Paleontólogos ficam incrédulos ao encontrarem ovos de dinossauro de 72 milhões de anos
O estado dos fósseis chamou atenção e pode revelar detalhes raros sobre a reprodução desses animais
Em uma encosta de Poyos, na província espanhola de Guadalajara, quatro ovos ficaram juntos dentro da mesma camada de rocha por cerca de 72 milhões de anos. Os ovos de dinossauro pertencem a titanossauros, gigantes herbívoros de pescoço longo, e revelaram um tipo de ovo nunca descrito pela ciência. O ninho completo está exposto desde novembro de 2025 no Museu de Paleontologia de Castilla-La Mancha, em Cuenca.
Onde os ovos foram encontrados?
O sítio de Poyos fica na Formação Villalba de la Sierra, conjunto de rochas do fim do período Cretáceo no centro da Espanha. Segundo o Museu de Paleontologia de Castilla-La Mancha, o local guarda ninhadas e ovos completos em excelente estado, além de grande quantidade de fragmentos de casca.
A pesquisa foi conduzida por Fernando Sanguino, do grupo de Biologia Evolutiva da UNED, a universidade de ensino a distância da Espanha, sob direção do paleontólogo Francisco Ortega. As rochas datam do fim do Campaniano ao início do Maastrichtiano, poucos milhões de anos antes da extinção dos dinossauros não avianos.

O que torna o achado raro?
Em Poyos, dois tipos diferentes de ovo de titanossauro aparecem no mesmo nível de rocha. O registro do estudo na Universidade Complutense de Madri destaca que essa coexistência é rara no registro fóssil mundial fora da Índia. Os principais elementos do achado:
O que é um ootáxon e por que ele não nomeia o dinossauro?
Ovos sem embrião dentro não permitem saber com certeza qual espécie os botou. Por isso, os paleontólogos usam uma classificação paralela, chamada parataxonomia, que dá nomes aos tipos de ovo com base na casca, no tamanho e na estrutura.
Cada um desses tipos é um ootáxon. Litosoolithus poyosi, portanto, é o nome de um modelo de ovo, não de um dinossauro. O estudo o descreve como apenas o segundo ootáxon da família Fusioolithidae registrado na Europa.
Como os cientistas diferenciaram os dois tipos de ovo?
A equipe analisou ao microscópio os esferolitos, colunas de cristais que formam a casca, e os canais por onde passavam ar e umidade. O artigo publicado na revista Cretaceous Research aplicou testes estatísticos às medidas dessas estruturas para separar com segurança os dois grupos.
O cuidado é necessário porque cascas variam até dentro de uma mesma ninhada. A tabela abaixo separa o que o estudo demonstra do que ainda depende de novas pesquisas:
O que o achado muda no retrato da Europa antes da extinção?
Durante muito tempo, a Península Ibérica do fim do Cretáceo foi vista como lar de poucos tipos de saurópodes. A presença de dois modelos de ovo na mesma área reforça a ideia de que a região abrigava uma comunidade de titanossauros mais variada do que se pensava.
Os dados também permitem comparar Poyos com outros sítios da mesma idade na Espanha e no sul da França, conjunto que os pesquisadores chamam de região ibero-armoricana.
Os ovos podem ser vistos de perto em Cuenca
O ninho com os quatro ovos originais ocupa uma vitrine no primeiro andar do MUPA, inaugurada durante a Semana da Ciência de 2025, ao lado de um painel que explica a descoberta.
Para a equipe da UNED, o próximo passo é ampliar as escavações e comparar as cascas de Poyos com as de outros ninhais europeus. Cada fragmento novo ajuda a responder quantos tipos de titanossauro ainda viviam na região pouco antes do impacto que encerrou a era dos dinossauros.
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