirmou que “nenhuma manipulação” mudaria o fato de que o eleitorado israelense votou contra “o governo de 7 de outubro e os desertores do serviço militar”.
O juiz Noam Sohlberg, presidente do Comitê Central Eleitoral, pediu ao Shin Bet que investigue a suspeita de interferência estrangeira nas eleições israelenses.
A acusação de Netanyahu
Netanyahu acusou o Ra’am, legenda liderada por Mansour Abbas, de comprar votos com “envelopes com dinheiro”, ameaçar eleitores e promover votações em dupla identidade.
“As eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a eliminação do Estado judaico por meio de crimes penais graves de suborno, ameaças, violência, falsificações e uso de softwares proibidos para mobilização de eleitores”, diz trecho de uma declaração do Likud, partido de Netanyahu, compartilhada pelo premiê.
Segundo ele, o Likud afirma ter encaminhado à polícia, ao Shin Bet, serviço de inteligência interna de Israel, e ao Comitê Central Eleitoral “centenas de testemunhos e evidências” de supostas irregularidades em seções eleitorais de comunidades árabes.
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