“Não houve fraude”, diz Renan Santos após vitória de Lula
Ex-candidato pede que direita não conteste resultado nas ruas e culpa arrogância do bolsonarismo por derrota de Flávio
O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou que não houve fraude na eleição que reelegeu Lula (PT) e pediu a eleitores de direita que não participem de manifestações contra o resultado.
Ele atribuiu a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL) à “arrogância” do bolsonarismo e criticou a estratégia eleitoral baseada em redes sociais, popularidade e “dancinhas”.
Renan publicou dois vídeos no Instagram comentando o resultado do segundo turno da eleição presidencial de 2026, entre domingo, 25, e esta segunda-feira, 26. Ele não apoiou nenhum dos candidatos na segunda etapa do pleito.
“Lula é presidente da República pela quarta vez. Uma vitória que não foi construída em cima de um governo bom, que o governo Lula foi um governo fraco. Uma vitória que foi construída em cima da arrogância da família Bolsonaro e dos membros daquilo que a gente chama de bolsonarismo”, iniciou o presidente da Missão no vídeo de domingo.
“Eu preciso falar aqui, tirando eleição de 18, que Jair Messias Bolsonaro vence por conta da Lava Jato e da prisão do Lula, ele faz uma captura da direita e as pessoas começam a achar que votar contra o PT é ser de direita e que você precisa gostar da família Bolsonaro ou você não é de direita. Esta arrogância, esta falta de humildade, construiu uma direita que adora falar dos seus números em rede social, que bota as pessoas para dançar”.
Ele prosseguiu: “Todo mundo dança, pula, dança, ganha milhões de reais, milhões de likes, milhões de views, milhões de votos, mas que não transforma o Brasil em nada. Uma direita que fica dançando o tempo todo, termina dançando na eleição. E eu não, e eu não faço isso aqui, pisando neles. Eu não tive muitos votos nessa eleição. Agora, a certeza que eu tenho é que você não vai conseguir vencer o PT desse jeito, mentindo para o eleitor, dançando, votando em corrupto“.
Segundo Renan, “milhões de brasileiros que nas eleições anteriores votavam contra o PT, votaram agora nessa eleição… e a gente viu isso acontecer agora no Sul, Sudeste, em todas regiões… votaram inclusive no PT, por medo de ter um governo Bolsonaro e por não ter coragem de votar numa galera tão arrogante. Eles podem ser muito populares, têm milhões de views enganando as pessoas, fazerem todas as dancinhas do mundo. Mas falta humildade, muita humildade”.
Renan pontua que, se uma pessoa discorda de um bolsonarista, é xingada “de todas as coisas possíveis“. “Se você não aceita uma opinião deles, você é pisado. Fizeram uma campanha no primeiro turno para votar só neles de cabo a rabo. Eles elegeram um monte de parlamentar”.
Ele ressalta ainda que a campanha de Flávio escalou o empresário Pablo Marçal para atacar ele e seus eleitores.
“Se você quiser voltar a vencer o PT, a gente tem que olhar quem venceu o PT. Na história, um homem venceu o PT duas vezes no primeiro turno. O nome dele era Fernando Henrique Cardoso. Ele não se definia como direita e não ficava pisando em ninguém. Ele, curiosamente, entregou reformas, arrumou economia brasileira, resolveu problemas concretos e derrotou o Lula duas vezes no primeiro turno”, afirma Renan.
“Talvez esteja na hora da gente perder essa arrogância de achar que brigar na internet é o que vale e construir um projeto que vale a pena pro Brasil. É isso”.
Sem fraude
No segundo vídeo, desta segunda-feira, Renan pede para seus apoiadores e direitistas para não saírem nas ruas contra o resultado da eleição presidencial de 2026 e rejeita a ideia de que houve fraude no pleito.
“Vamos lá, meus amigos, não saia às ruas. Nem que elas [as urnas] tivessem sido fraudadas, não saia às ruas em nome de político que está ficando multimilionário, recebendo zilhões de votos enquanto ganha basicamente a vida dançando funk. Nós vimos agora uma massa de pessoas dançando funk nessas eleições, recebendo muitos votos. E agora o funkeiro de direita, Lucas Pavanato, está convocando manifestações para questionar o resultado das urnas”, afirma.
“Não corram riscos por pessoas que não estão correndo risco algum. A vida deles vai continuar igual, ninguém deles vai ser preso, continuarão ricos, famosos, fizeram campanha dentro de helicóptero, de jatinho em nome do Flávio Bolsonaro, enquanto você eventualmente pode se dar muito mal. Além disso, para entrar no mérito, não houve nenhuma urna fraudada, não houve nada disso“.
Ele continua: “Houve um crime cometido nessas eleições? Sim, agora na reta final, prefeitos estavam de maneira criminosa retirando de circulação transportes coletivos em regiões que afetavam seus adversários políticos. E há uma decisão do STF, a pedido tanto da campanha do Lula quanto do Flávio, que foi, vamos dizer, no mínimo controversa, mas que não altera o resultado das eleições e apenas demonstra que o STF se comporta de maneira errada muitas vezes”.
Renan afirma que “não houve fraude“. “Infelizmente ou felizmente, para quem quiser. Eu não estava lá no segundo turno, não pude alterar nada e o Lula venceu o Flávio muito bem mesmo, com 5 milhões de votos. Qualquer chororô agora apenas vai soar tosco e vai colocar a sua vida em risco. Pare de correr risco por malandro. Malandro. Esses deputados da direita colocaram um monte de gente na porta de quartel e as pessoas foram presas. Parem, não faça isso”.
A disputa entre Lula e Flávio foi marcada por forte polarização e terminou sob tensão após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) alterar o horário de votação no dia do pleito.
A vitória do petista representa uma virada em relação ao primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual.
Lula chega, assim, ao quarto mandato presidencial. Ele foi eleito pela primeira vez em 2002, reelegeu-se em 2006, voltou ao Planalto em 2023 e, agora, conquista mais quatro anos no cargo.
A campanha do segundo turno foi marcada menos pela apresentação de programas de governo e mais pela tentativa dos dois lados de elevar a rejeição ao adversário. Lula e Flávio trocaram acusações sobre corrupção, segurança pública, economia e suas respectivas trajetórias políticas.
A vitória de Lula
Lula recebeu 51,79% dos votos válidos no segundo turno (64.256.232), contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (59.826.041).
A disputa foi marcada por forte polarização e terminou sob tensão após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) alterar o horário de votação no dia do pleito.
A vitória do petista representa uma virada em relação ao primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual.
Lula chega, assim, ao quarto mandato presidencial. Ele foi eleito pela primeira vez em 2002, reelegeu-se em 2006, voltou ao Planalto em 2023 e, agora, conquista mais quatro anos no cargo.
A campanha do segundo turno foi marcada menos pela apresentação de programas de governo e mais pela tentativa dos dois lados de elevar a rejeição ao adversário. Lula e Flávio trocaram acusações sobre corrupção, segurança pública, economia e suas respectivas trajetórias políticas.
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