Uma fazenda de algas pode desaparecer antes de compensar carbono suficiente: projeção aponta risco para 25 milhões de hectares até 2050
Estudo alerta que o aquecimento ameaça milhões de hectares de florestas submarinas e mostra por que conservar ecossistemas existentes pode ser mais eficaz
As florestas de kelp podem perder 25 milhões de hectares até 2050 devido às mudanças climáticas. Um estudo publicado em setembro de 2026 alerta que o aquecimento dos oceanos está destruindo esses ecossistemas mais rapidamente do que os programas de restauração conseguem recuperá-los, comprometendo estratégias de captura de carbono baseadas em algas marinhas.
Por que as florestas de kelp estão desaparecendo tão rapidamente?
As florestas de kelp são formadas por grandes algas pardas que crescem em águas costeiras, principalmente em regiões temperadas. Elas oferecem abrigo para peixes, invertebrados e outros organismos, além de absorver dióxido de carbono durante a fotossíntese. Parte desse carbono pode alcançar sedimentos e águas profundas, permanecendo armazenada por períodos prolongados.
Entretanto, ondas de calor marinhas estão provocando perdas extensas dessas florestas naturais. Temperaturas elevadas prejudicam o crescimento das algas e favorecem alterações ecológicas que dificultam sua recuperação. Em algumas regiões, espécies herbívoras também contribuem para impedir o retorno da vegetação, transformando antigas florestas submarinas em ambientes com cobertura vegetal reduzida.
O que a projeção de 25 milhões de hectares revela sobre o kelp?
Pesquisadores estimaram que aproximadamente 25 milhões de hectares de florestas naturais de kelp poderão desaparecer até 2050, caso persistam as tendências de perda associadas ao aquecimento. A projeção não significa que essa extensão já tenha desaparecido nem que todas as áreas estejam destinadas inevitavelmente à destruição.
O contraste com os programas de recuperação chamou a atenção: desde 1958, aproximadamente 4.200 hectares foram restaurados globalmente, segundo a estimativa utilizada pelos autores. A perda projetada corresponde a mais de seis mil vezes essa superfície. Cinco resultados resumem a avaliação:
- Até 25 milhões de hectares podem desaparecer até 2050;
- Cerca de 4.200 hectares foram restaurados desde 1958;
- A perda projetada supera a restauração em aproximadamente 6.000 vezes;
- O declínio compromete a remoção natural de dióxido de carbono;
- Proteger florestas existentes pode evitar perdas maiores.

Como o aquecimento reduz a capacidade das algas de armazenar carbono?
As algas retiram dióxido de carbono da água durante a fotossíntese, incorporando carbono aos seus tecidos. Parte desse material é consumida, decomposta ou transportada pelas correntes. Quando fragmentos alcançam ambientes onde permanecem isolados da atmosfera por longos períodos, podem contribuir para o armazenamento climático de carbono.
O aquecimento interfere nesse processo de duas maneiras. Primeiro, reduz a extensão e a produtividade das florestas. Segundo, pode acelerar a decomposição da matéria orgânica antes que ela alcance reservatórios duradouros. Experimentos indicam reduções entre 9% e 42% no potencial de exportação e armazenamento prolongado de carbono, dependendo das condições e dos cenários climáticos analisados.
Quais evidências científicas sustentam o alerta sobre as florestas marinhas?
A análise foi conduzida por Karen Filbee-Dexter, Albert Pessarrodona, Kira Krumhansl e Thomas Wernberg, pesquisadores ligados a instituições da Austrália, Canadá e Noruega. Publicado em 8 de setembro de 2026 na revista PLOS Biology, o estudo científico original reuniu pesquisas anteriores sobre perda florestal, restauração e armazenamento de carbono.
Os autores estimaram que o declínio dessas florestas pode comprometer entre 1,5 milhão e 30 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Os valores representam diferentes cenários e métodos de cálculo, não emissões diretamente medidas. O trabalho é uma análise de evidências existentes, com incertezas relacionadas ao mapeamento global e ao destino final do carbono.
Por que proteger florestas existentes pode ser melhor do que reconstruí-las?
Uma floresta estabelecida já possui organismos associados, estruturas ecológicas complexas e capacidade de produzir biomassa continuamente. Restaurar esse ambiente exige recuperar algas, controlar ameaças e garantir condições favoráveis ao crescimento. Mesmo projetos tecnicamente bem-sucedidos podem enfrentar novas ondas de calor antes de recuperar suas funções ecológicas.
Os pesquisadores destacam que a escala dos projetos atuais permanece muito inferior à destruição projetada. Além disso, cultivar algas não garante remoção permanente de carbono, pois parte da biomassa pode se decompor e devolver dióxido de carbono ao ambiente.
| Indicador | Estimativa |
|---|---|
| Perda potencial até 2050 | 25 milhões de hectares |
| Área restaurada desde 1958 | 4.200 hectares |
| Diferença de escala | Mais de 6.000 vezes |
| Carbono comprometido anualmente | 1,5 a 30 milhões de toneladas de CO₂ |
Como as estratégias climáticas podem evitar novas perdas de kelp?
Os resultados sugerem priorizar a conservação das florestas naturais, reduzir pressões locais e proteger áreas mais resistentes ao aquecimento. Medidas como controle da poluição e recuperação de populações ecológicas importantes podem melhorar as condições de sobrevivência desses ecossistemas.
A restauração continua valiosa para a biodiversidade e a recuperação costeira, mas não deve ser apresentada automaticamente como compensação das emissões industriais. A permanência do carbono armazenado precisa ser demonstrada, e as projeções ainda possuem incertezas. Sem reduzir as emissões responsáveis pelo aquecimento oceânico, novas florestas poderão enfrentar os mesmos riscos que estão destruindo as existentes.
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