Van Hattem cobra mudanças no sistema eleitoral após derrota de Flávio
Senador eleito defende voto impresso, fim da reeleição presidencial e novo pacto federativo; parlamentar também questiona atuação do TSE
O deputado federal e senador eleito Marcel van Hattem (Novo-RS) defendeu mudanças no sistema eleitoral e na distribuição de recursos entre União e estados após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Em entrevista ao Pânico, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 26, ele questionou a confiança nas urnas eletrônicas, voltou a defender o voto impresso e afirmou que a oposição precisa discutir mudanças institucionais.
Van Hattem afirmou que a confiança de uma parcela da população no sistema eleitoral precisa ser considerada, independentemente da comprovação de fraude. O parlamentar disse que votou a favor da proposta de voto impresso quando o tema foi discutido no Congresso e defendeu o aprimoramento ou a substituição do modelo atual.
“Quando ele não tem mais a confiança de uma parte relevante da população, ele precisa ser aprimorado, melhorado ou substituído”, afirmou, referindo-se ao sistema eleitoral.
O senador eleito também comentou a declaração de Flávio sobre fiscais do PL que, segundo o candidato, teriam sido retirados de uma sala durante a pausa na votação. Van Hattem disse que ainda faltavam informações para esclarecer o episódio e afirmou que a questão poderá ser discutida judicialmente. Ele também defendeu a fiscalização dos boletins de urna e criticou a falta de mobilização de lideranças políticas para acompanhar a votação nos municípios.
Ao analisar o resultado, Van Hattem afirmou que a derrota foi maior do que esperava e questionou as estimativas de institutos de pesquisa e plataformas internacionais de apostas, que, segundo ele, indicavam vantagem para Flávio. O parlamentar citou mudanças na votação em estados como Goiás e Santa Catarina e disse que os partidos precisam investigar os fatores que explicam o resultado. As diferenças apontadas por ele, porém, não constituem, por si só, evidência de fraude eleitoral.
Fim da reeleição e novo pacto federativo
Entre as mudanças que considera necessárias, Van Hattem defendeu o fim da reeleição presidencial. Na avaliação dele, a possibilidade de disputar um segundo mandato dá ao presidente da República poder excessivo e dificulta a atuação da oposição, especialmente quando o governo utiliza programas e medidas econômicas durante a campanha.
O parlamentar afirmou que a oposição tentou barrar judicialmente iniciativas do governo Lula (PT), mas que as ações não tiveram o resultado esperado. Ele lembrou que Flávio também defendia o fim da reeleição e disse que o tema deve ser discutido pelo Congresso e pela sociedade.
Outra proposta apresentada por Van Hattem é a revisão do pacto federativo, com maior autonomia financeira para estados e municípios. Ele defendeu que uma parcela maior dos recursos arrecadados permaneça nos locais onde são gerados, em vez de ficar concentrada nas mãos do governo federal.
Como exemplo, citou a dívida do Rio Grande do Sul com a União, estimada por ele em 115 bilhões de reais, e criticou a resposta do governo federal às consequências das enchentes que atingiram o estado. Para o parlamentar, governadores de oposição poderão pressionar por mudanças na distribuição dos recursos e por maior autonomia para administrar as próprias receitas.
Van Hattem também questionou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e mencionou a próxima composição do Senado como fator importante para as disputas institucionais. A partir de fevereiro, com a posse dos novos parlamentares, a oposição deverá tentar ampliar sua influência na Casa e discutir pautas relacionadas ao funcionamento dos Poderes e à atuação dos ministros do Supremo.
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Comentários (1)
Mariad
26.10.2026 15:15Vou me ater apenas ao titulo maldoso. Não induza o leitor eleitor a erro. A mudança se faz necessária sim, por que ontem houve algo inédito: Não é uma mudança só porque o flávio perdeu.