Um homem foi enterrado dentro de um túmulo já antigo e levou consigo objetos e carne de cordeiro
Arqueólogos identificam na Ucrânia um sepultamento com punhal, cerâmica e oferenda alimentar dentro de um monte funerário construído dois milênios antes
Uma sepultura sármata descoberta no sul da Ucrânia revelou um homem enterrado com armas, cerâmica e uma oferenda de carne de cordeiro. O detalhe mais surpreendente está na localização: seu corpo foi colocado dentro de um monte funerário construído pela cultura Yamnaya aproximadamente dois mil anos antes.
Por que uma sepultura sármata foi construída dentro de um túmulo muito mais antigo?
A descoberta ocorreu na península de Arabat, próxima à vila de Shchaslyvtseve, na região ucraniana de Kherson. O monumento original pertencia à Idade do Bronze e havia sido construído por comunidades associadas à cultura Yamnaya, conhecida por seus grandes montes funerários.
Séculos depois, outros povos aproveitaram a mesma elevação para realizar sepultamentos. O monte continuou sendo utilizado por diferentes gerações, acumulando 36 sepulturas de períodos históricos distintos. Essa reutilização demonstra como estruturas antigas podiam permanecer importantes mesmo após desaparecerem seus construtores originais.
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Quais objetos foram encontrados na sepultura sármata?
O homem tinha aproximadamente 25 a 35 anos quando morreu. Seu corpo estava deitado de costas, com a cabeça orientada para noroeste. Ao lado, arqueólogos identificaram um punhal de ferro com cerca de 45 a 47 centímetros, além de vestígios de uma bainha de madeira.
Próximo às pernas foram encontrados um pequeno instrumento cortante, ossos de uma perna de cordeiro e uma escápula do animal. Uma jarra de cerâmica avermelhada completava o conjunto, sugerindo práticas funerárias que incluíam objetos pessoais e alimentos destinados simbolicamente ao falecido.
Cinco elementos ajudam a interpretar a descoberta:
- Punhal de ferro com extremidade em formato de anel;
- Pequena faca encontrada próxima às pernas;
- Jarra de cerâmica com uma alça;
- Ossos de cordeiro associados à oferenda alimentar;
- Corpo disposto sobre material vegetal, possivelmente casca de árvore.
O vídeo apresenta escavações de um monte funerário antigo na Ucrânia, mostrando como arqueólogos identificam sepultamentos de diferentes épocas em uma mesma estrutura, embora não retrate a descoberta de Arabat.
Como os povos antigos reutilizavam grandes montes funerários?
Essas construções, chamadas kurgans, eram elevações artificiais de terra erguidas sobre sepulturas. Por permanecerem visíveis durante séculos, podiam funcionar como referências importantes na paisagem das estepes, atraindo novos sepultamentos de comunidades posteriores.
A reutilização não significa necessariamente continuidade religiosa entre populações diferentes. Grupos posteriores poderiam reconhecer o monumento como espaço funerário, aproveitar sua localização privilegiada ou atribuir novos significados à estrutura. Identificar essas motivações exige comparar objetos, posições dos corpos e contextos arqueológicos.
Como os arqueólogos investigaram a sepultura sármata na Ucrânia?
O estudo publicado na revista Archaeology and Early History of Ukraine, em junho de 2026, foi conduzido por Yurii Boltryk e Olena Fialko, do Instituto de Arqueologia da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia. A pesquisa analisou materiais recuperados em escavações iniciadas em 2018.
Os pesquisadores examinaram a organização das sepulturas, características do armamento e tipos de cerâmica. Comparações com outros enterramentos permitiram situar o homem entre o século I a.C. e o século I d.C., embora não tenha sido possível estabelecer uma data exata.

O que diferencia esse sepultamento dos túmulos originais?
O monte apresentava aproximadamente 42 metros de diâmetro e apenas 1,3 metro de altura quando foi escavado. A agricultura havia reduzido suas dimensões originais. A sepultura mais recente estava próxima do topo, em uma cova estreita de aproximadamente 1,8 metro.
A orientação do corpo e os objetos encontrados sugerem possível associação aos roxolanos, grupo sármata de língua iraniana. Entretanto, essa identificação permanece interpretativa, baseada em paralelos funerários, não em evidências genéticas conclusivas.
| Característica | Informação arqueológica |
|---|---|
| Monte original | Cultura Yamnaya |
| Sepulturas identificadas | 36 enterramentos |
| Homem sepultado | 25 a 35 anos |
| Datação sármata | Séculos I a.C.–I d.C. |
O que essa sepultura revela sobre os antigos povos das estepes?
A presença de armas e alimentos oferece informações sobre práticas funerárias, mas não comprova que o homem tenha participado de combates. Os pesquisadores consideram possível que ele pertencesse a uma comunidade envolvida no controle de recursos locais, como sal e água doce.
A descoberta também demonstra a importância arqueológica dos monumentos reutilizados. Novas análises poderão esclarecer relações entre diferentes populações e mudanças nos rituais. Entretanto, o estado precário dos ossos e a ausência de datação direta limitam conclusões sobre identidade, parentesco e circunstâncias da morte.
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