EUA cancelam vistos de autoridades da Colômbia e da Bolívia
Washington acusa os afetados de vínculos com narcotráfico e corrupção; lista inclui ex-presidente da Ecopetrol e ex-procurador boliviano
O governo dos Estados Unidos cancelou nesta quinta-feira, 22, os vistos de mais de 60 autoridades, servidores e figuras públicas da Colômbia e da Bolívia.
O Departamento de Estado os associa a redes de tráfico de drogas e a casos de corrupção. São 21 colombianos e 40 bolivianos, que ficam impedidos de entrar ou de transitar pelo território americano.
O secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou a medida em comunicado: “Hoje, o Departamento de Estado está ampliando sua campanha contra a corrupção e o tráfico de drogas em nossa região”.
Nomes na Colômbia
Entre os colombianos atingidos está Ricardo Roa Barragán, ex-presidente da petrolífera estatal Ecopetrol. Ele também coordenou a campanha de Gustavo Petro, de esquerda, eleito presidente em 2022.
A lista traz ainda Yahir Acuña, prefeito de Sincelejo, capital do departamento de Sucre, no Caribe colombiano. Outro nome é o de Wadith Manzur, senador eleito que não tomou posse porque a Justiça mandou prendê-lo em março.
Nomes na Bolívia
Os 40 bolivianos incluem os juízes Julio Alba Flores e Aldo Quezada, ambos de Santa Cruz, além de legisladores. Também perdeu o visto o ex-procurador-geral Juan Lanchipa Ponce.
Outros dois nomes aparecem no anúncio: Julio César Porras Velarde, procurador coordenador da Unidade de Substâncias Controladas de Santa Cruz, e Rony Suárez Milliet. Este último é investigado no âmbito de apurações internacionais sobre o narcotraficante uruguaio Sebastián Marset.
No fim de setembro, Washington já havia cancelado os vistos de outros 20 altos funcionários bolivianos. Um deles era o procurador-geral, Roger Mariaca, preso pela polícia pouco depois.
A aliança regional
Rubio lembrou que os líderes da aliança Escudo das Américas, promovida pelo presidente Donald Trump, concordaram em multiplicar os esforços conjuntos contra o crime organizado no continente. O grupo reúne 19 parceiros regionais, entre eles os próprios Estados Unidos, comprometidos a ajudar a desmantelar cartéis. O lema oficial é: “Fazemos coisas ruins com pessoas ruins”.
A Colômbia aderiu ao Escudo das Américas logo após a posse do presidente Abelardo de la Espriella, de direita, que venceu a eleição de agosto.
Ao voltar à Casa Branca, Trump assinou decreto que classificou grandes cartéis e grupos criminosos latino-americanos como organizações terroristas. A lista inclui as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
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