Uma estrela-do-mar conhecida por devastar corais pode ajudar o recife quando aparece na quantidade certa: o predador abre espaço e aumenta a diversidade
Pesquisa australiana revela que populações pequenas de coroas-de-espinhos podem favorecer o equilíbrio entre diferentes espécies de corais
A estrela-do-mar coroa-de-espinhos, famosa por destruir recifes de coral, também pode desempenhar um papel ecológico positivo. Pesquisadores da Universidade de Sydney descobriram que, em populações pequenas, esse predador frequentemente deixa corais vivos após se alimentar, podendo limitar espécies dominantes e favorecer uma comunidade marinha mais diversificada.
Por que a estrela-do-mar coroa-de-espinhos nem sempre prejudica os recifes?
A coroa-de-espinhos (Acanthaster spp.) é um predador natural dos recifes do Indo-Pacífico. Seu corpo apresenta numerosos braços e espinhos venenosos. Para se alimentar, ela projeta o estômago sobre a superfície dos corais, digerindo seus tecidos e deixando marcas claras no esqueleto calcário.
Durante explosões populacionais, milhares desses animais podem consumir grandes extensões de coral vivo. Entretanto, a presença de poucos indivíduos produz um cenário diferente. Em vez de eliminar colônias inteiras, cada estrela-do-mar pode consumir apenas uma parte delas, permitindo que tecidos sobreviventes continuem crescendo e ocupando o ambiente.
O que a pesquisa revelou sobre a estrela-do-mar coroa-de-espinhos?
Os pesquisadores acompanharam marcas de alimentação deixadas por indivíduos isolados no recife de One Tree Island, na Grande Barreira de Corais australiana. A região possui áreas protegidas e populações relativamente pequenas desse predador, permitindo investigar seu comportamento fora das grandes explosões populacionais.
A equipe observou que muitas colônias permaneciam parcialmente vivas após os ataques. Os resultados mostraram diferenças importantes entre os gêneros de corais examinados. Cinco observações resumem a descoberta:
- Aproximadamente 72% das marcas apresentavam tecidos vivos remanescentes;
- O tamanho médio das áreas consumidas não variou significativamente entre as estações;
- Algas começaram a colonizar rapidamente os esqueletos expostos;
- Após 22 semanas, 26% das marcas apresentavam sinais de regeneração;
- A recuperação ocorreu principalmente em corais do gênero Montipora.
Como a alimentação seletiva da estrela-do-mar pode favorecer a diversidade?
Os recifes apresentam competição constante por espaço e luz. Alguns corais, como determinadas espécies de Acropora, crescem rapidamente e podem ocupar grandes áreas. Outros, incluindo representantes de Montipora e Porites, possuem estratégias de crescimento e recuperação diferentes.
Quando uma coroa-de-espinhos remove parte dos tecidos de espécies dominantes, pode reduzir temporariamente sua vantagem competitiva. Isso abre oportunidades ecológicas para outros organismos. A hipótese é compatível com o conceito de perturbação intermediária, segundo o qual distúrbios moderados podem ajudar a manter a diversidade de determinadas comunidades.
Quais evidências científicas demonstraram que parte dos corais sobrevive?
O estudo foi liderado por Shawna Andrea Foo, da Universidade de Sydney, com participação de Matthew Clements, Adi Zweifler, Georgie Eggleton, Hayden Millican e Maria Byrne. Publicado em 23 de setembro de 2026 na revista Ecology and Evolution, o artigo científico original examinou a recuperação de corais após episódios individuais de alimentação.
As marcas foram acompanhadas durante aproximadamente cinco meses. Os pesquisadores observaram que os tecidos sobreviventes frequentemente permaneciam nas bordas das áreas consumidas. Entretanto, nem todas as espécies apresentaram a mesma capacidade regenerativa: corais Montipora demonstraram recuperação, enquanto marcas em Acropora continuaram ocupadas por algas. Os resultados sustentam um possível benefício ecológico, mas não mediram diretamente um aumento geral da diversidade do recife.

O que diferencia uma população equilibrada de uma explosão de estrelas-do-mar?
A principal diferença está na intensidade da predação. Quando poucos indivíduos se alimentam de maneira dispersa, as lesões tendem a permanecer localizadas. Com uma população excessivamente numerosa, ataques sucessivos podem eliminar colônias inteiras e dificultar a recuperação.
A presença de predadores naturais também influencia esse equilíbrio. Peixes recifais e outros animais ajudam a limitar a quantidade de coroas-de-espinhos, reduzindo o risco de surtos destrutivos.
| Característica | Baixa densidade | Explosão populacional |
|---|---|---|
| Alimentação | Ataques isolados | Consumo intenso |
| Sobrevivência dos corais | Tecidos frequentemente preservados | Alta mortalidade |
| Diversidade | Possível favorecimento | Risco de redução |
| Manejo | Monitoramento | Controle direcionado |
Como a descoberta poderá mudar a conservação da Grande Barreira de Corais?
O estudo sugere que eliminar completamente as coroas-de-espinhos não deve ser necessariamente o objetivo de todos os programas de manejo. Em populações pequenas, esses animais podem integrar o funcionamento natural dos recifes, exercendo pressão sobre corais competitivamente dominantes.
Entretanto, a pesquisa não determina uma quantidade universalmente segura de estrelas-do-mar. O limite depende da cobertura coralínea, dos predadores presentes e das condições ambientais. Novos levantamentos deverão avaliar os efeitos sobre a diversidade ao longo de períodos maiores, enquanto programas de controle continuam essenciais para conter surtos capazes de devastar os recifes.
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