Flávio tira do X posts em que criticava o Bolsa Família
Mensagens de 2010 e 2011 associavam o programa à troca de votos; PT usa a exclusão na campanha, a cinco dias do segundo turno
Publicações que associavam o Bolsa Família a voto em troca de benefício não aparecem mais no perfil de Flávio Bolsonaro (PL) no X. A retirada foi verificada pelo jornal O Estado de S. Paulo, em reportagem divulgada nesta terça-feira, 20.
O senador disputa a Presidência com Lula (PT) no segundo turno, no domingo, 25. A campanha não respondeu ao pedido de posicionamento enviado por email até a publicação do texto.
O que as mensagens diziam
O jornal baixou em junho todo o histórico de postagens de Flávio na rede e o comparou com o conteúdo atualmente disponível. Foi assim que identificou as exclusões.
Em novembro de 2011, quando era deputado estadual no Rio, Flávio publicou mensagens para justificar seu voto contra um programa do governo fluminense. A proposta pagaria até R$ 300 a quem já recebia o benefício federal.
Em uma delas, escreveu:“Fui o único voto contra na @alerj [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro] ao projeto ‘Renda Melhor’, [que] chamei de ‘bolsa-farelo’, pelo seu caráter clientelista eleitoral”.
A expressão apareceu em mais de uma ocasião. Em março de 2010, ele havia escrito: “3% da população tem ensino superior, 30 milhões recebem bolsa-família, 80% dos eleitores votam em troca de alguma coisa”.
Em abril do mesmo ano, publicou: “Enquanto se trocar voto por cesta básica, bolsa-família e esmola o Brasil não vai para frente”.
Ele também compartilhou uma notícia intitulada “Governo faz acordo com oposição e aprova reajuste do Bolsa Família”. A reportagem não informa a data. O comentário do então parlamentar foi: “Financiamento púb [público] de campanha do pt!”.
Reação do PT e debate sobre a proposta
Aliados de Lula passaram a usar a exclusão nas redes sociais. O perfil do PT no X afirmou que as postagens mostrariam que o senador não apoiaria o programa. A mensagem terminava assim: “Você não engana ninguém, Flávio”.
Na mesma semana, uma declaração de Daniella Marques, coordenadora-geral do plano econômico do candidato, teve repercussão negativa. Interpretou-se que Flávio defenderia limitar o tempo de recebimento do benefício.
Segundo Daniella, o senador propõe, se eleito, ampliar para dois anos a regra de transição de quem passa a ter renda maior, seja por emprego formal, seja por negócio próprio.
A regra de proteção já existe. Ela garante 50% do valor do Bolsa Família por 18 meses a quem ultrapassa R$ 218 de renda domiciliar por pessoa. Até 2025, o prazo era de 24 meses.
Flávio e Daniella publicaram vídeos em que classificam as acusações como notícias falsas, espalhadas pela campanha petista: “O que estou fazendo de proposta é para incentivar você, caso queira, quando arrumar um emprego de carteira assinada, você continua recebendo o Bolsa Família por até dois anos”.
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