Megaobra chinesa de R$ 18 bilhões começa a cruzar quase 1.500 km do Brasil para ligar o Maranhão ao Goiás
A nova rede vai atravessar diferentes regiões para reforçar o transporte de energia
Nas duas pontas de um corredor de quase 1.500 km, canteiros preparam as estações que vão converter energia para corrente contínua. A linha Graça Aranha-Silvânia, da chinesa State Grid, vai ligar o Maranhão a Goiás passando pelo Tocantins, com investimento estimado em R$ 18,1 bilhões. O sistema foi desenhado para levar a energia eólica e solar do Nordeste aos grandes centros consumidores do país.
O que é a linha Graça Aranha-Silvânia?
É uma linha de transmissão de ±800 quilovolts em corrente contínua, com 1.468 km entre as subestações de Graça Aranha (MA) e Silvânia (GO). Segundo o comunicado da State Grid Brazil Holding, o pacote inclui ainda as duas estações conversoras, trechos de 500 kV e equipamentos de compensação síncrona.
Somando todos os trechos, o lote tem 1.513 km de linhas. É o maior conjunto já leiloado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, a ANEEL.

Por que usar corrente contínua em ultra-alta tensão?
Em distâncias muito longas, a corrente contínua perde menos energia pelo caminho do que a corrente alternada usada nas tomadas. A tensão de 800 kV permite empurrar grandes blocos de eletricidade por um único corredor, com menos torres do que várias linhas paralelas exigiriam.
O sistema funciona como uma ponte com conversores nas duas cabeceiras:
Como a State Grid ficou com o contrato?
A empresa venceu o lote 1 do Leilão de Transmissão 2/2023, realizado em 15 de dezembro de 2023 na B3. A oferta foi uma Receita Anual Permitida de R$ 1,936 bilhão, valor que a concessionária recebe por ano para operar a linha, com deságio de 39,9% sobre o teto.
Segundo a homologação da ANEEL publicada pela revista O Setor Elétrico, o resultado foi aprovado em janeiro de 2024. A agência estimou 30.218 empregos diretos e fixou prazo de 72 meses para concluir o empreendimento.
Em que fase a obra está?
A fase de construção da linha começou com a Licença de Instalação nº 1563/2026, emitida pelo Ibama em 2 de junho de 2026. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, as obras nas duas subestações já estavam em andamento naquele momento.
O que muda para o sistema elétrico brasileiro?
O Nordeste concentra parques eólicos e solares que, em muitos momentos, geram mais do que a região consome. A ANEEL definiu o objetivo da obra como ampliar a interligação entre Nordeste e Centro-Oeste para escoar esses excedentes.
O ministério afirma que o corredor reforça a segurança e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional, a rede que conecta usinas e consumidores de quase todo o país. A corrente contínua já foi usada no Brasil para trazer energia de grandes hidrelétricas, como Itaipu e Belo Monte.
O cronograma aponta para o início da próxima década
Com o resultado homologado no começo de 2024 e prazo de 72 meses, a entrada em operação deve ocorrer por volta de 2030, se não houver atrasos. Até lá, a obra precisa erguer torres em três estados e concluir as conversoras, que são a parte mais complexa do sistema.
Quando estiver pronta, a linha terá a função de uma estrada expressa para a eletricidade: menos energia limpa desperdiçada no Nordeste e mais oferta para o Centro-Sul, onde fica a maior parte do consumo industrial do país.
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