Depois de chegar à falência com 54 lojas de moda, rede encerra todas as unidades e liquida a operação, porque a segunda tentativa de reorganização em poucos anos não conseguiu manter um negócio pressionado por custos e mudanças no varejo
A A'Gaci, do Texas, saiu da primeira reestruturação em 2018 com 55 lojas, mas voltou ao tribunal em 2019 e liquidou todas as unidades nos EUA e em Porto Rico
Em 7 de agosto de 2019, a rede americana de moda feminina A’Gaci voltou à Justiça de falências do Texas pela segunda vez em pouco mais de um ano e meio. Dessa vez, sem plano para seguir em frente: a empresa decidiu fechar as 54 lojas que ainda mantinha nos Estados Unidos e em Porto Rico e partir para a liquidação. O caso mostra como uma falência pode virar ponto final quando a primeira reorganização não resolve os problemas de um negócio do varejo de moda.
O que levou a A’Gaci a fechar todas as 54 lojas de moda?
A segunda falência da A’Gaci aconteceu porque a reorganização de 2018 não devolveu à rede o fôlego financeiro de que ela precisava. O novo pedido de proteção, feito sob o Capítulo 11 da lei americana, já previa encerrar e desmontar todas as unidades físicas da empresa, sediada em San Antonio.
Fundada em 1971, a rede vinha de anos difíceis. Segundo o comunicado do escritório Haynes and Boone, que representou a empresa na primeira reestruturação, os furacões Harvey, Irma e Maria fecharam temporariamente lojas lucrativas: 8 no Texas, 12 na Flórida e 4 em Porto Rico.
O modelo da A’Gaci dependia de lojas em shoppings, roupas a preço acessível e coleções renovadas em ritmo rápido. Esse formato disputa o cliente com o comércio eletrônico e com redes maiores, e custos fixos como aluguel e folha pesam mais quando o movimento cai. As grandes lojas de departamento americanas também sentiram essa mudança no comportamento de compra.
Como foi a primeira recuperação judicial da rede, em 2018?
A primeira recuperação judicial da A’Gaci começou em janeiro de 2018 e durou cerca de sete meses. O tribunal confirmou o plano em 27 de julho de 2018 e, segundo o escritório que conduziu o caso, 1.500 empregados mantiveram o emprego e 55 lojas continuaram abertas. A estratégia era concentrar a operação nas unidades mais rentáveis e nas vendas online, fechar pontos deficitários e refinanciar a dívida principal.

Pouco mais de um ano depois, a conta não fechou, e a rede voltou ao tribunal com uma loja a menos do que havia preservado. Outra varejista americana de roupas viveu um roteiro parecido de quebras repetidas, com desfecho igualmente drástico.
O que muda quando a falência vira liquidação nos Estados Unidos?
Quando a falência vira liquidação, a empresa desiste de se reorganizar e passa a vender o que tem para pagar os credores. No caso da A’Gaci, as vendas de encerramento começaram em 8 de agosto de 2019, conduzidas pelas empresas SB360 Capital Partners e Hilco Merchant Resources. A maior parte das lojas deveria fechar até o fim daquele mês, e o site de vendas também saiu do ar.
Pela explicação dos Tribunais Federais dos Estados Unidos sobre o Capítulo 11, esse é o mecanismo de reorganização, parecido com a recuperação judicial brasileira. A empresa continua no controle dos bens e propõe um plano para pagar as dívidas ao longo do tempo. O caso, porém, pode ser convertido para o Capítulo 7.

No Capítulo 7, um administrador independente vende os bens e distribui o dinheiro aos credores por ordem de prioridade, e empresas não recebem perdão das dívidas. Foi esse o caminho da A’Gaci: o processo passou a um administrador nomeado, que apresentou o relatório final ao Tribunal de Falências do Distrito Oeste do Texas.
Liquidação de loja exige atenção a trocas e vales-presente
A liquidação de encerramento atrai o consumidor com descontos, mas as condições da venda costumam mudar. Em lojas que vão fechar, é comum que a compra passe a ser definitiva, sem troca nem devolução. Créditos e vales pendentes também perdem utilidade quando as portas se fecham de vez.
O alerta vale para o Brasil, onde redes do varejo de moda e lojas de departamento também recorrem à recuperação judicial. Nesses processos, quem tem um produto não entregue ou um valor a receber pode precisar esperar o andamento do caso na Justiça para ser pago.
Se uma loja que você frequenta anunciar fechamento ou recuperação judicial, o melhor passo é agir logo. Use vales-presente e créditos de troca o quanto antes, guarde as notas fiscais e pergunte, antes de pagar, se a compra admite troca. Se der problema, procure o Procon da sua cidade com os comprovantes em mãos.
Outras redes americanas também fecharam lojas depois de perder apoio financeiro. Uma delas é uma rede de supermercados orgânicos que desmontou quase toda a operação em 2020.
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