Nova York põe placa honorária do Homem-Aranha numa esquina do Queens, a passos do endereço de Peter Parker nos gibis, com o sobrinho de Steve Ditko
Placa "Spider-Man Way" foi descerrada em 12 de outubro em Forest Hills; a Ingram Street mantém o nome oficial e ganha só a homenagem extra
O Homem-Aranha ganhou uma rua em Nova York, ou quase isso. Na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, uma placa com os dizeres “Spider-Man Way” foi descerrada no cruzamento da Ingram Street com a Ascan Avenue, em Forest Hills, bairro do Queens, segundo o jornal local QNS, que acompanhou a cerimônia em Forest Hills. O ponto fica a poucos passos do número 20 da Ingram Street, endereço que um gibi de 1989 apontou como a casa de Peter Parker, de acordo com a mesma reportagem.
A homenagem é um co-naming, nome honorário que se soma ao original. A Ingram Street continua sendo Ingram Street nos mapas, nos documentos e nas cartas do correio. O que muda é a placa extra, que transforma uma esquina residencial num ponto de peregrinação para fãs do personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko.
Uma cerimônia com o sobrinho de Ditko
Entre os presentes estava Mark Ditko, sobrinho de Steve Ditko, o desenhista que deu ao herói o uniforme, a máscara e boa parte da personalidade. Ele aparece na foto da cerimônia publicada pelo QNS ao lado de Nick Lowe, editor dos quadrinhos do Homem-Aranha na Marvel. Ditko lembrou, segundo o jornal, que o tio se esforçou para definir Peter Parker como uma pessoa comum vinda de um bairro comum, e resumiu o alcance do personagem numa frase curta: milhões de crianças e adultos já vestiram aquela máscara.

Lowe, que se apresentou como morador do Queens, disse ao QNS que a editora não poderia estar mais contente em ver aquela ligação se tornar permanente. Também brincou que encontra versões da tia May e do tio Ben por todo canto do distrito.
A lista de autoridades foi longa para uma placa de rua. O QNS cita a presidente do Conselho Municipal, Julie Menin, o presidente do distrito do Queens, Donovan Richards, a deputada federal Grace Meng, o deputado estadual Andrew Hevesi, o senador estadual Leroy Comrie e a promotora distrital do Queens, Melinda Katz, além de representantes da Disney e da Marvel. Como a data caiu no Columbus Day, feriado nos Estados Unidos, dezenas de crianças sem aula apareceram, várias delas fantasiadas de Homem-Aranha.
A lei que levou o Homem-Aranha à placa de rua
A proposta partiu da vereadora Lynn Schulman, que representa a região no Conselho Municipal e apresentou o projeto depois de uma campanha do deputado estadual Sam Berger, de acordo com o QNS. Schulman disse na cerimônia que o Homem-Aranha se entrelaçou ao tecido de Forest Hills e do Queens. Berger chamou a rua de lar adequado para o personagem.
Segundo a revista Time Out New York, a designação fez parte de uma lei municipal sancionada em 30 de julho que deu nomes honorários a 103 vias e espaços públicos da cidade de uma só vez. É assim que o processo costuma funcionar em Nova York. Pela descrição publicada pelo Conselho Comunitário 11 de Manhattan sobre o processo de co-naming, a rua mantém o nome original, o pedido passa antes por audiência pública no conselho do bairro e só então segue para votação no Conselho Municipal pelas mãos do vereador da área.
A curiosidade fica por conta do homenageado. Placas honorárias costumam lembrar pessoas de carne e osso ligadas ao bairro. Desta vez, o escolhido nunca existiu, mas tem endereço conhecido.
O endereço de Peter Parker em Forest Hills
Forest Hills sempre foi o bairro do Homem-Aranha nos quadrinhos, e a ideia de um adolescente comum do Queens é parte central do personagem. O número 20 da Ingram Street ficou associado a Peter Parker por causa de uma história de 1989, segundo o QNS e a emissora KEYT, que também noticiou a homenagem e credita o detalhe ao editor Nick Lowe. Nenhuma das duas reportagens identifica qual revista trouxe o endereço.
As reportagens sobre a cerimônia não dizem nada sobre o imóvel real que ocupa esse número nem sobre quem mora ali. A placa honorária não foi colocada na porta de casa nenhuma, e sim no cruzamento mais próximo. Para quem pensa em visitar, o recado prático é simples: a foto com a placa está liberada; incomodar os moradores da rua, não.
Placa de rua para herói de gibi parece piada até a gente lembrar que muita gente conhece Forest Hills justamente por causa dele.
Como funciona a homenagem de rua no Brasil
No Brasil, uma placa como a de Forest Hills esbarraria em regras diferentes. Em âmbito federal, a Lei 6.454, de 1977, que proíbe dar nome de pessoa viva a bens públicos da União, foi ampliada pela Lei 12.781, de 2013, para vetar também nomes de quem se notabilizou pela defesa ou exploração de mão de obra escrava. Essa regra federal vale para bens da União e da administração indireta, enquanto o nome das ruas é assunto de cada município.
Em São Paulo, por exemplo, a Lei municipal 14.454, de 2007, que organiza a denominação de vias e logradouros na capital paulista, veda batizar via ou logradouro com nome de pessoa viva e exige, como regra, nomes em língua portuguesa, com exceções para brasileiros de origem estrangeira e para quem prestou serviços ao município, ao país ou à humanidade. O texto não trata de personagens de ficção. A lei também protege denominações consagradas pela tradição da cidade, como as ligadas a datas históricas ou à localização geográfica.
Outra diferença está no formato. O modelo de nome honorário somado ao oficial, comum em Nova York, não aparece na lei paulistana. Por aqui, a troca de nome de rua costuma ser uma troca de fato, com impacto em endereço, cadastro e correspondência, o que explica por que esse tipo de projeto gera tanta discussão nas câmaras municipais.
O que acontece agora
A esquina da Ingram Street com a Ascan Avenue entra para o roteiro de fãs que já visitam Nova York atrás de cenários de filmes e quadrinhos. O Homem-Aranha e a Marvel divulgaram nas contas oficiais um vídeo da cerimônia, segundo a KEYT, o que deve aumentar o movimento de curiosos no bairro.
Para os moradores, o efeito prático é pequeno: endereço, CEP americano e documentos seguem iguais. A homenagem também conversa com a fama do personagem como o herói do bairro, aquele que já apareceu em histórias reais de gente fantasiada ajudando no trânsito, como no caso do fã vestido de Homem-Aranha que parou carros para socorrer um cadeirante. No cinema, a franquia segue rendendo bastidores, como o da atriz que contou como reagiu ao saber que tinha ficado fora da edição final de um filme do herói.
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