Esse animal tinha garras de um metro de comprimento
Fósseis da Mongólia e análises biomecânicas mostram por que a aparência assustadora do terópode não explica a função de suas mãos
Ao esticar uma fita métrica pela sala, imagine quase um metro ocupado por uma única garra. Essa dimensão ajuda a entender o Terizinossauro, dinossauro do Cretáceo com mãos enormes, corpo robusto e aparência diferente daquela associada aos terópodes.
Terizinossauro unia tamanho e anatomia incomuns
O Terizinossauro viveu há cerca de 70 milhões de anos, onde hoje fica a Mongólia. O Museu de História Natural de Londres classifica o animal como um terópode herbívoro, bípede e com aproximadamente dez metros de comprimento.
Seu nome científico, Therizinosaurus cheloniformis, identifica uma espécie conhecida por fósseis incompletos. Foram encontrados principalmente ossos dos braços, pernas e costelas. Por isso, detalhes do corpo do dinossauro são reconstruídos com base em parentes mais bem preservados.
As garras gigantes não eram armas eficientes
As garras podiam ultrapassar um metro quando consideradas as estruturas alongadas descritas em estudos biomecânicos. Apenas a parte óssea conhecida alcançava mais de 50 centímetros. Em vida, uma cobertura de queratina, material presente nas unhas atuais, aumentava seu comprimento.

Apesar da aparência ameaçadora, análises publicadas em 2023 apontam que as garras estreitas do Therizinosaurus suportavam pouco estresse. A Universidade de Bristol relata que modelos computacionais não identificaram uma função mecânica eficiente para combate, perfuração ou escavação.
Outros dinossauros do Cretáceo também desenvolveram adaptações inesperadas para alimentação e sobrevivência. Uma pesquisa sobre a dieta de um herbívoro costeiro amplia essa comparação.
Como a ciência testa a função dessas garras?
Os pesquisadores digitalizaram garras em três dimensões e simularam forças aplicadas durante movimentos de puxar, perfurar e cavar. Depois, compararam os resultados com estruturas de animais atuais, cujas funções podem ser observadas diretamente.
O método mostrou grande diversidade entre os terizinossauros. Espécies menores poderiam usar as mãos como ganchos para alcançar vegetação. No Terizinossauro, porém, o crescimento extremo reduziu a resistência, favorecendo a hipótese de exibição para outros indivíduos da espécie.

O que ainda sabemos sobre esse dinossauro?
O Terizinossauro pertencia à linhagem dos terópodes, grupo que inclui muitos predadores bípedes. Contudo, evidências anatômicas indicam alimentação baseada em plantas. Pescoço comprido, cabeça pequena e corpo volumoso completavam uma combinação pouco comum entre esses animais.
As garras continuam sendo sua característica mais marcante, mas não provam comportamento agressivo. Ossos fossilizados registram forma, tamanho e resistência. Eles não preservam temperamento, disputas sociais ou todos os movimentos realizados pelo animal.
Reconstruções exibidas em filmes e ilustrações misturam evidências com escolhas artísticas. Ao encontrar uma cena do Terizinossauro usando as mãos como espadas, trate-a como entretenimento e procure a explicação de museus e estudos científicos.
Outros fósseis mostram como novas técnicas conseguem revelar características antes invisíveis. A conservação da pele amplia o que podemos aprender sobre espécies extintas.
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