CNBB parabeniza Lula, e cobra gestos de pacificação
Em carta, entidade defende diálogo, respeito às diferenças e fortalecimento das instituições no novo mandato de Lula
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta segunda-feira, 26, uma carta parabenizando o presidente Lula (PT) pela reeleição, mas cobrou gestos concretos de pacificação e diálogo para superar a “polarização que atravessou a sociedade”.
“As eleições se encerraram, mas permanece diante de todos nós uma tarefa que ultrapassa os resultados eleitorais: cuidar da unidade do país e reconstruir os caminhos do diálogo, da confiança e da convivência fraterna entre os brasileiros. A polarização que atravessou a sociedade não pode determinar o horizonte do próximo período de governo. O Brasil necessita de gestos concretos de pacificação, de respeito às diferenças e de valorização das instituições”, diz a carta.
A entidade defendeu a construção de um ambiente de pacificação após o pleito.
“Significa reconhecer que todos os brasileiros, independentemente de suas escolhas eleitorais, pertencem à mesma comunidade nacional e merecem igual consideração por parte daqueles que exercem a autoridade pública”, afirma o documento.
No comunicado, a CNBB também reafirmou a importância do respeito à Constituição, do combate à corrupção e à violência e do fortalecimento das instituições.
A carta foi assinada pelo cardeal Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB; por Dom Paulo Jackson de Nóbrega Sousa, arcebispo de Olinda e Recife e segundo vice-presidente da entidade; por Dom João Justino de Medeiros Silva, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente; e por Dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB.
Leia a íntegra
“O resultado das urnas expressa a decisão democrática do povo brasileiro e renova a responsabilidade confiada as Vossas Excelências de conduzir os destinos. Neste momento, desejamos que o novo mandato seja marcado pela sabedoria, pelo espírito de serviço e pelo compromisso com o bem comum, fundamento de toda autêntica responsabilidade política.
As eleições se encerraram, mas permanece diante de todos nós uma tarefa que ultrapassa os resultados eleitorais: cuidar da unidade do país e reconstruir os caminhos do diálogo, da confiança e da convivência fraterna entre os brasileiros. A polarização que atravessou a sociedade não pode determinar o horizonte do próximo período de governo. O Brasil necessita de gestos concretos de pacificação, de respeito às diferenças e de valorização das instituições
Pacificar não significa silenciar as divergências, mas criar condições para que elas sejam enfrentadas com respeito, justiça, verdade e disposição para o encontro. Significa reconhecer que todos os brasileiros, independentemente de suas escolhas eleitorais, pertencem à mesma comunidade nacional e merecem igual consideração por parte daqueles que exercem a autoridade pública.
Nesse contexto, recordamos a atenção prioritária que deve ser dedicada aos mais pobres e vulneráveis. Acreditamos que a dignidade da pessoa humana, a destinação universal dos bens, a solidariedade, a subsidiariedade e o bem comum devem orientar as decisões políticas e econômicas.
Esses princípios encontram expressão concreta na defesa da vida desde a concepção até seu fim natural, na superação da fome e da miséria, na promoção do trabalho digno, na garantia de acesso à saúde, à educação e à moradia, na proteção das crianças, dos idosos e das famílias, no cuidado com os povos dos direitos fundamentais. soluções. indígenas e as comunidades tradicionais e na preservação de nossa Casa Comum.
O desenvolvimento de uma nação não pode ser avaliado apenas por seus indicadores econômicos, mas também pela capacidade de assegurar condições dignas de existência àqueles que permanecem à margem das oportunidades e Também desejamos reafirmar a importância do fortalecimento das instituições, do respeito à Constituição Federal, da promoção da paz social e do combate à corrupção e a toda forma de violência.
O país precisa de políticas públicas que enfrentem seus problemas estruturais com seriedade, continuidade e responsabilidade, preservando as conquistas democráticas e promovendo a participação da sociedade na construção de
A Igreja Católica, presente em todas as regiões do Brasil, acompanha de perto as alegrias, os sofrimentos e as esperanças de nosso povo. Por meio de suas comunidades, pastorais, organismos e iniciativas sociais, procura contribuir diariamente para a promoção da dignidade humana, a defesa dos direitos fundamentais, a formação das consciências e o cuidado com os que mais necessitam.
A CNBB, respeitando a legítima autonomia entre a Igreja e o Estado, reafirma sua disposição de manter um diálogo institucional construtivo e de colaborar em iniciativas voltadas à defesa da vida e da dignidade do ser humano, ao bem comum, especialmente na promoção da justiça, da fraternidade, da solidariedade e da paz. Essa disposição nasce da fidelidade à missão da Igreja e de sua responsabilidade de contribuir, com liberdade e espírito de serviço, para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Desejamos que o novo mandato seja uma oportunidade para fortalecer a democracia, aproximar os brasileiros e renovar a esperança daqueles que mais necessitam de atenção e cuidado”.
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Comentários (1)
Não existe pacificação com falcatruas!