Bannon espera pressão de Trump para anular eleição no Brasil
Ex-estrategista da Casa Branca diz que Flávio Bolsonaro foi o eleito; PL reconheceu o resultado e o senador desistiu de contestar a votação
O ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon declarou que o presidente americano, Donald Trump, deve pressionar o governo brasileiro até que o resultado da eleição de domingo, 25, seja anulado. Sem apresentar provas, afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) foi o vencedor. O partido do senador já havia admitido a vitória de Lula (PT).
O que disse Bannon
Bannon, um dos ideólogos do movimento Maga, deu as declarações à Folha. Ele prevê uma ofensiva de Washington contra o petista: “Acredito que o presidente Trump vai agir para isolar o regime marxista de Lula até que ele concorde em anular essa eleição roubada”.
Sobre o desfecho, projetou: “Flávio venceu a Presidência, ele vai assumir a Presidência — e concorrer à reeleição em 2030 — enquanto Lula apodrece na prisão”. Não apresentou dados que sustentem a afirmação.
Na mesma segunda, ele já havia defendido em público que Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, rompessem as relações diplomáticas e comerciais com o Brasil: “Hoje o Brasil não tem um governo legítimo porque Lula roubou a eleição”, disse.
Trump e o PL adotam tom diferente
Trump também comentou o pleito na segunda. Disse que a votação “parece fraudada”, sem apresentar provas, e chamou a prorrogação do horário de votação de “muito estranha”. Afirmou ainda não ter apoiado nenhum candidato: “Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele”.
Perguntado se adotaria alguma medida sobre o processo eleitoral, respondeu: “Eu governo os Estados Unidos, não o Brasil”. Não anunciou sanções, e o governo americano ainda não informou se reconhece formalmente a reeleição de Lula.
No Brasil, a direção do PL reconheceu o resultado. Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que organizaria a oposição no Congresso e buscaria a cassação da chapa vencedora na Justiça Eleitoral, mas deixou de lado o plano de questionar a validade da votação.
Questionado pela Folha sobre o recuo do senador, Bannon manteve a acusação: “O presidente Trump resumiu da melhor maneira: a eleição foi fraudada”.
Ao ser indagado sobre a declaração de Trump de que gosta de Lula, não respondeu diretamente. Citou uma decisão do ministro Alexandre de Moraes: “O chefe da Suprema Corte (sic) acabou de revogar o passaporte dele. É assim que eu interpreto isso”.
Decisão de Moraes e paradeiro de Flávio
Moraes, que não chefia o STF, determinou que Flávio entregue os passaportes e fique proibido de deixar o país. A ordem integra uma investigação sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz. Flávio disse que cumprirá a decisão, mas a classificou como forma de intimidação.
Nesta terça-feira, 27, o paradeiro do senador é desconhecido. Aliados afirmam que ele viaja para os Estados Unidos, onde deve receber asilo do governo Trump.
Bannon coordenou a campanha que levou Trump à Presidência em 2016 e atuou na Casa Branca nos primeiros meses do mandato. Mantém influência na direita americana e se aproximou da família Bolsonaro, em especial do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
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