Alcolumbre evita comentar cartas de Flávio e fala em “pacificação”
Presidentes do Senado e da Câmara não respondem a textos em que o senador do PL contesta, sem provas, a reeleição de Lula
Dois textos assinados por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nos quais o senador contesta sem provas a derrota na disputa presidencial, ficaram sem resposta dos comandantes do Congresso nesta quarta-feira, 28. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), evitaram se pronunciar sobre o conteúdo.
Silêncio no Congresso
Candidato do PL no segundo turno, Flávio perdeu para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi reeleito. O senador foi para os Estados Unidos e, na primeira carta, afirmou ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em um segundo texto, declarou-se “líder do Brasil”.
Questionado, Alcolumbre disse que não comentaria os documentos. Afirmou que sua atuação busca “a pacificação do país”, mas não explicou de que forma pretende conduzi-la.
“Estou falando todo dia de pacificação do Brasil, tudo que eu comentar pode ser contrário a minha tese”, declarou o presidente do Senado.
Motta também não fez declaração sobre o assunto ao longo do dia.
Partidos reafirmam o resultado
O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, partido de Alcolumbre, divulgou nota em que trata a democracia como “um valor inegociável” para a legenda. Segundo o texto, “ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas”.
MDB e PSD também publicaram notas nas quais validam o resultado da eleição presidencial.
Disputa pela presidência do Senado
A cautela de Alcolumbre ocorre em meio à tentativa de se manter no comando da Casa. A votação está prevista para fevereiro de 2027, e ele enfrenta hoje a oposição de senadores ligados a Jair Bolsonaro.
Esses parlamentares criticam a aproximação do presidente do Senado com Lula e a decisão de não pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), visto pelo bolsonarismo como adversário político.
O PL elegeu senadores suficientes para chegar a 29 cadeiras a partir de 2027, mais de um terço do Senado, e terá a maior bancada da Casa. A direção do partido se reúne na semana que vem para discutir a eleição para a presidência do Senado.
Alcolumbre tenta se reaproximar dos senadores de oposição para evitar que ameacem sua recondução.
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