Clarão de raios X durou 9 minutos e pode ser o rastro de duas estrelas de nêutrons que se fundiram: evento é o mais longo já registrado desse tipo
Clarão de raios X de 9 minutos captado por três satélites pode ser o registro mais longo já visto de uma fusão de estrelas de nêutrons, a 6 bilhões de anos-luz

O que você vai ver
- Quais telescópios detectaram o evento e quando.
- Por que a duração do clarão surpreendeu os astrônomos.
- Qual é a explicação mais aceita para a origem da energia.
- A que distância da Terra o evento aconteceu.
- Por que os cientistas descartaram a hipótese de uma supernova.
Um clarão de raios X batizado de EP250704a surpreendeu astrônomos ao durar cerca de nove minutos, muito mais do que o esperado para esse tipo de evento, e a explicação mais aceita hoje é que ele marca a fusão de duas estrelas de nêutrons que deu origem a um magnetar recém-nascido.
Quais telescópios detectaram o evento?
O clarão foi captado em 4 de julho de 2025 por três instrumentos trabalhando em conjunto: o satélite franco-chinês SVOM, o telescópio de raios X Insight-HXMT e o Einstein Probe, combinação que permitiu à equipe de astrônomos registrar tanto a fase gama inicial, muito breve, quanto a emissão de raios X que se seguiu.
The fast radio burst #FRB is so mysterious that some call it "signal from #aliens" GLOBALink: https://t.co/KPOGcEhQ3u But China’s X-ray astronomy #satellite, Insight-HXMT, has traced its origin from a #magnetar in our #MilkyWay https://t.co/d6bKsIdXI4
— China Xinhua News (@XHNews) February 19, 2021
Por que a duração surpreendeu os astrônomos?
Fusões de estrelas de nêutrons costumam estar associadas a explosões de raios gama que duram no máximo cerca de dois segundos, mas a emissão de raios X do EP250704a se estendeu por aproximadamente nove minutos, o que faz dele o clarão de raios X mais longo já registrado como provável rastro de uma fusão desse tipo.
Qual é a explicação mais aceita para a energia?
Um estudo publicado na revista Science Bulletin defende que a fonte mais provável é um magnetar, uma estrela de nêutrons recém-formada que gira rapidamente e carrega um campo magnético forte o bastante para continuar bombeando energia na explosão por vários minutos, hipótese sustentada pela variabilidade rápida dos raios X observada, um padrão difícil de explicar com um simples choque externo se afastando do local da fusão.
A que distância da Terra o evento aconteceu?
Observações feitas com o Very Large Telescope, no Chile, posicionaram a origem do EP250704a a cerca de seis bilhões de anos-luz de distância da Terra, medição que ajuda os astrônomos a estimar a energia total liberada no evento e a compará-la com a de outras fusões de estrelas de nêutrons já catalogadas em galáxias mais próximas.
The Gamma-Ray Burst Was Merely a Prologue Astronomers have long linked short gamma-ray bursts to the mergers of compact objects, such as two neutron stars. The pair spirals inward, collides, and releases a massive pulse of high-energy radiation. Typically, gamma-ray detectors spot it first, prompting X-ray telescopes to slew toward the source. The problem is that, by then, the initial X-ray glow may have already faded. China’s Einstein Probe observatory operates differently. Its wide-field X-ray telescope continuously monitors a large swath of the sky in the soft X-ray band. Consequently, the observatory captured the flare EP250704a (known in the gamma-ray band as GRB 250704B) from its very inception, while the gamma-ray burst itself was recorded by the SVOM and Insight-HXMT satellites. The discrepancy in duration was striking. The gamma-ray burst lasted about 0.4 seconds, yet the source continued to glow in soft X-rays for nearly ten minutes, producing several distinct episodes of emission. Conventional gamma-ray observations would likely have missed this phase entirely. The nature of the emission also reveals important clues. Rapid variability and a changing spectrum indicate that the "central engine" created by the merger continued to release energy. One possible explanation is a magnetar—a rapidly rotating neutron star with an intense magnetic field—that powered the X-ray emission for a time. The international team’s work was featured on the cover of the journal *Science Bulletin*. And its main conclusion extends beyond a single event: a similar soft X-ray glow might have accompanied earlier short bursts as well—it was simply too soft and faint for standard gamma-ray instruments to detect. If so, astronomers gain yet another way to study sources of gravitational waves.
— Black Hole (@konstructivizm) October 6, 2026
Por que descartaram a hipótese de supernova?
As mesmas imagens profundas captadas pelo Very Large Telescope não revelaram nenhum sinal de explosão de supernova associado ao local do clarão, ausência que reforça a leitura de que o evento não teve origem no colapso de uma estrela massiva isolada, e sim na colisão entre dois objetos compactos já extremamente densos, cenário compatível com a fusão de duas estrelas de nêutrons.
Fenômenos espaciais que desafiam explicações até então aceitas também aparecem na reportagem sobre as cavidades que corroem pavimentos por dentro sem deixar sinais visíveis na superfície.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do Space.com.
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