Um satélite europeu explora a Antártida e encontra 85 estruturas desconhecidas e ativas sob o gelo
Dados do CryoSat mostram lagos que enchem e drenam sob quilômetros de gelo, ajudando a medir processos ligados ao fluxo da camada antártica
É comum imaginar a Antártida como um bloco congelado e imóvel. Porém, dados do satélite CryoSat revelaram 85 lagos subglaciais ativos, que enchem e drenam sob o gelo.
Como o satélite encontrou estruturas sob o gelo?
O satélite CryoSat, da Agência Espacial Europeia, não observou diretamente cada lago subglacial. Seu altímetro de radar mediu pequenas mudanças na altura da superfície da Antártida.
Quando a água se acumula na base, o manto de gelo pode subir discretamente. A drenagem produz o movimento oposto. Os pesquisadores analisaram dados coletados entre outubro de 2010 e julho de 2020.

Essa técnica ajuda a acompanhar regiões inacessíveis por terra e a separar mudanças locais de tendências mais amplas. Outra matéria mostra como diferentes satélites medem transformações no gelo polar.
Os 85 lagos ampliam o mapa da água oculta
Os 85 locais elevaram de 146 para 231 o número conhecido de lagos subglaciais ativos na Antártida, um aumento de 58%. O inventário total também reúne estruturas consideradas estáveis.
O estudo publicado na Nature Communications identificou 73 novos lagos no leste e 12 no oeste do continente. Seis ficam a menos de oito quilômetros da zona onde o gelo começa a flutuar.
A água subterrânea influencia o manto de gelo
Um lago subglacial ativo armazena e libera água em intervalos variáveis. O estudo registrou 37 drenagens completas, 34 enchimentos completos e 12 ciclos inteiros durante a década analisada.
O derretimento basal recebe energia do calor geotérmico e do atrito do gelo com a rocha. Quando circula, a água pode reduzir a fricção e alterar a velocidade do manto de gelo.

Por que acompanhar esses lagos daqui em diante?
O monitoramento permite entender como a água interfere no movimento da Antártida e chega às áreas costeiras. A equipe encontrou cinco redes interligadas e 25 agrupamentos alinhados com rotas hidrológicas modeladas.
Esses dados ainda ajudam a aperfeiçoar modelos sobre o nível do mar. Segundo a Agência Espacial Europeia, muitos modelos do manto de gelo ainda não representam adequadamente a hidrologia subglacial.
A descoberta mostra que mudanças discretas na superfície podem revelar um sistema ativo sob quilômetros de gelo. Ao acompanhar o próximo ciclo, lembre-se de olhar além da paisagem congelada.
Outras missões espaciais também enfrentam desafios que afetam a continuidade das observações científicas. O caso do Hubble oferece um exemplo em órbita terrestre.
A queda acelerada do Hubble coloca a ciência diante de um dilema urgente➔
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)