Disputa pelo governo do Espírito Santo vira embate entre velha e nova política
O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) chega como favorito na reta final da eleição contra o atual governador Ricardo Ferraço (MDB)
Durante as eleições deste ano, um embate que ficou latente foi o entre a nova e a velha política. O segundo turno do governo do Espírito Santo é uma metáfora dessa dicotomia.
O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) chega como favorito na reta final da eleição contra o atual governador Ricardo Ferraço (MDB).
Pazolini terminou o primeiro turno na liderança, com 1.048.633 votos, ou 49,65% dos válidos. Ferraço recebeu 719.397 votos, equivalentes a 34,06%. O petista Helder Salomão ficou em terceiro, com 15,32%.
Levantamento da Paraná Pesquisas divulgado em 21 de outubro mostrou o ex-prefeito com 56,8% dos votos válidos, contra 43,2% de Ferraço.
Ferraço assumiu o Palácio Anchieta em abril, depois que Renato Casagrande (PSB) deixou o cargo para disputar o Senado. Antes disso, havia sido vice-governador de Casagrande. A associação com o ex-governador foi um dos principais pontos explorados pelo adversário.
Pazolini tentou se colocar como o candidato da mudança e apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), em um estado que começa a ser mais alinhado à Direita que à Esquerda, apesar das últimas administrações do PSB.
Economia e segurança na campanha ao governo do Espírito Santo
A reforma tributária foi um dos principais temas econômicos do segundo turno.
Pazolini afirmou ao longo do segundo turno que o Espírito Santo corria risco de perder arrecadação com a mudança do sistema tributário, especialmente por causa da transição da cobrança do ICMS para o destino e do fim de mecanismos de incentivo utilizados pelo Estado.
Em debate no primeiro turno, o republicano estimou uma perda de R$ 6 bilhões a R$ 8 bilhões e defendeu o turismo como uma das alternativas para compensar a mudança do modelo de tributação.
Já Ferraço alegou que o estado estava entre aqueles mais preparados para a transição.
Outro tema que dominou a campanha foi a segurança pública.
Pazolini, delegado de polícia, construiu parte de sua carreira política em torno do discurso de combate à criminalidade. No plano de governo, prometeu reforçar as forças de segurança, ampliar a estrutura policial e investir em presídios e hospitais.
Durante a campanha, ele também defendeu posições associadas à direita conservadora, incluindo críticas às penas impostas pelo STF aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Apesar de ser mais alinhado à esquerda, Ferraço fez acenos à direita ao abordar temas como redução da maioridade penal e endurecimento no combate ao crime organizado.
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