A Ilha da Magia é a primeira cidade brasileira reconhecida internacionalmente pela gastronomia na UNESCO
A pesca artesanal e os frutos do mar fazem parte da tradição da ilha
Em vez de cercas e plantações, a lavoura fica dentro do mar: cabos e boias marcam as áreas onde famílias cultivam ostras nas baías do sul da ilha. No Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, capital apelidada de Ilha da Magia, essa produção chega às mesas de restaurantes que olham diretamente para as linhas de cultivo, a poucos metros da água.
Por que a capital catarinense é Cidade Criativa da Gastronomia?
Porque a cidade transformou a cozinha ligada ao mar em projeto de desenvolvimento e foi aceita, em dezembro de 2014, na Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Florianópolis foi a primeira cidade brasileira a entrar na rede pelo campo da gastronomia.
O título funciona de um jeito diferente de um ranking. Ele não compara cidades nem aponta a melhor, e sim insere o município numa rede internacional de cooperação, ensino e economia ligada à comida. Também não se trata de um prêmio recente: a inscrição de 2014 segue válida como compromisso, e o que muda a cada ano são as ações que a cidade desenvolve dentro do programa.

Três dados resumem o lugar das ostras nessa história:
Como as ostras viraram rotina no Ribeirão da Ilha?
O cultivo chegou com pesquisa. Os primeiros cultivos de moluscos em Santa Catarina foram instalados no fim da década de 1980, em convênios entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), e encontraram nas águas calmas das baías entre a ilha e o continente o ambiente ideal para crescer.
No sul da ilha, a atividade se espalhou entre produtores familiares, que mantêm as lanternas de cultivo, espécie de cestos empilhados presos a cabos no mar, por cerca de 7 a 8 meses até a colheita. O distrito é tratado como área própria no planejamento urbano, com plano específico na Rede de Planejamento da Prefeitura de Florianópolis, e os levantamentos de safra da maricultura apontam a capital como a principal produtora de ostras do estado.

O que conhecer na ilha além das ostras?
A capital catarinense distribui suas paisagens por bairros com acessos bem diferentes, do centro antigo às praias do sul. Por isso, o roteiro funciona melhor quando cada dia se concentra numa região da ilha.
As fazendas marinhas são empreendimentos privados e nem todas recebem visitantes. A experiência mais acessível costuma estar nos restaurantes e nas vilas, onde a produção aparece no prato e na paisagem.
Da vila de maricultores ao mercado
Para equilibrar praia, paisagem e comida, vale incluir estas paradas no roteiro:
- Ribeirão da Ilha: vila do sul da ilha com casario antigo, restaurantes de frutos do mar e linhas de cultivo à vista. A visita às fazendas depende de cada produtor.
- Praia do Campeche: praia de areia na porção sul da ilha, com mar aberto. As condições de banho variam conforme o dia.
- Lagoa da Conceição: espelho d’água cercado por morros e bairros, com acessos públicos às margens e paisagem bem diferente da do sul.
- Mercado Público: mercado central de comidas e comércio no coração da cidade. Confira os horários antes de ir.
- Centro histórico: ruas e praças da parte mais antiga da capital, bons para percorrer a pé.
O canal Status Viajante reuniu paisagens da capital catarinense neste vídeo:
Onde a gastronomia aparece no dia a dia da cidade?
Na mistura entre ilha e continente, entre produção e consumo. O município ocupa a Ilha de Santa Catarina e uma parte continental, e é nas baías entre essas duas áreas que se concentra a maricultura, enquanto bares e restaurantes espalham o produto pelos bairros.
A cidade também transformou o molusco em calendário. A Festa Nacional da Ostra e da Cultura Açoriana (Fenaostra) chegou a reunir concursos de pratos feitos com ostras produzidas na capital, e o programa ligado ao título da UNESCO criou o Observatório da Gastronomia para acompanhar o setor. São iniciativas diferentes do patrimônio histórico das vilas, mas ajudam a explicar por que a comida virou parte da identidade local.
Existe época seca em Florianópolis?
Não há época seca marcada em Florianópolis: a chuva se distribui pelos doze meses, com o maior volume em janeiro, perto de 193 mm, e o menor em julho, cerca de 86 mm. Os verões são quentes e os invernos, amenos.
Florianópolis em cada estação
Mesmo sem estação seca, cada período tem temperatura e chuva próprias:
Faixas calculadas a partir das médias mensais da climatologia do Climatempo. As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña, e as médias não substituem a previsão do dia.
O mar que virou cozinha
No Ribeirão, as lanternas continuam presas aos cabos diante das casas antigas, e o trabalho segue o ritmo da colheita. É uma paisagem de produção que, quase quatro décadas depois dos primeiros cultivos, passou a representar a cidade inteira.
Florianópolis entrou numa rede mundial pela comida, mas a explicação continua ali, na linha de boias que divide o mar calmo do sul da ilha.
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