Um peixe que parece ter parado no tempo voltou ao rio: criadores soltaram pela primeira vez filhotes de gar tropical nascidos em cativeiro
Após sete anos de trabalho, pesquisadores conseguem reproduzir peixe de linhagem pré-histórica e devolvem mil filhotes à natureza na Guatemala
O gar tropical, peixe de aparência pré-histórica que habita rios e lagoas da América Central, ganhou uma nova oportunidade de conservação na Guatemala. Após sete anos de trabalho, pesquisadores conseguiram reproduzir a espécie sob cuidados humanos e devolver mil filhotes à natureza em setembro de 2026.
Por que o gar tropical entrou em um programa de reprodução na Guatemala?
Conhecido localmente como machorra ou pejelagarto, o Atractosteus tropicus pertence a uma linhagem de peixes com mais de 100 milhões de anos de história evolutiva. Seu corpo alongado, focinho semelhante ao de um jacaré e escamas resistentes explicam a aparência frequentemente descrita como pré-histórica.
Apesar dessa ancestralidade, a espécie enfrenta ameaças nos ambientes aquáticos guatemaltecos, incluindo pesca ilegal, poluição e alterações nas condições de rios e lagoas. Por isso, o Centro de Conservação Marina, em parceria com o Zoológico La Aurora, iniciou um programa para desenvolver técnicas de reprodução e fortalecer a proteção das populações locais.
Como os pesquisadores conseguiram reproduzir os peixes em cativeiro?
O projeto exigiu aproximadamente sete anos de tentativas e aperfeiçoamento das condições de manejo. Os responsáveis trabalharam com reprodutores mantidos em instalações controladas, acompanhando a produção de ovos, o nascimento e o crescimento dos filhotes.
O resultado chegou em setembro de 2026, quando os primeiros animais foram preparados para a soltura. Cinco informações ajudam a compreender o acontecimento:
- A reprodução ocorreu no Centro de Conservação Marina, em Taxisco;
- O Zoológico La Aurora participou como parceiro técnico;
- Mil filhotes foram destinados à reintrodução;
- Os juvenis mediam aproximadamente três a quatro centímetros;
- A soltura aconteceu na lagoa Güiscoyol, conectada ao Canal de Chiquimulilla.

Por que o gar tropical é considerado um fóssil vivo?
O grupo dos gars preserva características anatômicas encontradas em parentes que viveram há milhões de anos. Entre elas estão o corpo revestido por escamas ganoides, bastante resistentes, e as mandíbulas alongadas, adaptadas à captura de presas aquáticas.
Outra particularidade é sua capacidade de respirar ar atmosférico utilizando uma bexiga natatória vascularizada. Essa adaptação favorece a sobrevivência em ambientes com pouco oxigênio dissolvido, como determinados pântanos e lagoas. Entretanto, chamar o animal de fóssil vivo não significa que a espécie atual permaneceu geneticamente inalterada durante milhões de anos.
Quais evidências confirmaram o sucesso do programa de conservação?
A reprodução foi anunciada no início de setembro de 2026. O projeto recebeu apoio técnico de pesquisadores da Universidade Juárez Autônoma de Tabasco, no México, instituição com experiência no desenvolvimento de técnicas para reprodução e criação do pejelagarto.
O Conselho Nacional de Áreas Protegidas da Guatemala autorizou o protocolo científico utilizado no programa. A soltura foi realizada em 24 de setembro, com participação de estudantes e profissionais de conservação. O nascimento e a liberação dos animais foram documentados, mas ainda não existem resultados suficientes para determinar quantos juvenis sobreviverão até a idade adulta.
O que os números revelam sobre a conservação do gar tropical?
A iniciativa representa a primeira reprodução documentada dessa espécie sob cuidados humanos pelas instituições participantes na Guatemala. Não se trata, entretanto, da primeira reprodução em cativeiro realizada mundialmente, pois pesquisadores mexicanos já desenvolveram técnicas de criação do animal.
A soltura ocorreu em uma região de água doce cercada por manguezais, escolhida para acompanhar a adaptação dos juvenis. Os resultados iniciais demonstram capacidade de reprodução e criação, enquanto o sucesso ecológico dependerá do monitoramento posterior.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Tempo de desenvolvimento do programa | Aproximadamente 7 anos |
| Filhotes liberados | 1.000 juvenis |
| Tamanho aproximado dos filhotes | 3 a 4 centímetros |
| Local e data da soltura | Lagoa Güiscoyol, 24/09/2026 |
O que a soltura representa para o futuro dos peixes pré-históricos?
Os próximos passos incluem acompanhar crescimento, alimentação e sobrevivência dos animais liberados. A idade escolhida para a soltura pretende favorecer o desenvolvimento de comportamentos naturais, antes que os juvenis se acostumem excessivamente à alimentação oferecida por humanos.
Entretanto, liberar mil peixes não garante a recuperação das populações selvagens. A conservação também depende da qualidade da água, da fiscalização da pesca e da proteção dos habitats. O programa poderá fornecer informações para novas reintroduções, desde que o monitoramento comprove resultados positivos e identifique condições adequadas para sua continuidade.
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