Um experimento florestal ficou 30 anos quase esquecido e terminou com árvores enormes sem a perda de carbono que se esperava
Pesquisa em uma floresta australiana revelou como árvores submetidas a cortes intensos recuperaram biomassa e alcançaram dimensões excepcionais.
Um experimento com eucaliptos gigantes (Eucalyptus regnans) em Tanjil Bren, no estado australiano de Victoria, revelou um resultado inesperado: áreas submetidas a desbaste intenso desenvolveram árvores enormes e recuperaram a biomassa retirada. Três décadas depois, os estoques acima do solo estavam próximos dos observados em trechos que não haviam sido cortados.
Como começou o experimento que ficou tanto tempo sem acompanhamento?
O Silvicultural Systems Project começou no fim dos anos 1980 para comparar formas de manejar florestas regeneradas após os incêndios de 1939. Os pesquisadores testaram cortes completos, aberturas de diferentes tamanhos, retenção de árvores e parcelas sem intervenção.
Após as primeiras avaliações, o acompanhamento foi interrompido. A área voltou a chamar atenção em uma visita universitária, em 2014, e foi medida novamente em 2019. A nova avaliação reuniu 53 parcelas com 4.424 árvores de 18 espécies. Os resultados apareceram em um estudo publicado na revista Forest Science em 2026.

O que o desbaste intenso mudou no crescimento das árvores?
Com menos árvores competindo por luz, água e nutrientes, os exemplares preservados puderam ampliar suas copas. O acompanhamento destacou quatro características:
- O desbaste retirou de 50% a 70% da área basal, medida ligada à espessura dos troncos.
- Os maiores troncos chegaram a superar 1,5 metro de diâmetro.
- Os exemplares maiores apresentaram diâmetros cerca de 20% superiores aos controles.
- A vegetação secundária, incluindo acácias, também respondeu às intervenções.
Quanto carbono restou em comparação com a floresta intacta?
O estudo estimou a biomassa acima do solo, utilizada para avaliar o carbono armazenado na vegetação. A recuperação variou conforme o manejo adotado.
O experimento prova que cortar árvores sempre preserva carbono?
Não. A pesquisa identificou uma recuperação expressiva em condições específicas, não uma regra universal. As duas modalidades de retenção recuperaram a biomassa removida e boa parte do crescimento registrado nas áreas intactas.

As estimativas não incluíram raízes nem carbono do solo, e não representam automaticamente o balanço climático completo da exploração madeireira. A perda inicial de biomassa existiu: o resultado surpreendente foi sua recuperação posterior. O relato dos pesquisadores sobre a redescoberta também ressalta que o desbaste não deve ser aplicado em qualquer floresta.
Que consequências as árvores maiores podem trazer para a fauna?
O crescimento acelerado modifica a estrutura da floresta e pode favorecer diferentes necessidades ecológicas. Entre as implicações observadas ou discutidas pelos pesquisadores estão:
- Troncos grossos têm maior potencial para formar cavidades.
- Essas cavidades oferecem abrigo a animais arborícolas.
- Acácias regeneradas podem favorecer a movimentação de pequenos marsupiais.
- Árvores maiores podem resistir melhor a incêndios moderados.
O manejo florestal exige decisões além da quantidade de árvores cortadas
O resultado de Tanjil Bren desafia a ideia de que uma intervenção provoca necessariamente uma redução permanente do carbono armazenado nas árvores. A resposta depende do tipo de corte, da vegetação preservada e do tempo de recuperação.
Para a conservação, a lição é considerar carbono, tamanho das árvores e qualidade do habitat em conjunto. Experimentos acompanhados por décadas ajudam a identificar quais práticas funcionam, onde funcionam e quais consequências ainda precisam ser estudadas.
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