O problema de Felca não é Flávio Bolsonaro
Influenciador publica vídeo sobre fobia social no Dia do Combate ao Bullying e acaba virando alvo de 'bullying' virtual dos apoiadores de Lula
O influenciador Felca (foto) escolheu o Dia de Combate ao Bullying para interromper um hiato de sete meses nas redes sociais compartilhar em detalhes sua própria história de sofrimento, que o levou a desenvolver fobia social. O resultado foi uma campanha espontânea de bullying virtual dos apoiadores da reeleição de Lula, que esperavam um vídeo contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A fobia eleitoral que acomete os lulistas alimenta uma campanha de cobrança e constrangimento de personalidades públicas para se posicionar em favor da reeleição do presidente, na esperança de virar votos para o petista no segundo turno contra o filho 01 de Jair Bolsonaro.
O caso que mais chamou atenção foi o do cantor João Gomes. O músico permaneceu calado diante das pressões para se posicionar, e sua mulher, a influenciadora Ary Mirelle, apareceu para defendê-lo, dizendo que o posicionamento do marido em 2022 lhe trouxe problemas, como depressão.
Depressão e ameaças
“Quero te explicar que da última vez que João se posicionou em uma eleição, ele foi extremamente cancelado, tem que ouvir coisas horríveis até hoje, e até hoje também ele toma antidepressivos fortes, porque se não tomar, ele nem consegue levantar para trabalhar. João tem uma depressão e é mais difícil do que vocês imaginam, precisa ser acompanhado”, disse a influenciadora em uma das várias postagens que cobravam posicionamento do cantor.
Segundo ela, os dois estavam recebendo ameaças aos filhos:
“João hoje tem dois filhos. Recebemos mensagens de pessoas ameaçando nossos filhos (dois bebês) todos os dias. Nós não estamos contra o Brasil, nós não estamos contra o Nordeste. João sempre exalta a bandeira dele, João sempre exalta a bandeira dele, João sempre exalta de onde veio.”
Apesar de tudo isso, Gomes, que tinha puxado um grito contra Jair Bolsonaro em 2022 no Rock in Rio, acabou se posicionando, indicando voto em Lula, sem mencionar diretamente o petista, usando boa parte dos chavões dos apoiadores do presidente, como o apoio à “democracia”.
Democracia?
É questionável se a declaração de apoio de artistas e figuras públicas de fato influencia em votos, mas não resta qualquer dúvida de que esse tipo de pressão e coação não tem nada de democrático.
As redes sociais permitiram que as pessoas se manifestem e participem de forma mais intensa das eleições, mas isso acabou se tornando um canal para expor as contradições em seus discursos.
O escracho de Felca e João Gomes, entre tantos outros, não advoga nada em favor de Lula, e aproxima demais seus eleitores daquilo que eles tanto alegam combater.
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