Um pescador resgatou um filhote de tubarão que caiu de um navio cargueiro com quase 5 milhões de Lego em suas redes em 1997: 27 anos depois, o brinquedo é vendido em leilão por 490 euros
Uma onda gigante atingiu um navio cargueiro em 1997 e provocou a queda de quase 5 milhões de peças de LEGO no mar.
Uma onda gigante atingiu um navio cargueiro em 1997 e provocou a queda de quase 5 milhões de peças de LEGO no mar.
Quase três décadas depois, brinquedos em forma de polvos, tubarões e dragões ainda aparecem em praias do Reino Unido, transformando um acidente marítimo em um mistério persistente e em um alerta sobre a poluição causada pelo plástico.
Como uma onda gigante lançou milhões de peças de LEGO no oceano?
Em 13 de fevereiro de 1997, o cargueiro Tokio Express seguia de Roterdã, na Holanda, para Nova York, quando foi atingido por uma onda excepcionalmente forte perto da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra. O navio inclinou violentamente, e 62 contêineres foram parar no mar.
Um deles transportava 4.756.940 peças de LEGO. O inventário incluía milhões de brinquedos, muitos deles inspirados no ambiente marinho. O acidente ficou conhecido como o grande derramamento de LEGO e continua deixando vestígios no litoral britânico.
The World Shipping Council has released its annual Containers Lost at Sea Report, showing that an estimated 1,478 containers were lost at sea in 2025. The 2025 figure is an increase from the 576 containers lost in 2024. One major vessel loss accounted for 640 containers. As an aside, there were nearly five million pieces of Lego inside a container lost overboard from the Tokio Express in 1997.
— Lego Lost At Sea (@LegoLostAtSea) June 26, 2026
Quais peças de LEGO e outros brinquedos raros foram parar no fundo do mar?
A carga continha peças que hoje são procuradas por colecionadores. A coincidência é que muitos dos brinquedos representavam justamente animais e equipamentos relacionados ao oceano.
Entre os itens perdidos estavam:
Quais brinquedos raros foram parar no fundo do mar?
A carga perdida em 1997 transportava milhares de peças temáticas. Algumas continuam aparecendo nas praias quase três décadas depois.
Pares de nadadeiras
Acessórios utilizados pelos mergulhadores de brinquedo.
Cilindros de mergulho
Equipamentos em miniatura que faziam parte do conjunto temático.
Polvos pretos
Figuras especialmente raras entre as peças perdidas no oceano.
Tubarões
Modelos em tons de cinza-escuro e cinza-claro.
Dragões e acessórios
Dragões acompanhados de espadas e outros itens da carga.
Os números representam categorias específicas da carga perdida. O total corresponde à quantidade de peças de LEGO registrada para o acidente, não à soma apenas dos cinco itens destacados.
As peças tiveram destinos diferentes: algumas flutuaram e foram levadas pelas correntes, enquanto outras afundaram e podem continuar no fundo do mar.
Por que as peças continuam aparecendo nas praias depois de tantos anos?
As correntes marítimas transportam os brinquedos por longas distâncias, levando parte deles até praias da Cornualha e de outras regiões. Desde o acidente, moradores, pescadores e voluntários encontram peças desgastadas pela água e pela areia.
A britânica Tracey Williams criou o projeto Lego Lost at Sea para registrar as descobertas e acompanhar a trajetória desses objetos. O trabalho ajuda a documentar como resíduos plásticos podem se espalhar pelo oceano durante décadas.

Como um tubarão de LEGO virou uma peça de colecionador?
Em agosto de 2024, o pescador Richard West encontrou um pequeno tubarão de plástico em suas redes, a cerca de 32 quilômetros da costa de Penzance. A peça fazia parte da carga perdida em 1997 e havia passado aproximadamente 27 anos no mar.
O brinquedo foi apelidado de Sharky e acabou leiloado em 30 de outubro de 2025, em Plymouth. Apesar de ter sido avaliado inicialmente entre 57 e 114 euros, foi arrematado por 490 euros. Parte do dinheiro foi destinada a instituições beneficentes.
Quanto tempo uma peça de LEGO pode sobreviver no mar?
O aspecto mais preocupante dessa história vai além dos brinquedos encontrados. Um estudo publicado em 2020 na revista Environmental Pollution, conduzido por pesquisadores da Universidade de Plymouth, analisou peças recolhidas em praias britânicas.
Os resultados indicaram que uma peça de LEGO pode levar entre 100 e 1.300 anos para se degradar no ambiente marinho, dependendo de fatores como as condições ambientais e o material. Os pesquisadores também observaram desgaste, descoloração e fragmentação em algumas amostras.
Isso significa que o acidente de 1997 não representa apenas uma curiosidade para colecionadores. As peças que ainda aparecem na areia são um lembrete de que o plástico descartado no oceano pode persistir por períodos extremamente longos e, ao se fragmentar, contribuir para a formação de microplásticos.
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